
O Serviço Secreto dos Estados Unidos, a National Crime Agency (NCA) do Reino Unido e a Ontario Securities Commission (OSC) do Canadá anunciaram oficialmente, a 16 de março, o lançamento da “Operação Atlântico”, uma cooperação internacional para combater ataques de phishing autorizados no setor de criptomoedas, com o objetivo de identificar vítimas, aumentar a conscientização pública sobre os métodos de fraude e recuperar ativos criptográficos roubados.
(Fonte: Ontario Securities Commission)
A “Operação Atlântico” é uma expansão do “Projeto Atlas”, liderado pela Ontario Securities Commission (OSC). O Projeto Atlas foi lançado em 2024 pela Ontario Provincial Police (OPP) e pelo Serviço Secreto dos EUA. A Operação Atlântico estende a cooperação para o Reino Unido e inclui várias outras organizações.
Esta operação envolve as seguintes agências de aplicação da lei e reguladores:
EUA: Serviço Secreto, Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito de Columbia
Reino Unido: NCA, Metropolitan Police, Financial Conduct Authority (FCA)
Canadá: Ontario Provincial Police (OPP), Ontario Securities Commission (OSC), Royal Canadian Mounted Police (RCMP)
Brent Daniels, vice-diretor do escritório de operações externas do Serviço Secreto, afirmou: “Phishing na internet e fraudes de investimento causam milhões de dólares em perdas às vítimas todos os anos.” As organizações destacam que o foco técnico da operação é a identificação e bloqueio quase em tempo real dessas fraudes, não apenas investigações pós-fato.
Segundo a Chainalysis, o phishing autorizado (Authorized Phishing) não é uma simples roubo de credenciais, mas um ataque direto ao mecanismo de autorização na blockchain. Os fraudadores induzem as vítimas a assinar transações maliciosas de contratos inteligentes. Uma vez assinadas, o endereço do fraudador recebe permissão permanente para gastar tokens específicos na carteira da vítima, podendo retirar todos os tokens alvo a qualquer momento, sem contato adicional com a vítima.
Este tipo de ataque é altamente oculto: os atacantes frequentemente simulam páginas legítimas de protocolos DeFi ou interfaces de carteiras, levando as vítimas a assinar sem perceber, deixando seus ativos vulneráveis ao roubo contínuo. Algumas autorizações só são ativadas semanas após a assinatura.
A Chainalysis lançou, em 2024, a “Operação Spincaster” para identificar essas fraudes na blockchain. A Operação Atlântico eleva a resposta a um nível de cooperação internacional formal, envolvendo três jurisdições.
O relatório mensal de fevereiro da plataforma de inteligência de criptomoedas Nominis mostra um aumento acentuado na frequência de ataques de phishing, indicando maior atividade dos fraudadores. No entanto, as perdas totais relacionadas a fraudes e exploits em criptomoedas caíram de US$ 385 milhões em janeiro para US$ 49 milhões em fevereiro, uma redução de mais de 87%.
Este dado reflete uma situação complexa: o aumento na frequência pode indicar uma redução na barreira de entrada e maior escala das fraudes, enquanto a diminuição nas perdas pode estar relacionada à redução do valor de cada ataque ou à maior eficiência das ações anti-fraude do setor. A Operação Atlântico foi lançada neste contexto, com foco em impedir a disseminação de phishing autorizado antes que ele se torne massivo.
Lançada pelo Serviço Secreto dos EUA, NCA do Reino Unido e OPP e OSC do Canadá, a operação tem três objetivos principais: identificar vítimas que perderam ativos criptográficos por phishing autorizado, aumentar a conscientização pública sobre os métodos de fraude e recuperar ativos roubados.
O phishing comum geralmente rouba credenciais ou chaves privadas. O phishing autorizado induz o usuário a assinar transações maliciosas na blockchain, concedendo permissão permanente para gastar tokens específicos na carteira da vítima, permitindo que os fraudadores continuem a retirar ativos sem ações adicionais, dificultando a prevenção.
As vítimas podem denunciar às autoridades através dos canais oficiais do Serviço Secreto, FCA ou OSC. Essas organizações garantem confidencialidade na manipulação das informações e podem oferecer serviços de recuperação e suporte legal.