Problemas Climáticos e Estoques Apertados: Por que os Mercados de Café Estão em Alerta no Início de 2026

Os futuros de café estão a experimentar um momento de forte impulso à medida que várias preocupações de abastecimento convergem no mercado global. Os contratos de arábica de março subiram aos seus níveis mais altos em 1,5 semanas, ganhando +1,05 pontos (+0,30%), enquanto os futuros de robusta de março dispararam +17 pontos (+0,44%), refletindo uma crescente ansiedade sobre a estabilidade da colheita em regiões produtoras importantes.

Alerta de Seca no Brasil: Défice de Chuva de 17%

O principal catalisador decorre do coração do arábica no Brasil. O último relatório da Somar Meteorologia revela que Minas Gerais—responsável pela maior parte da produção de arábica no Brasil—recebeu apenas 11,1 mm de chuva durante a semana que terminou em 26 de dezembro. Isto representa uma forte quebra de 17% em relação às normas históricas, intensificando as preocupações sobre a floração e o desenvolvimento dos frutos durante a época crítica. Défices de precipitação assim podem afetar toda a cadeia de abastecimento, especialmente se as condições secas persistirem.

Crise de Inundações na Indonésia Ameaça Capacidade de Exportação

Enquanto o Brasil enfrenta seca, a Indonésia luta contra o extremo oposto. Inundações extensas no norte de Sumatra devastaram aproximadamente um terço das fazendas de café arábica da região nas últimas semanas. Segundo a Associação de Exportadores e Indústria de Café da Indonésia, estes eventos climáticos podem reduzir as exportações de café do país em até 15% durante a temporada de 2025-26. Como o terceiro maior produtor de robusta do mundo, as interrupções na produção da Indonésia têm implicações de mercado de grande peso.

Escassez de Inventário Aumenta a Pressão de Preços

A diminuição dos estoques acrescenta uma camada adicional de suporte altista. Os inventários de arábica monitorizados pela ICE tinham caído para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em meados de novembro, embora tenham recuperado parcialmente para 456.477 sacos recentemente. De forma semelhante, o inventário de robusta atingiu um mínimo de 4.012 lotes em meados de dezembro, antes de subir para 4.278 lotes. Estas posições de armazém esticadas deixam pouco espaço de manobra para interrupções no abastecimento.

Mudanças Tarifárias nos EUA Criam Dinâmicas de Compra

Os padrões de compra nos EUA evidenciam como a política comercial interage com os mercados de commodities. Durante o período de agosto a outubro, quando tarifas elevadas sobre as importações brasileiras estavam em vigor, as compras de café nos EUA caíram 52% em relação ao ano anterior, para apenas 983.970 sacos. Apesar das recentes reduções tarifárias, os estoques nos EUA permanecem limitados, sugerindo uma procura de reposição moderada mesmo com os preços a subir.

Previsões de Produção Apresentam um Quadro Misto

As perspetivas de colheita do Brasil apresentam sinais conflitantes. Em dezembro, a Conab aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos—no entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta uma queda de -3,1% para 2025/26, para 63 milhões de sacos, indicando uma expectativa de fraqueza na colheita. Entretanto, a trajetória de produção do Vietname aponta para cima: as exportações de café de novembro aumentaram 39% em relação ao ano anterior, para 88.000 MT, com envios de janeiro a novembro a subir 14,8%, para 1,398 MMT. A Vicofa prevê que a produção do Vietname em 2025/26 poderá atingir 30,8 milhões de sacos (um pico de 4 anos), um aumento de 6,2% ao ano, potencialmente pressionando as avaliações do robusta, dado o domínio do Vietname como maior fornecedor mundial de robusta.

Sinalizações de Oferta Global Complicam o Cenário à Frente

A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram -0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando escassez. No entanto, o USDA projeta que a produção mundial aumentará +2,0%, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26, mesmo com a produção de arábica a diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta dispara +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. As stocks finais globais estão previstas encolher -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25.

O mercado de café encontra-se atualmente num ponto de inflexão—as preocupações imediatas de abastecimento devido a défices de chuva e inundações estão a sustentar os preços, mas ganhos de produção a longo prazo e o aumento das exportações vietnamitas sugerem que podem surgir obstáculos. Os traders que monitoram tanto os padrões climáticos quanto os fluxos de inventário precisarão ponderar estas forças concorrentes.

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