Peter Thiel acaba de fazer um movimento audacioso que nos revela algo interessante sobre o atual panorama de IA. Seu fundo de hedge Thiel Macro liquidou toda a sua posição na Nvidia no terceiro trimestre e direcionou o capital para a Microsoft. Agora, isso é um sinal que vale a pena prestar atenção, especialmente quando consideramos o domínio da Nvidia em aceleradores de IA, mas também os desafios emergentes que ela enfrenta.



Deixe-me explicar o que está acontecendo aqui. A Nvidia controla mais de 80% do mercado de aceleradores de IA—esses GPUs são basicamente a moeda da revolução da IA neste momento. Mas a concorrência está ficando séria. Os chips MI350 da AMD mostraram desempenho sólido em benchmarks recentes, e eles planejam lançar o MI400. Mais importante, os grandes players de nuvem—Google, Amazon, Meta, OpenAI—começaram a construir seus próprios chips de IA personalizados para reduzir a dependência da Nvidia. Isso representa uma ameaça estrutural que ninguém deve ignorar.

Mas aqui está o detalhe que a maioria das pessoas não percebe: chips personalizados parecem ótimos até você perceber que eles carecem do ecossistema de software. A Nvidia passou quase duas décadas construindo o CUDA, essa enorme biblioteca de ferramentas, frameworks e modelos pré-treinados que os desenvolvedores realmente querem usar. Chips personalizados não têm isso. Os desenvolvedores precisam construir tudo do zero, o que aumenta custos enormes. Quando você considera essas despesas ocultas, as GPUs da Nvidia muitas vezes acabam sendo mais baratas do que as alternativas personalizadas. Por isso, os analistas ainda acreditam que a Nvidia manterá de 70 a 90% de participação de mercado em aceleradores de IA até 2033.

Então, por que Peter Thiel saiu? É aí que entra a Microsoft. A empresa está monetizando a IA através de seu software empresarial e negócios de nuvem de uma forma que me parece mais sustentável. Eles integraram copilotos de IA no Microsoft 365, e o CEO Satya Nadella mencionou que a adoção por empresas da Fortune 500 está acelerando. O crescimento da nuvem atingiu 28%, e a Microsoft está atualmente com capacidade limitada—ou seja, há espaço para conquistar mais participação de mercado enquanto expandem sua infraestrutura de data centers nos próximos dois anos.

A história da avaliação também é interessante. A Nvidia é negociada a 44 vezes o lucro, o que parece caro, mas a Wall Street espera um crescimento anual de lucros de 37%. A Microsoft está a 34 vezes o lucro, com um crescimento esperado de 14%. O índice PEG da Microsoft está em 2,4, o que na verdade está abaixo da média histórica dela. Isso sugere que Peter Thiel pode estar vendo uma relação risco-retorno melhor aqui—valorização menos inflada, caminho sólido de monetização de IA e exposição a tendências de software empresarial e computação em nuvem que devem crescer entre 12% e 20% ao ano até 2030.

A verdadeira percepção aqui é que a mudança de Thiel, de uma exposição pura a chips de IA para uma monetização de IA baseada em software e nuvem, reflete um mercado que amadurece. A Nvidia provavelmente continuará dominante em chips, mas a abordagem diversificada da Microsoft para capturar valor de IA através de software, serviços e infraestrutura pode ser o investimento mais inteligente a longo prazo. Foi isso que o fundo de hedge percebeu, e, honestamente, é difícil discordar da lógica.
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