A batalha entre o antigo e o novo capital na Juventus: a luta entre o gigante da criptografia e a família centenária

A simbólica equipa de futebol italiana, Juventus, está a ser envolvida numa grande batalha de capital que diz respeito à mudança de era. O maior emissor de stablecoins do mundo, Tether, representado pelo seu diretor técnico Paolo Ardoino, lançou uma oferta de aquisição com uma avaliação quase duplicada, enquanto a família Agnelli, que controla a Juventus há mais de um século, optou por recusar. Esta negociação aparentemente simples reflete, na verdade, um conflito profundo entre a riqueza emergente e a nobreza tradicional no mapa global de capitais.

Do primeiro amor ao esquecimento: o percurso de obstáculos dos novos ricos em criptomoedas

No início de 2025, a Tether entrou pela primeira vez no radar da Juventus. Como líder de uma máquina financeira que gera lucros anuais superiores a 13 mil milhões de dólares, Paolo Ardoino decidiu focar na sua terra natal — o clube de futebol mais bem-sucedido da história italiana. Começou por adquirir ações no mercado aberto de forma gradual, elevando a sua participação para 10,7%, tornando-se o segundo maior acionista, apenas atrás do grupo Exor.

Paolo, numa declaração rara, revelou um lado emocional: «A Juventus sempre fez parte da minha vida.» Por trás destas palavras, há uma memória típica da infância italiana — olivais, camisolas a riscas em preto e branco, os gritos no estádio de Torino. Depois de 32 anos, o jovem de uma pequena cidade tornou-se num executivo de tecnologia que controla centenas de milhões de dólares em ativos globais, decidindo usar a riqueza da nova era para realizar os sonhos da juventude.

No entanto, a realidade deu-lhe uma forte bofetada.

Quando a Tether propôs participar num plano de aumento de capital do clube, foi ignorada silenciosamente pelo grupo Exor. Sem emails, sem chamadas, sem qualquer explicação. Este frio tratamento vindo do velho mundo irritou Paolo, que comentou nas redes sociais: «Queríamos aumentar a nossa participação através de um aumento de capital, mas esse desejo foi ignorado.»

Um gigante financeiro que controla o topo do capital global, incapaz de agir além de uma simples publicação nas redes sociais, revela uma realidade profunda: em Itália, nem sempre o dinheiro abre todas as portas.

Barreiras de classe: a defesa do velho dinheiro contra o novo

Para entender por que a família Agnelli é tão teimosa, é preciso retroceder à sua história centenária.

Em 1923, Edoardo Agnelli, com 31 anos, assumiu o comando da Juventus, e desde então, o destino da família Agnelli esteve estreitamente ligado ao clube. O império Fiat cresceu na onda da industrialização do século XX, enquanto a Juventus se tornou outro símbolo do poder familiar — 36 títulos da Serie A, 2 títulos da Liga dos Campeões, 14 Taças de Itália. Estes números representam não só honras, mas também uma posição enraizada na sociedade italiana.

Porém, dentro da própria família, também ocorreram mudanças radicais. Após tragédias e lutas internas pelo poder, o bisneto John Elkann foi colocado no centro do poder. Para provar que merecia o nome Agnelli, passou 20 anos a reestruturar a Fiat, a criar o quarto maior grupo automóvel do mundo, Stellantis, e a lançar a Ferrari no mercado de capitais.

Ao mesmo tempo, as fissuras internas tornaram-se públicas. Numa fase tão frágil, vender a Juventus equivalia a anunciar ao mundo que a glória da família tinha chegado ao fim. Algo que John Elkann não podia aceitar.

Nos valores do velho dinheiro europeu, a qualidade da riqueza é claramente hierarquizada. Cada euro da família Agnelli vem do ruído das máquinas industriais, do aço e do suor — riqueza tangível, visível, que simboliza a ordem e um contrato social que dura há um século. O dinheiro de Paolo, por outro lado, vem das criptomoedas — uma indústria que cresceu de forma selvagem nos últimos dez anos, cheia de controvérsias.

O exemplo está à vista. Anos atrás, uma empresa de blockchain assinou contratos de patrocínio com várias famílias italianas de elite, mas acabou por cancelar devido a problemas de liquidez. A crise de 2022 no setor de criptomoedas aprofundou as dúvidas dos nobres tradicionais nesta indústria. Para John Elkann, Paolo será sempre um «estranho» — não por origem, mas pela proveniência da riqueza.

Uma crise iminente: o ciclo de decadência do futebol italiano

Porém, há um lado da questão que é inegável: a Juventus precisa de dinheiro.

Em julho de 2018, a Juventus contratou Cristiano Ronaldo, pagando 100 milhões de euros de transferência e um salário líquido de 30 milhões de euros por ano, por quatro anos. Foi a maior transferência da história da Serie A, e o presidente Andrea Agnelli prometeu usar a Liga dos Campeões para justificar esse investimento.

Os adeptos compraram camisolas em massa, vendendo mais de 520 mil em 24 horas, um recorde na história do futebol. Todos acreditavam que a equipa conquistaria o topo da Europa.

Mas a realidade foi dura. Cristiano Ronaldo jogou na Juventus por três anos, mas foi eliminado três vezes na Liga dos Campeões — invertido pelo Ajax, eliminado pelo Lyon, derrotado pelo Porto. Em agosto de 2021, Ronaldo saiu de repente. Os analistas calcularam que o custo total do contrato foi de 340 milhões de euros, com o avançado a marcar 101 golos, a um custo médio de 2,8 milhões de euros por golo.

Para os clubes de futebol italianos, a Liga dos Campeões é mais do que honra — é uma questão de fluxo de caixa. Direitos de transmissão, receitas de dias de jogo, patrocínios, tudo depende do desempenho na competição. Perder a qualificação significa uma redução drástica de receitas, obrigando os clubes a recorrer a truques contabilísticos para equilibrar as contas.

A Juventus iniciou uma série de negócios problemáticos. Vendeu Pjanic ao Barcelona por 60 milhões de euros, e comprou Arthur por 72 milhões, inflacionando artificialmente o «lucro de capital». As investigações revelaram que, em três anos, o clube aumentou artificialmente o lucro em 282 milhões de euros através de 42 transações suspeitas.

Após a exposição do escândalo, o presidente e toda a direção renunciaram em bloco, e o clube foi punido com deduções de pontos e suspensões. Isso agravou ainda mais o ciclo vicioso: desempenho pior → receitas caem → dificuldades de reforçar a equipa → desempenho ainda pior.

Desde a temporada 2018-19, com prejuízo de 39,6 milhões de euros, a situação financeira da Juventus deteriorou-se continuamente. Em 2022-23, o prejuízo atingiu 123,7 milhões de euros. Da glória de nove títulos consecutivos na Serie A, à queda para prejuízos anuais massivos, o grupo Exor já injetou três vezes dinheiro na Juventus nos últimos dois anos, a última em novembro de 2025, com uma captação de quase 100 milhões de euros.

Este clube tornou-se um passivo para o grupo Exor, contribuindo para uma descida de 12% no lucro líquido em 2024.

Confronto público entre o novo e o velho: a oferta inflexível

Neste contexto, Paolo decidiu dar um passo arriscado.

Em 12 de dezembro, contornando negociações privadas, anunciou publicamente na bolsa italiana uma oferta de aquisição: comprar 65,4% das ações da Exor por 2,66 euros por ação, com um prémio de 20,74%, e investir mais 1 mil milhão de euros. Uma oferta totalmente em dinheiro, sem condições, com apenas 10 dias de prazo para a Exor decidir.

Esta jogada colocou John Elkann numa posição difícil. O preço das ações da Juventus disparou, refletindo o desejo do mercado pelo «dinheiro novo». As manchetes nos jornais e a expectativa na península Itálica estavam ao rubro com a decisão da família Agnelli.

Não surpreendentemente, a família recusou. Em comunicado, negaram qualquer intenção de venda, afirmando que se orgulham de ser acionistas há mais de um século e que «não há intenção de vender». A mensagem subentendida é clara: isto não é apenas um negócio, é o território da nossa família. Podem entrar, mas não podem ser os donos.

Depois, surgiram rumores de que a Tether estaria a preparar uma oferta duplicada, elevando a avaliação para 2 mil milhões de euros. Mas, por mais que o valor suba, a porta de bronze fechada parece intransponível.

Um ponto de viragem no cenário global

Contudo, o vento da mudança está a soprar.

Na mesma semana em que a Exor rejeitou a proposta da Tether, o Manchester City renovou contrato com uma plataforma de criptomoedas, com publicidade na camisola avaliada em mais de um milhão de euros. PSG, Barcelona, AC Milan e outros clubes europeus já estabeleceram parcerias profundas com empresas de criptomoedas. Na Ásia, a K League da Coreia e a J League do Japão também começaram a aceitar patrocínios de criptomoedas.

O dinheiro novo, agora controlado pelo velho dinheiro, deixou de ser uma questão de «se» e passou a ser «como». O futebol é apenas um dos campos de batalha. No mercado de arte, as principais casas de leilões já aceitam criptomoedas; no imobiliário, transações de luxo em Dubai, Miami, entre outras cidades, podem ser feitas com Bitcoin. Conflitos semelhantes estão a acontecer em todo o mundo.

A luta pelo futebol italiano simboliza, na verdade, uma mudança maior. Quando uma nova geração de empreendedores cria fortunas de formas inovadoras, será que eles têm direito a sentar-se na mesa que o velho dinheiro controla há décadas?

Continuação da disputa por escrever-se-á

A história ainda não terminou.

A porta de bronze fechada guarda a glória industrial de um século da família Agnelli, e também os últimos vestígios de uma era passada. O som de Paolo a bater à porta ainda ecoa nos corredores da Juventus, enquanto o sonho de juventude sob a oliveira espera ser despertado novamente.

Independentemente de como esta batalha de capitais terminar, um sinal está claro: abrir essa porta deixará de ser uma questão de «se» para se tornar uma questão de «quando».

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