Vocês já ouviram falar do caso mais insano de roubo de criptomoedas? Deixa eu contar a história de Jimmy Zhong.



Esse cara descobriu uma vulnerabilidade absurda na Silk Road em 2012. Basicamente, o marketplace da dark web tinha um bug ridículo: se você clicasse repetidamente no botão de saque, conseguia sacar mais bitcoin do que tinha depositado. Genial e criminoso ao mesmo tempo. Jimmy explorou isso e roubou 51.680 BTC. Naquela época valiam uns 700 mil dólares, mas em 2021 chegaram a 3.4 bilhões.

O que é louco? Ele escondeu tudo em um pote de Cheetos por 9 anos. Sério mesmo.

Mas vamos voltar. Jimmy nasceu em 1991, filho de imigrantes chineses. Infância complicada: mãe enfermeira noturna, pai catador de lixo, pais separados. Na escola era intimidado, sofria bullying pesado. Então se refugiou na programação. Tinha QI altíssimo, ganhou bolsa HOPE da Geórgia, mas na universidade começou a beber.

Até que em 2009 viu um post sobre bitcoin em um fórum. Mudou tudo. Começou a minerar no laptop, ganhava centenas de BTC por dia. No começo não valiam nada, ele esqueceu que tinha. Só em 2011 percebeu que cada bitcoin valia 30 dólares. Aí perdeu a carteira.

Depois recuperou parte dos bitcoins antigos (perdeu 5 mil por falha de disco rígido), ganhou mais alguns, e aí sim começou a se sentir rico. Foi quando descobriu a Silk Road e aquela vulnerabilidade.

Com os bitcoins roubados, Jimmy viveu a vida de sonho: hotéis de luxo, Gucci, LV, casa à beira do lago com iate e jet ski. Alugava jatos particulares, dava 10 mil dólares pra cada amigo gastar em Beverly Hills. Tudo financiado por aqueles 51.680 BTC que ninguém sabia que ele tinha.

Mas em março de 2019 sua casa foi assaltada. Perdeu 400 mil em dinheiro e 150 bitcoins. Chamou 911 em pânico. Essa ligação chamou atenção do IRS, que começou a investigar.

O erro fatal veio em 2021. Jimmy precisava de 9.5 milhões pra um investimento imobiliário, então começou a mexer nas carteiras antigas. Num movimento desatento, misturou a carteira original da Silk Road com ativos legais. Pronto. Ficou exposto.

Em novembro de 2021, FBI e IRS invadiram a casa dele na Geórgia. Encontraram um cofre escondido embaixo dos azulejos com ouro, prata, bitcoins físicos, 661.900 dólares em dinheiro. E aquele pote de Cheetos com um computador de placa única contendo a chave privada de mais de 50 mil bitcoins.

Foi a segunda maior apreensão de criptomoedas da história dos EUA. Recuperaram os 51.680 BTC, avaliados em 3.4 bilhões.

O mais absurdo? Em 9 anos gastando como se não houvesse amanhã, Jimmy usou menos de 1% daquilo.

Em julho de 2023, foi condenado a 1 ano e 1 dia de prisão federal. Sentença leve por ter se entregado voluntariamente, sem violência, devolvendo tudo, sendo primeiro infrator.

O advogado de Jimmy fez uma observação interessante: se ele não tivesse 'guardado' esses bitcoins por 9 anos, o governo teria leiloado em 2014 por apenas 14 milhões. Mas esperando até 2021 e vendendo a 60 mil cada, gerou mais de 3 bilhões pra União.

É uma história que resume bem a volatilidade do bitcoin e como às vezes a sorte e o timing podem mudar tudo. Jimmy Zhong é praticamente uma lenda da dark web agora.
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