IA é uma cerca de bloqueio, Crypto também é uma cerca de bloqueio

Escrita por: Yokiiiya

AI é uma cidade cercada, Crypto também é uma cidade cercada. Quem está dentro quer sair, quem está fora quer entrar. Seja AI, seja Crypto, os desejos humanos são quase sempre assim.

Hoje, de repente, fiquei um pouco confuso.

Um amigo Web3 que conheci no ano passado tem se dedicado intensamente ao vibe coding; outro amigo Web3, que recentemente se tornou um “especialista em lagostas”, fala sobre agent, workflow, como a AI começa a realmente assumir o controle do fluxo de trabalho. Ao ver essas mudanças, surgiu na minha cabeça uma frase: AI é uma cidade cercada, Crypto também é uma cidade cercada.

Nos últimos dois anos, uma mudança cada vez mais evidente é que quem trabalha com Web3 sente FOMO ao ver AI, e quem trabalha com AI sente FOMO ao ver Crypto. Ambos se olham, projetam um no outro, aparentemente mudando de setor, mas na verdade tentando entender: de qual lado o sistema do futuro vai surgir primeiro.

AI é uma cidade cercada, Crypto também é uma cidade cercada. As pessoas vão e voltam entre os dois lados, não trocando de setor, mas procurando a entrada do sistema do futuro.

II. AI e Crypto, os dois portais do sistema do futuro

Se olharmos AI e Crypto juntos, muitos terão uma sensação sutil: parecem não ser a mesma coisa, mas parecem estar se aproximando lentamente. Um trabalha com modelos, agentes, busca, programação, geração de conteúdo; o outro fala sobre carteiras, stablecoins, liquidação na blockchain, autenticação e redes de colaboração. À primeira vista, parecem muito diferentes; mas, com o tempo, cada vez mais pessoas começam a prestar atenção simultaneamente em AI e Crypto, o que já indica uma coisa: todos percebem, de forma vaga, que há uma conexão ainda não totalmente explicada entre esses dois sistemas.

Se aprofundarmos um pouco mais, perceberemos que essa aproximação não é só por causa do entusiasmo por narrativas, mas porque ambos estão presos em extremos opostos do sistema do futuro.

AI está mudando a forma como as tarefas são concluídas. Ela faz as máquinas entenderem informações, lidarem com tarefas, gerarem julgamentos, e até assumirem gradualmente o fluxo de trabalho que antes só humanos podiam conduzir. Antes, o software era mais uma ferramenta: você clicava, ele reagia; hoje, a AI está cada vez mais parecida com um sistema capaz de realizar tarefas contínuas. Você dá um objetivo, ela divide a tarefa, ajusta ferramentas, produz resultados. O verdadeiro poder da AI não está só em responder perguntas, mas em participar ativamente das ações.

Crypto, por sua vez, muda outra coisa: após a realização de uma tarefa, como ela é avaliada, transferida e distribuída. O white paper do Bitcoin, na sua origem, não discute apenas preços e mercados, mas uma questão mais fundamental: sem intermediários financeiros, duas pessoas podem fazer pagamentos diretamente? É possível, sem confiar em terceiros, registrar, verificar e transferir valores pelo sistema? Como descrito no resumo, o objetivo era criar dinheiro eletrônico ponto a ponto, permitindo que pagamentos online fossem enviados diretamente de uma parte para outra, sem passar por instituições financeiras.

O white paper do BTC reescreve a questão de “como o valor circula”, enquanto a AI está reescrevendo “como a informação age”.

Sob essa perspectiva, embora tenham pontos de partida diferentes, AI e Crypto estão ambas tocando as camadas mais fundamentais do sistema do futuro. AI responde “quem faz as coisas”, Crypto responde “como as contas são feitas após a realização”. Um avança na ação, o outro na liquidação; um faz as máquinas parecerem cada vez mais participantes, o outro torna o valor programável, fluido e colaborativo.

AI está transformando o fluxo de informações, Crypto está reescrevendo o fluxo de valor. Não são apenas dois tópicos em alta, mas dois portais do sistema do futuro.

Por isso, hoje, é cada vez mais natural discutir AI e Crypto dentro do mesmo quadro. Não porque ambos estejam em alta, mas porque cada vez mais pessoas percebem que, se o sistema do futuro realmente evoluir, provavelmente não mudará só a forma de fazer as coisas, nem só a forma de fazer liquidações. Em algum momento, esses dois aspectos irão se cruzar. A verdadeira questão não é qual lado é mais atraente, mas de qual lado o sistema vai abrir primeiro.

III. Histórias se encontram, o valor ainda não está completo

Se AI e Crypto ocupam, na estrutura, os dois extremos do sistema do futuro, uma mudança mais evidente recentemente é que as conexões entre eles começaram a passar de julgamentos abstratos para uma montagem de sistemas cada vez mais concreta.

O sucesso do agent payment é um sinal clássico. Ele não é repetido só porque as pessoas passaram a gostar de um conceito novo, mas porque, quando o agent deixa de responder apenas perguntas e começa a executar tarefas contínuas, usar ferramentas, iniciar ações, questões como pagamento, autorização e liquidação surgem naturalmente. Um sistema que “age” inevitavelmente enfrentará questões de “como pagar”, “como fazer a contabilidade” e “como colaborar”. Nesse sentido, a relação entre AI e Crypto começa a se tornar mais concreta, com interfaces cada vez mais específicas.

Nesse processo, uma palavra interessante começou a aparecer tanto no contexto de AI quanto no de Crypto: token.

Na AI, token é a unidade que o modelo usa para processar textos, consumir recursos computacionais e medir custos de inferência. Hoje, a cobrança por modelos, a medição de inferência e a comparação de eficiência muitas vezes giram em torno de tokens. Mas, na Crypto, token representa outra coisa: é o meio de transferência de valor, distribuição de direitos, incentivo, colaboração e liquidação. Uma linguagem de medição mais próxima da produção inteligente, uma linguagem organizacional mais próxima da rede de valor. Embora não sejam o mesmo tipo de token, ambos desempenham o papel de “unidade básica” em seus respectivos mundos.

Na AI, o token é a unidade de produção; na Crypto, o token é a unidade de valor.

A mesma palavra, em dois mundos, tornou-se uma unidade fundamental. Isso não é coincidência. Indica que AI e Crypto estão tentando definir, cada um à sua maneira, a gramática básica do sistema do futuro: um define “como as máquinas fazem as coisas”, o outro define “como o sistema faz a liquidação”.

AI define como as máquinas processam informações, consomem recursos e produzem resultados; Crypto define como o valor é registrado, distribuído, liquidado e circula. O primeiro é uma linguagem de produção, o segundo, uma linguagem financeira. Embora tenham o mesmo nome, não são a mesma coisa; de origens diferentes, estão lentamente se conectando.

Essa “conexão” já não é só conceitual. Seja na Stripe, seja na Coinbase, as pessoas não vendem mais apenas uma ferramenta, mas tentam montar uma pilha completa de pagamentos agenticos: acima, chamadas e tarefas de agentes; no meio, protocolos de pagamento, identidade, carteiras e interfaces de liquidação; na base, sistemas de rede e fluxo de valor. Em outras palavras, não é mais só um slogan “AI+Crypto”, mas uma tentativa séria de responder a uma questão: se as máquinas começarem a fazer transações por conta própria, qual sistema deve ser usado para realizar os pagamentos?

A parte mais interessante dessa imagem não é quem vai vencer, mas o fato de ela mostrar que a narrativa já está começando a gerar infraestrutura.

Porém, ter infraestrutura não garante demanda; ter interfaces não garante um ciclo completo; ter uma história não garante negócios.

Hoje, muitas discussões sobre AI e Crypto ainda permanecem na camada de narrativa, não na de valor. Histórias são fáceis de contar: agentes precisam de pagamento, portanto, precisam de carteiras; máquinas precisam colaborar, portanto, precisam de identidades na blockchain; uma economia automatizada inevitavelmente requer novas redes de liquidação. Essa lógica não é absurda, é até atraente. Mas negócios nunca se constroem só com lógica coerente, mas com problemas reais.

Que problema você resolve? Para quem você reduz custos? Aumenta a eficiência? Cria valor novo? Forma um ciclo de uso, pagamento e retenção que os usuários desejam continuar? Se não consegue responder a essas perguntas, por mais envolvente que seja a narrativa, ela continuará sendo só narrativa.

Talvez o caminho esteja certo, mas estar no caminho certo não garante negócios de sucesso hoje.

IV. Mais importante que escolher setor é entender o problema

Ao chegar aqui, tenho cada vez mais a sensação de que o que realmente importa não é “devo ir para AI ou ficar em Crypto”.

Hoje, muitas pessoas se movimentam entre os dois lados, parecendo trocar de setor, mas na verdade estão tentando entender onde está a verdadeira entrada do sistema do futuro. Todos querem não perder a primeira porta que se abre, querem estar no lugar onde a mudança realmente acontece.

Porém, uma questão mais importante do que “onde está a entrada” é: qual problema eu quero resolver?

Se essa questão não estiver clara, AI se tornará uma nova ilusão, Crypto também. Hoje, você acha que AI é mais popular, mais necessária; amanhã, acha que Crypto é mais fundamental, mais próxima de uma reconstrução de valor; depois, será reaceso por palavras como agent payment, economia de máquinas, agentes na blockchain. Mas, se a consciência do problema não estiver clara, as pessoas ficarão apenas sendo empurradas pelo vento entre duas cidades.

Por outro lado, se o problema for bem definido, muitas coisas ficarão mais simples. Você não precisa necessariamente estar do lado da AI ou do lado da Crypto. O que realmente importa é qual lado você quer resolver o problema, onde suas habilidades se encaixam melhor, e se você consegue criar valor real, contínuo e verificável nesse ponto.

No final, negócios não compram imaginação, compram valor.

AI, Crypto, agentic payment, economia de máquinas — esses conceitos podem ser grandiosos, as histórias podem ser emocionantes. Mas o que realmente fica são aqueles que resolvem problemas, aumentam a eficiência de outros, reestruturam custos e fazem o ciclo de valor funcionar.

Talvez, daqui a muitos anos, AI e Crypto realmente se encontrem em algum lugar. Mas, hoje, a ponte ainda não está totalmente construída, e muitas pessoas já começam a olhar de um lado para o outro na sua extremidade. Eu também sou uma delas.

Não é que já tenha entendido tudo, mas que estou começando a aceitar: neste tempo, estar sempre consciente nem sempre é a norma; recalibrar constantemente é o mais importante.

Se você não entender claramente o problema, AI e Crypto se tornarão novas ilusões. O que realmente decide onde você deve estar não é a moda, mas o problema.

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