Uma ameaça silenciosa de risco concentrado está a acumular-se
Quando a SEC aprovou, a 17 de setembro, um padrão unificado para a listagem de produtos de criptomoedas (ETP), o mercado abriu uma janela de oportunidade sem precedentes — de conceção a lançamento em apenas 75 dias. Segundo previsões da Bitwise, até 2026 haverá mais de 100 ETFs relacionados com criptomoedas a serem lançados, enquanto o analista sénior de ETFs da Bloomberg, James Seyffart, afirmou sem rodeios: “Vamos testemunhar uma grande onda de liquidações de fundos.”
Porém, por trás desta aparente prosperidade, esconde-se um risco sistémico inquietante — a concentração excessiva do custódio.
De acordo com dados do setor, a Coinbase controla 85% dos ativos de custódia de ETFs de criptomoedas a nível global, com uma posição dominante especialmente em ETFs de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH). Esta proporção não só é absurda, como também semeia uma bomba-relógio para todo o ecossistema: se a operação da Coinbase tiver problemas, 85% dos ativos de ETFs relacionados com criptomoedas a nível mundial poderão estar em risco ao mesmo tempo.
Armadilha de liquidez e a chegada da era “não-arbitragem”
O novo padrão unificado parece simplificar o processo, mas apenas resolve a questão do tempo, sem abordar a questão da liquidez — que é o verdadeiro perigo.
Para ativos de topo como BTC (preço atual de $90,220) e ETH (preço atual de $3,070), a situação ainda é controlável. Mas para SOL (preço atual de $139,21), XRP (preço atual de $2,05), ADA (preço atual de $0,38) e outros ativos de médio porte, a profundidade de liquidez já é escassa.
Quando um novo ETF de médio porte é lançado, os Participantes Autorizados (Authorized Participants, AP) precisam encontrar fundos suficientes para criar novas cotas e fazer hedge. Em mercado de alta, o custo de empréstimo sobe, e os ativos disponíveis para empréstimo se esgotam rapidamente. Quando o canal de empréstimo se seca — algo que pode acontecer facilmente em momentos de volatilidade — os AP podem exigir spreads maiores ou simplesmente parar de criar novas cotas. O resultado é que o ETF começa a negociar com prémios, até que o mercado se restabeleça. Isto é conhecido como a fase de “não-arbitragem”, e é precisamente o prenúncio da “grande liquidação” que Seyffart alertou.
Diversificação do custódio acaba de começar
Quem percebe este risco não são apenas os reguladores. O U.S. Bancorp já retomou os serviços de custódia de Bitcoin (através da NYDIG), o Citibank e o Bank of America também estão a explorar relações de custódia de ETFs de criptomoedas. A mensagem principal é clara: queres mesmo que 85% dos ativos de ETFs de criptomoedas a nível global dependam de um único custodiante?
Para a Coinbase, isto é uma espada de dois gumes: mais ETFs significam mais receitas de taxas de custódia, mas também maior pressão regulatória e risco operacional ampliado. Se uma falha ocorrer numa parte do sistema, toda a indústria entrará em pânico.
Os provedores de índices e o poder dos “guardas”
Poucos percebem que, nesta loucura de ETFs, quem realmente detém o poder são os provedores de índices.
CF Benchmarks, CoinDesk, Bloomberg Galaxy e outras entidades desempenham, na prática, o papel de “guardas”, decidindo a composição dos ETFs, as regras de ponderação e os momentos de reequilíbrio. O novo padrão unificado liga as condições a esses provedores de índices, reforçando ainda mais o monopólio de quem já domina o mercado.
Mesmo que uma nova empresa de índices apresente uma metodologia superior, é difícil para novos entrantes desafiar o status quo, pois os participantes do mercado já estão habituados ao ecossistema de índices existente.
O ciclo de liquidação dos ETFs será antecipado
A história fornece um exemplo. Após a SEC aprovar, em 2019, um padrão unificado para ETFs de ações e obrigações, o número anual de novos ETFs disparou de 117 para 370. Isso levou a uma intensa competição de taxas, fazendo com que dezenas de fundos menores, com ativos inferiores a 50 milhões de dólares, fechassem em dois anos.
O mercado de criptomoedas está a repetir esse roteiro, mas com condições ainda mais adversas.
Os novos ETFs de Bitcoin lançados em 2024 já têm taxas entre 20-25 pontos base, metade do valor inicial. Com a linha de produtos cada vez mais saturada, as taxas dos ETFs principais irão diminuir ainda mais, e os ETFs de ativos de cauda longa não conseguirão competir apenas por preço. Os produtos mais frágeis — incluindo produtos repetidos de tokens únicos, fundos de índice de nicho e fundos temáticos — serão os primeiros a serem eliminados até ao final de 2026 ou início de 2027.
Níveis de risco em destaque
Para os ativos de grande capitalização (BTC, ETH): mais ETFs significam maior profundidade de liquidez, mais canais de empréstimo e spreads mais estreitos. A Bitwise prevê que esses dois principais ativos absorverão mais de 100% do novo fluxo de oferta, criando um ciclo de retroalimentação positivo. Os consultores institucionais são proibidos de deter diretamente os ativos, tornando os ETFs a única opção, o que aprofunda a ligação entre o mercado spot e os derivados.
Para os ativos de médio porte (SOL, XRP, ADA, etc., com futuros ou ETFs qualificados): as opções de custódia tornar-se-ão mais escassas e concentradas. Apenas a Coinbase e alguns custodiante especializados estarão dispostos a lidar com esses tokens, enquanto os custodiante de médio porte irão sair gradualmente devido à incapacidade de diluir custos. Em momentos de volatilidade, os processos de criação/redenção podem ser interrompidos, e os prémios de NAV (net asset value) com desconto ou prémio tornar-se-ão norma.
Para os ativos de cauda longa (memecoins, tokens temáticos específicos): quase nenhum custodiante mainstream quer aceitá-los. Estes produtos podem depender de custodiante menores ou estrangeiros, concentrando riscos operacionais e de segurança de rede. Os métodos de precificação muitas vezes baseiam-se em índices de poucos exchanges, e qualquer manipulação ou wash trading nesses exchanges afetará diretamente o valor líquido do ETF.
Limitações do quadro regulatório
Caroline Crenshaw, membro da SEC, alertou que estes canais padronizados podem levar a uma inundação de produtos aprovados de forma reativa, criando vulnerabilidades sistémicas que só se tornam visíveis após uma crise, quando a autoridade reguladora já não consegue detectar o problema no normal funcionamento.
O núcleo do padrão unificado é direcionar os fundos para os ativos de criptomoeda mais líquidos e organizados — essencialmente BTC, ETH e SOL. A questão é simples: esta onda de ETFs reforça a centralização da infraestrutura em torno de poucos tokens e de um único custodiante, ou dispersa verdadeiramente os riscos e acessos?
A aposta final
Para o Bitcoin e Ethereum, esta onda é sem dúvida o momento de coroação. Os ativos sob custódia da Coinbase atingiram, no terceiro trimestre de 2025, 3 mil milhões de dólares. Cada novo produto de ETF está a criar novos canais para investimentos institucionais, novas fontes de empréstimo e novas razões para construir infraestrutura de custódia. Os efeitos de rede e a vulnerabilidade coexistem.
Para os cauda longa, a história é bastante diferente. Mais ETFs podem trazer maior legitimidade, mas à custa de liquidez ainda mais dispersa, menor profundidade de cada produto e maior risco de liquidação de fundos. Os emissores apostam que alguns produtos sobreviverão; os participantes autorizados arriscam-se a lucrar com spreads e taxas de empréstimo antes de uma grande onda de saída; e os custodiante acreditam que a centralização gera mais lucros do que a concorrência — pelo menos até os reguladores ou clientes exigirem diversificação.
O padrão unificado facilitou o lançamento de ETFs de criptomoedas. Mas mantê-los vivos não é tão simples.
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A ameaça de "falha pontual" escondida por trás do crescimento explosivo dos ETFs de criptomoedas em 2026
Uma ameaça silenciosa de risco concentrado está a acumular-se
Quando a SEC aprovou, a 17 de setembro, um padrão unificado para a listagem de produtos de criptomoedas (ETP), o mercado abriu uma janela de oportunidade sem precedentes — de conceção a lançamento em apenas 75 dias. Segundo previsões da Bitwise, até 2026 haverá mais de 100 ETFs relacionados com criptomoedas a serem lançados, enquanto o analista sénior de ETFs da Bloomberg, James Seyffart, afirmou sem rodeios: “Vamos testemunhar uma grande onda de liquidações de fundos.”
Porém, por trás desta aparente prosperidade, esconde-se um risco sistémico inquietante — a concentração excessiva do custódio.
De acordo com dados do setor, a Coinbase controla 85% dos ativos de custódia de ETFs de criptomoedas a nível global, com uma posição dominante especialmente em ETFs de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH). Esta proporção não só é absurda, como também semeia uma bomba-relógio para todo o ecossistema: se a operação da Coinbase tiver problemas, 85% dos ativos de ETFs relacionados com criptomoedas a nível mundial poderão estar em risco ao mesmo tempo.
Armadilha de liquidez e a chegada da era “não-arbitragem”
O novo padrão unificado parece simplificar o processo, mas apenas resolve a questão do tempo, sem abordar a questão da liquidez — que é o verdadeiro perigo.
Para ativos de topo como BTC (preço atual de $90,220) e ETH (preço atual de $3,070), a situação ainda é controlável. Mas para SOL (preço atual de $139,21), XRP (preço atual de $2,05), ADA (preço atual de $0,38) e outros ativos de médio porte, a profundidade de liquidez já é escassa.
Quando um novo ETF de médio porte é lançado, os Participantes Autorizados (Authorized Participants, AP) precisam encontrar fundos suficientes para criar novas cotas e fazer hedge. Em mercado de alta, o custo de empréstimo sobe, e os ativos disponíveis para empréstimo se esgotam rapidamente. Quando o canal de empréstimo se seca — algo que pode acontecer facilmente em momentos de volatilidade — os AP podem exigir spreads maiores ou simplesmente parar de criar novas cotas. O resultado é que o ETF começa a negociar com prémios, até que o mercado se restabeleça. Isto é conhecido como a fase de “não-arbitragem”, e é precisamente o prenúncio da “grande liquidação” que Seyffart alertou.
Diversificação do custódio acaba de começar
Quem percebe este risco não são apenas os reguladores. O U.S. Bancorp já retomou os serviços de custódia de Bitcoin (através da NYDIG), o Citibank e o Bank of America também estão a explorar relações de custódia de ETFs de criptomoedas. A mensagem principal é clara: queres mesmo que 85% dos ativos de ETFs de criptomoedas a nível global dependam de um único custodiante?
Para a Coinbase, isto é uma espada de dois gumes: mais ETFs significam mais receitas de taxas de custódia, mas também maior pressão regulatória e risco operacional ampliado. Se uma falha ocorrer numa parte do sistema, toda a indústria entrará em pânico.
Os provedores de índices e o poder dos “guardas”
Poucos percebem que, nesta loucura de ETFs, quem realmente detém o poder são os provedores de índices.
CF Benchmarks, CoinDesk, Bloomberg Galaxy e outras entidades desempenham, na prática, o papel de “guardas”, decidindo a composição dos ETFs, as regras de ponderação e os momentos de reequilíbrio. O novo padrão unificado liga as condições a esses provedores de índices, reforçando ainda mais o monopólio de quem já domina o mercado.
Mesmo que uma nova empresa de índices apresente uma metodologia superior, é difícil para novos entrantes desafiar o status quo, pois os participantes do mercado já estão habituados ao ecossistema de índices existente.
O ciclo de liquidação dos ETFs será antecipado
A história fornece um exemplo. Após a SEC aprovar, em 2019, um padrão unificado para ETFs de ações e obrigações, o número anual de novos ETFs disparou de 117 para 370. Isso levou a uma intensa competição de taxas, fazendo com que dezenas de fundos menores, com ativos inferiores a 50 milhões de dólares, fechassem em dois anos.
O mercado de criptomoedas está a repetir esse roteiro, mas com condições ainda mais adversas.
Os novos ETFs de Bitcoin lançados em 2024 já têm taxas entre 20-25 pontos base, metade do valor inicial. Com a linha de produtos cada vez mais saturada, as taxas dos ETFs principais irão diminuir ainda mais, e os ETFs de ativos de cauda longa não conseguirão competir apenas por preço. Os produtos mais frágeis — incluindo produtos repetidos de tokens únicos, fundos de índice de nicho e fundos temáticos — serão os primeiros a serem eliminados até ao final de 2026 ou início de 2027.
Níveis de risco em destaque
Para os ativos de grande capitalização (BTC, ETH): mais ETFs significam maior profundidade de liquidez, mais canais de empréstimo e spreads mais estreitos. A Bitwise prevê que esses dois principais ativos absorverão mais de 100% do novo fluxo de oferta, criando um ciclo de retroalimentação positivo. Os consultores institucionais são proibidos de deter diretamente os ativos, tornando os ETFs a única opção, o que aprofunda a ligação entre o mercado spot e os derivados.
Para os ativos de médio porte (SOL, XRP, ADA, etc., com futuros ou ETFs qualificados): as opções de custódia tornar-se-ão mais escassas e concentradas. Apenas a Coinbase e alguns custodiante especializados estarão dispostos a lidar com esses tokens, enquanto os custodiante de médio porte irão sair gradualmente devido à incapacidade de diluir custos. Em momentos de volatilidade, os processos de criação/redenção podem ser interrompidos, e os prémios de NAV (net asset value) com desconto ou prémio tornar-se-ão norma.
Para os ativos de cauda longa (memecoins, tokens temáticos específicos): quase nenhum custodiante mainstream quer aceitá-los. Estes produtos podem depender de custodiante menores ou estrangeiros, concentrando riscos operacionais e de segurança de rede. Os métodos de precificação muitas vezes baseiam-se em índices de poucos exchanges, e qualquer manipulação ou wash trading nesses exchanges afetará diretamente o valor líquido do ETF.
Limitações do quadro regulatório
Caroline Crenshaw, membro da SEC, alertou que estes canais padronizados podem levar a uma inundação de produtos aprovados de forma reativa, criando vulnerabilidades sistémicas que só se tornam visíveis após uma crise, quando a autoridade reguladora já não consegue detectar o problema no normal funcionamento.
O núcleo do padrão unificado é direcionar os fundos para os ativos de criptomoeda mais líquidos e organizados — essencialmente BTC, ETH e SOL. A questão é simples: esta onda de ETFs reforça a centralização da infraestrutura em torno de poucos tokens e de um único custodiante, ou dispersa verdadeiramente os riscos e acessos?
A aposta final
Para o Bitcoin e Ethereum, esta onda é sem dúvida o momento de coroação. Os ativos sob custódia da Coinbase atingiram, no terceiro trimestre de 2025, 3 mil milhões de dólares. Cada novo produto de ETF está a criar novos canais para investimentos institucionais, novas fontes de empréstimo e novas razões para construir infraestrutura de custódia. Os efeitos de rede e a vulnerabilidade coexistem.
Para os cauda longa, a história é bastante diferente. Mais ETFs podem trazer maior legitimidade, mas à custa de liquidez ainda mais dispersa, menor profundidade de cada produto e maior risco de liquidação de fundos. Os emissores apostam que alguns produtos sobreviverão; os participantes autorizados arriscam-se a lucrar com spreads e taxas de empréstimo antes de uma grande onda de saída; e os custodiante acreditam que a centralização gera mais lucros do que a concorrência — pelo menos até os reguladores ou clientes exigirem diversificação.
O padrão unificado facilitou o lançamento de ETFs de criptomoedas. Mas mantê-los vivos não é tão simples.