O mercado de ações criou uma oportunidade peculiar nos últimos meses. Enquanto muitos investidores perseguem novas máximas, uma lista crescente de empresas está negociando perto dos seus pontos mais baixos em anos. Ações como Whirlpool, Estée Lauder, Deckers Outdoor, Pool e Helen of Troy tiveram quedas significativas. Mas aqui está a questão central que todo investidor de valor deve enfrentar: são esses verdadeiros negócios a preços baixos ou armadilhas de valor esperando para pegar os incautos?
A análise desta semana examina cinco ações em baixa que merecem uma investigação mais aprofundada. Nem toda ação negociada a preços deprimidos representa uma oportunidade de compra. A diferença fundamental entre uma oferta real e uma armadilha perigosa reside nos fundamentos—especificamente, se a empresa ainda consegue crescer seus lucros apesar das dificuldades do mercado.
O Quadro Essencial: Ofertas vs. Armadilhas
Uma simples queda de preço não é suficiente para sinalizar uma oportunidade de compra. Investidores de valor que buscam negócios baratos precisam olhar mais a fundo. Uma oferta genuína combina dois elementos essenciais: a ação está sendo negociada a um preço barato e a empresa ainda demonstra fundamentos operacionais sólidos com crescimento esperado de lucros.
A armadilha ocorre quando investidores confundem um preço baixo com uma avaliação baixa. Algumas empresas caíram por boas razões—seus lucros estão deteriorando-se, pressões competitivas estão aumentando ou o modelo de negócio em si está quebrado. Comprar essas ações é como pegar uma faca caindo; quanto mais ela cai, mais perigosa ela fica.
A questão crucial que os investidores de valor perguntam: essa empresa está posicionada para crescer seus lucros ano após ano ou está em declínio estrutural? Se os fundamentos sustentam uma expansão dos lucros, a ação em baixa pode realmente estar em oferta. Se os lucros continuam a encolher, a queda da ação pode ainda ter mais espaço para continuar.
Cinco ações sob análise: Separando valor de volatilidade
Whirlpool Corp.: Uma jogada de recuperação testando a paciência do investidor
A Whirlpool enfrentou uma fase difícil de cinco anos. Os lucros encolheram por três anos consecutivos, e a ação caiu 56,8% desde as máximas recentes. As ações atingiram mínimas plurianuais que deixariam a maioria dos investidores nervosos.
No entanto, sinais recentes sugerem que o pior pode estar ficando para trás. Apesar de ter decepcionado nos resultados do quarto trimestre de 2025, analistas elevaram suas estimativas de lucros para 2026 nesta semana. O consenso agora projeta um crescimento de 14,1% nos lucros para o próximo ano. As ações da Whirlpool subiram 10,7% no último mês, indicando que alguns investidores institucionais estão apostando na recuperação.
A questão: o mercado já precificou as más notícias ou ainda há mais fraqueza por vir?
Estée Lauder: A ressaca da pandemia na gigante da beleza
Estée Lauder mostra como a normalização pós-pandemia pode devastar ações que estavam em alta. A empresa de beleza de luxo disparou durante os lockdowns, mas desde então caiu para mínimas de cinco anos, uma queda de 51,3% no período.
Por outro lado, o quadro de lucros oferece esperança. Após três anos de declínio, incluindo uma queda prevista de 41,7% em 2025, os analistas esperam uma recuperação dramática de 43,7% nos lucros no próximo período. A empresa divulgará resultados em 5 de fevereiro de 2026—esta semana—o que pode validar ou desmentir essas projeções otimistas.
A complicação: mesmo com a ação bastante depreciada, a Estée Lauder ainda negocia a um índice P/L futuro de 53. Isso é quase quatro vezes o que investidores de valor normalmente consideram atraente (P/L abaixo de 15). Ainda não é uma pechincha—pelo menos, não ainda.
Deckers Outdoor: A história do calçado ainda sendo escrita
A Deckers Outdoor possui duas das marcas de calçados mais populares globalmente: UGG e HOKA. A empresa recentemente reportou resultados impressionantes do terceiro trimestre fiscal de 2026 que desafiam a narrativa pessimista. As vendas de HOKA subiram 18,5% e UGG cresceu 4,9%, enquanto a receita trimestral atingiu recordes.
No entanto, as ações caíram 46,5% no último ano devido a preocupações dos consumidores e tarifas comerciais. Nesta semana, a Deckers elevou sua orientação para o ano completo de 2026, e as ações reagiram com alta. A avaliação parece razoável com um P/L futuro de apenas 15,6—bem dentro da zona de valor.
A tensão central: o potencial de crescimento dos lucros é real e sustentável ou as tarifas crescentes vão minar essas projeções otimistas?
Pool Corp.: Vencedor da pandemia enfrentando demanda normalizada
A Pool tornou-se um exemplo de vencedores da pandemia lutando com condições econômicas normalizadas. A empresa aproveitou uma onda de compras de piscinas durante os lockdowns, quando viagens estavam restritas e o staycation era tendência. Essa era passou.
A Pool teve três anos consecutivos de queda nos lucros, mas os analistas projetam uma recuperação de 6,5% em 2026. A ação caiu 28,3% em cinco anos e negocia a um P/L futuro de 22—caro em relação aos padrões de valor, mas mais barato do que muitas ações de crescimento.
O fator crítico: a recuperação dos lucros projetada vai se concretizar ou o negócio enfrenta demanda permanentemente reduzida?
Helen of Troy: Extremamente barato escondendo problemas graves
Helen of Troy apresenta o caso mais extremo. A diversificada de produtos de consumo opera marcas conhecidas como OXO, Hydro Flask, Vicks, Hot Tools, Drybar e Revlon. Mas a ação despencou 93,2% para mínimas de cinco anos—uma queda quase incompreensível.
A razão fica clara ao observar o quadro de lucros. Helen of Troy teve três anos consecutivos de queda nos lucros, e os analistas esperam mais uma queda de 52,4% nos lucros no próximo ano. O P/L futuro está em um nível quase absurdo de baixo, 4,9.
Este é o teste final de armadilha de valor: Helen of Troy é barato porque é uma pechincha ou o mercado está precificando corretamente uma empresa em crise estrutural?
Por que a avaliação desta semana é importante
O fio condutor de todas as cinco empresas é que seus preços de mercado deterioraram-se muito mais rápido do que muitos investidores esperavam. Ainda assim, a divergência entre suas avaliações e trajetórias de lucros varia drasticamente.
Algumas—como Deckers, com seu P/L futuro de 15,6 e orientação em alta—mostram características de oportunidades genuínas. Outras—como Helen of Troy, enfrentando mais uma queda de 52% nos lucros—sugerem que o pessimismo do mercado pode estar justificado.
Investidores de valor que monitoram essas situações nesta semana devem focar em uma métrica acima de todas: a taxa de crescimento projetada dos lucros da empresa. Uma ação negociada a mínimas de cinco anos pode ser tanto a oportunidade do século quanto uma armadilha cuidadosamente planejada. A diferença está em se a gestão consegue realmente aumentar os lucros, não apenas no quanto a ação caiu.
Para quem deseja construir uma carteira de valor, a lição é clara: preço baixo sozinho cria oportunidade, mas somente o crescimento dos lucros diferencia verdadeiras pechinchas de ilusões.
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Lista de Observação de Valor desta Semana: Pool Corp e Outras Quatro Ações Abaladas que Podem Ser Oportunidades
O mercado de ações criou uma oportunidade peculiar nos últimos meses. Enquanto muitos investidores perseguem novas máximas, uma lista crescente de empresas está negociando perto dos seus pontos mais baixos em anos. Ações como Whirlpool, Estée Lauder, Deckers Outdoor, Pool e Helen of Troy tiveram quedas significativas. Mas aqui está a questão central que todo investidor de valor deve enfrentar: são esses verdadeiros negócios a preços baixos ou armadilhas de valor esperando para pegar os incautos?
A análise desta semana examina cinco ações em baixa que merecem uma investigação mais aprofundada. Nem toda ação negociada a preços deprimidos representa uma oportunidade de compra. A diferença fundamental entre uma oferta real e uma armadilha perigosa reside nos fundamentos—especificamente, se a empresa ainda consegue crescer seus lucros apesar das dificuldades do mercado.
O Quadro Essencial: Ofertas vs. Armadilhas
Uma simples queda de preço não é suficiente para sinalizar uma oportunidade de compra. Investidores de valor que buscam negócios baratos precisam olhar mais a fundo. Uma oferta genuína combina dois elementos essenciais: a ação está sendo negociada a um preço barato e a empresa ainda demonstra fundamentos operacionais sólidos com crescimento esperado de lucros.
A armadilha ocorre quando investidores confundem um preço baixo com uma avaliação baixa. Algumas empresas caíram por boas razões—seus lucros estão deteriorando-se, pressões competitivas estão aumentando ou o modelo de negócio em si está quebrado. Comprar essas ações é como pegar uma faca caindo; quanto mais ela cai, mais perigosa ela fica.
A questão crucial que os investidores de valor perguntam: essa empresa está posicionada para crescer seus lucros ano após ano ou está em declínio estrutural? Se os fundamentos sustentam uma expansão dos lucros, a ação em baixa pode realmente estar em oferta. Se os lucros continuam a encolher, a queda da ação pode ainda ter mais espaço para continuar.
Cinco ações sob análise: Separando valor de volatilidade
Whirlpool Corp.: Uma jogada de recuperação testando a paciência do investidor
A Whirlpool enfrentou uma fase difícil de cinco anos. Os lucros encolheram por três anos consecutivos, e a ação caiu 56,8% desde as máximas recentes. As ações atingiram mínimas plurianuais que deixariam a maioria dos investidores nervosos.
No entanto, sinais recentes sugerem que o pior pode estar ficando para trás. Apesar de ter decepcionado nos resultados do quarto trimestre de 2025, analistas elevaram suas estimativas de lucros para 2026 nesta semana. O consenso agora projeta um crescimento de 14,1% nos lucros para o próximo ano. As ações da Whirlpool subiram 10,7% no último mês, indicando que alguns investidores institucionais estão apostando na recuperação.
A questão: o mercado já precificou as más notícias ou ainda há mais fraqueza por vir?
Estée Lauder: A ressaca da pandemia na gigante da beleza
Estée Lauder mostra como a normalização pós-pandemia pode devastar ações que estavam em alta. A empresa de beleza de luxo disparou durante os lockdowns, mas desde então caiu para mínimas de cinco anos, uma queda de 51,3% no período.
Por outro lado, o quadro de lucros oferece esperança. Após três anos de declínio, incluindo uma queda prevista de 41,7% em 2025, os analistas esperam uma recuperação dramática de 43,7% nos lucros no próximo período. A empresa divulgará resultados em 5 de fevereiro de 2026—esta semana—o que pode validar ou desmentir essas projeções otimistas.
A complicação: mesmo com a ação bastante depreciada, a Estée Lauder ainda negocia a um índice P/L futuro de 53. Isso é quase quatro vezes o que investidores de valor normalmente consideram atraente (P/L abaixo de 15). Ainda não é uma pechincha—pelo menos, não ainda.
Deckers Outdoor: A história do calçado ainda sendo escrita
A Deckers Outdoor possui duas das marcas de calçados mais populares globalmente: UGG e HOKA. A empresa recentemente reportou resultados impressionantes do terceiro trimestre fiscal de 2026 que desafiam a narrativa pessimista. As vendas de HOKA subiram 18,5% e UGG cresceu 4,9%, enquanto a receita trimestral atingiu recordes.
No entanto, as ações caíram 46,5% no último ano devido a preocupações dos consumidores e tarifas comerciais. Nesta semana, a Deckers elevou sua orientação para o ano completo de 2026, e as ações reagiram com alta. A avaliação parece razoável com um P/L futuro de apenas 15,6—bem dentro da zona de valor.
A tensão central: o potencial de crescimento dos lucros é real e sustentável ou as tarifas crescentes vão minar essas projeções otimistas?
Pool Corp.: Vencedor da pandemia enfrentando demanda normalizada
A Pool tornou-se um exemplo de vencedores da pandemia lutando com condições econômicas normalizadas. A empresa aproveitou uma onda de compras de piscinas durante os lockdowns, quando viagens estavam restritas e o staycation era tendência. Essa era passou.
A Pool teve três anos consecutivos de queda nos lucros, mas os analistas projetam uma recuperação de 6,5% em 2026. A ação caiu 28,3% em cinco anos e negocia a um P/L futuro de 22—caro em relação aos padrões de valor, mas mais barato do que muitas ações de crescimento.
O fator crítico: a recuperação dos lucros projetada vai se concretizar ou o negócio enfrenta demanda permanentemente reduzida?
Helen of Troy: Extremamente barato escondendo problemas graves
Helen of Troy apresenta o caso mais extremo. A diversificada de produtos de consumo opera marcas conhecidas como OXO, Hydro Flask, Vicks, Hot Tools, Drybar e Revlon. Mas a ação despencou 93,2% para mínimas de cinco anos—uma queda quase incompreensível.
A razão fica clara ao observar o quadro de lucros. Helen of Troy teve três anos consecutivos de queda nos lucros, e os analistas esperam mais uma queda de 52,4% nos lucros no próximo ano. O P/L futuro está em um nível quase absurdo de baixo, 4,9.
Este é o teste final de armadilha de valor: Helen of Troy é barato porque é uma pechincha ou o mercado está precificando corretamente uma empresa em crise estrutural?
Por que a avaliação desta semana é importante
O fio condutor de todas as cinco empresas é que seus preços de mercado deterioraram-se muito mais rápido do que muitos investidores esperavam. Ainda assim, a divergência entre suas avaliações e trajetórias de lucros varia drasticamente.
Algumas—como Deckers, com seu P/L futuro de 15,6 e orientação em alta—mostram características de oportunidades genuínas. Outras—como Helen of Troy, enfrentando mais uma queda de 52% nos lucros—sugerem que o pessimismo do mercado pode estar justificado.
Investidores de valor que monitoram essas situações nesta semana devem focar em uma métrica acima de todas: a taxa de crescimento projetada dos lucros da empresa. Uma ação negociada a mínimas de cinco anos pode ser tanto a oportunidade do século quanto uma armadilha cuidadosamente planejada. A diferença está em se a gestão consegue realmente aumentar os lucros, não apenas no quanto a ação caiu.
Para quem deseja construir uma carteira de valor, a lição é clara: preço baixo sozinho cria oportunidade, mas somente o crescimento dos lucros diferencia verdadeiras pechinchas de ilusões.