Já houve um tempo em que o ciclo de quatro anos parecia ser a “código de regra” do mercado de Bitcoin — halving → redução da oferta → aumento de preço → temporada de altcoins, esse ciclo era tão preciso quanto um relógio. Mas após o halving de abril de 2024, a valorização do Bitcoin, de 60.000 dólares para 126.000 dólares, ficou muito aquém dos anos anteriores, e as altcoins permanecem em silêncio.
Uma questão que o mercado tem perguntado repetidamente veio à tona: A teoria do ciclo de quatro anos já está obsoleta?
Entrevistamos sete profissionais experientes, cujo consenso é: o ciclo não desapareceu, mas está passando por uma transformação profunda.
O efeito de halving decresce, mas não desaparece
Sobre as razões para esse aumento relativamente moderado, os entrevistados concordaram quase unanimemente: isso é uma manifestação do efeito marginal naturalmente decrescente, e não uma falha repentina do ciclo.
À medida que o mercado cresce continuamente, cada dobro de retorno exige uma entrada de capital exponencial. No ciclo de 2020-2021, o custo de mineração do Bitcoin era cerca de 20.000 dólares, atingindo um pico de 69.000 dólares, com lucros dos mineradores chegando a 70%. Já nesta rodada, após o halving, o custo de mineração quase atingiu 70.000 dólares, e apesar do preço atingir 126.000 dólares, o lucro dos mineradores caiu para pouco mais de 40%.
Isso reflete uma regra econômica antiga: qualquer mercado em crescimento inevitavelmente passa por uma redução múltipla.
Mudanças mais profundas vêm da própria estrutura do mercado. Mais de 50 bilhões de dólares em fundos ETF fluíram continuamente antes e após o halving, esses investidores institucionais já absorveram o impacto na oferta antes mesmo do aumento de preço. Como resultado, o aumento não se concentra mais após o halving, mas se dispersa ao longo de um período mais longo.
Ao mesmo tempo, à medida que o Bitcoin evolui para uma classe de ativo mainstream, a volatilidade naturalmente diminui — essa é a consequência inevitável do crescimento de valor de mercado, assim como no mercado de ouro.
De restrições rígidas a expectativas flexíveis
O ciclo de quatro anos tinha uma base matemática sólida: regras de halving codificadas, incremento limitado de oferta, previsibilidade do comportamento dos mineradores. Mas agora, essa lógica está se enfraquecendo.
Uma mudança crucial é: o ciclo em si evoluiu de um fato econômico para um consenso de mercado, e esse consenso se autorrealiza.
Quando a composição dos participantes muda — de investidores individuais para institucionais, de especuladores para alocadores — a “forma” do ciclo também muda. A influência de fatores tradicionais financeiros, como liquidez política, ciclos de juros macroeconômicos e riscos geopolíticos, está crescendo.
O ciclo eleitoral presidencial nos EUA, o ritmo de injeção de liquidez pelos bancos centrais globais, já não são coincidências, mas fatores dominantes. Nesse quadro, o halving passou de um “gatilho absoluto” para um “catalisador auxiliar”.
Será que estamos no meio de uma correção de alta ou o mercado de baixa já chegou?
Essa é a questão que mais revela a divergência entre os entrevistados.
Os pessimistas acreditam: pelos indicadores de custo e retorno dos mineradores, já estamos no início de um mercado de baixa típico. O capital de risco global não está mais direcionado principalmente para criptoativos, mas continua fluindo para IA e outros setores. Isso indica uma mudança na preferência por ativos de risco.
Os moderados otimistas acreditam: o M2 global ainda cresce, a oferta de stablecoins também aumenta, sinalizando liquidez abundante. Só quando os bancos centrais começarem a apertar a política monetária e a economia entrar em recessão, é que um mercado de baixa de verdade acontecerá. Apesar de o gráfico semanal ter caído abaixo da média de 50 dias, o cenário macro ainda não deu o veredito final.
Os otimistas persistentes acreditam: o fluxo contínuo de fundos institucionais, a tokenização de RWA, a tendência de stablecoins se tornarem infraestrutura financeira, sustentam um “bull market lento”. Esse crescimento não será tão intenso quanto nos anos anteriores, mas será mais duradouro.
A temporada de altcoins já é coisa do passado?
Outro sinal do ciclo de quatro anos tradicional — a “temporada de altcoins” — está claramente ausente nesta rodada.
Existem três razões: primeiro, a posição relativamente forte do Bitcoin, que criou um efeito de “porto seguro” para ativos de risco, levando as instituições a preferirem ativos blue-chip. Segundo, o quadro regulatório está se tornando mais claro, e tokens com usos definidos e conformidade são mais valorizados. Terceiro, esse ciclo carece de aplicações revolucionárias e narrativas claras, como as DeFi ou NFTs tiveram na última rodada.
No futuro, podem surgir novas ondas de altcoins, mas serão extremamente seletivas — apenas projetos com modelos de receita e casos de uso reais continuarão recebendo atenção.
Observando o fenômeno das “sete gigantes” no mercado de ações dos EUA, o mercado de cripto também se dividirá em duas camadas: altcoins blue-chip que superarão o mercado a longo prazo, e moedas de menor capitalização que terão explosões cíclicas, mas difícil de sustentar. Isso não significa que as altcoins morreram, mas que não haverá mais um mercado de alta amplo de altcoins.
Onde estão os novos suportes?
Se a teoria do ciclo de quatro anos realmente está enfraquecendo, então qual é o suporte para o crescimento de longo prazo do Bitcoin?
Primeiro, o declínio sistêmico na confiança na moeda fiduciária. Quando os problemas da dívida global não forem resolvidos de forma fundamental, os bancos centrais continuarão a injetar liquidez, e o Bitcoin, como “ouro digital”, ganhará atratividade a cada ano. Os balanços patrimoniais dos países, fundos de aposentadoria e fundos de hedge estão cada vez mais alocando para criptoativos.
Segundo, a infraestrutura das stablecoins. Com uma base de usuários mais ampla e maior conexão com a economia real, das transações de pagamento às transferências internacionais de capital, as stablecoins estão se tornando uma “camada de transição” do novo sistema financeiro. Isso significa que o crescimento do mercado de cripto não dependerá mais apenas de especulação, mas de integração com atividades financeiras reais.
Terceiro, a alocação contínua de instituições. Seja via ETFs de spot ou tokenização de RWA, enquanto o comportamento de alocação institucional persistir, o mercado terá uma estrutura de “juros compostos” — a volatilidade será amortecida, mas a tendência permanecerá.
Quarto, a democratização da mineração via smartphones. Com a popularização de apps de mineração leve, o Bitcoin deixou de ser apenas um “jogo de ricos”. Mais usuários comuns estão participando do ecossistema de mineração pelo celular, ampliando a base de participantes. Apesar de os ganhos serem limitados, essa redução da barreira de entrada aumenta a base de usuários e o reconhecimento do Bitcoin.
Onde está o fundo?
Sobre se é o momento de “comprar na baixa”, as opiniões dos entrevistados divergem:
Um grupo acredita que ainda não atingimos o fundo. Quando ninguém mais se atrever a comprar na baixa, aí será o verdadeiro fundo. Ainda há chance de construir posições abaixo de 70.000 dólares nos próximos dois anos.
Outro grupo defende uma estratégia de “comprar aos poucos”. 60.000 dólares é um ponto de referência histórica para o fundo (cerca da metade do pico histórico), uma faixa ideal para investimentos periódicos ou aumentos graduais. Mas antes disso, o mercado pode passar por 1-2 meses de forte volatilidade.
O consenso geral é: sem alavancagem, sem comprar no topo, paciência e disciplina valem mais do que previsões.
De “bull market emocional” para “bull market estrutural”
A decadência da teoria do ciclo reflete, essencialmente, uma mudança de mercado de uma fase emocional para uma fase estrutural.
Antes, uma simples linha técnica ou uma narrativa de halving podia impulsionar centenas de bilhões de dólares de fluxo de capital. Agora, é preciso um quadro legal, processos de gestão de risco institucional e uma lógica de alocação de longo prazo atuando em conjunto.
Isso torna o mercado mais racional, mas também mais lento — um desafio, mas um sinal de maturidade.
Para os investidores, essa mudança exige uma atualização de mentalidade: deixar de confiar cegamente na regularidade dos ciclos e focar na tendência de liquidez, no comportamento institucional e no valor real dos modelos econômicos de tokens. À medida que o Bitcoin se integra gradualmente ao sistema financeiro global, as oportunidades continuam enormes, apenas requerendo mais paciência e compreensão aprofundada.
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O ciclo de quatro anos do Bitcoin realmente deixou de funcionar? A nova lógica sob a transformação da estrutura do mercado
Já houve um tempo em que o ciclo de quatro anos parecia ser a “código de regra” do mercado de Bitcoin — halving → redução da oferta → aumento de preço → temporada de altcoins, esse ciclo era tão preciso quanto um relógio. Mas após o halving de abril de 2024, a valorização do Bitcoin, de 60.000 dólares para 126.000 dólares, ficou muito aquém dos anos anteriores, e as altcoins permanecem em silêncio.
Uma questão que o mercado tem perguntado repetidamente veio à tona: A teoria do ciclo de quatro anos já está obsoleta?
Entrevistamos sete profissionais experientes, cujo consenso é: o ciclo não desapareceu, mas está passando por uma transformação profunda.
O efeito de halving decresce, mas não desaparece
Sobre as razões para esse aumento relativamente moderado, os entrevistados concordaram quase unanimemente: isso é uma manifestação do efeito marginal naturalmente decrescente, e não uma falha repentina do ciclo.
À medida que o mercado cresce continuamente, cada dobro de retorno exige uma entrada de capital exponencial. No ciclo de 2020-2021, o custo de mineração do Bitcoin era cerca de 20.000 dólares, atingindo um pico de 69.000 dólares, com lucros dos mineradores chegando a 70%. Já nesta rodada, após o halving, o custo de mineração quase atingiu 70.000 dólares, e apesar do preço atingir 126.000 dólares, o lucro dos mineradores caiu para pouco mais de 40%.
Isso reflete uma regra econômica antiga: qualquer mercado em crescimento inevitavelmente passa por uma redução múltipla.
Mudanças mais profundas vêm da própria estrutura do mercado. Mais de 50 bilhões de dólares em fundos ETF fluíram continuamente antes e após o halving, esses investidores institucionais já absorveram o impacto na oferta antes mesmo do aumento de preço. Como resultado, o aumento não se concentra mais após o halving, mas se dispersa ao longo de um período mais longo.
Ao mesmo tempo, à medida que o Bitcoin evolui para uma classe de ativo mainstream, a volatilidade naturalmente diminui — essa é a consequência inevitável do crescimento de valor de mercado, assim como no mercado de ouro.
De restrições rígidas a expectativas flexíveis
O ciclo de quatro anos tinha uma base matemática sólida: regras de halving codificadas, incremento limitado de oferta, previsibilidade do comportamento dos mineradores. Mas agora, essa lógica está se enfraquecendo.
Uma mudança crucial é: o ciclo em si evoluiu de um fato econômico para um consenso de mercado, e esse consenso se autorrealiza.
Quando a composição dos participantes muda — de investidores individuais para institucionais, de especuladores para alocadores — a “forma” do ciclo também muda. A influência de fatores tradicionais financeiros, como liquidez política, ciclos de juros macroeconômicos e riscos geopolíticos, está crescendo.
O ciclo eleitoral presidencial nos EUA, o ritmo de injeção de liquidez pelos bancos centrais globais, já não são coincidências, mas fatores dominantes. Nesse quadro, o halving passou de um “gatilho absoluto” para um “catalisador auxiliar”.
Será que estamos no meio de uma correção de alta ou o mercado de baixa já chegou?
Essa é a questão que mais revela a divergência entre os entrevistados.
Os pessimistas acreditam: pelos indicadores de custo e retorno dos mineradores, já estamos no início de um mercado de baixa típico. O capital de risco global não está mais direcionado principalmente para criptoativos, mas continua fluindo para IA e outros setores. Isso indica uma mudança na preferência por ativos de risco.
Os moderados otimistas acreditam: o M2 global ainda cresce, a oferta de stablecoins também aumenta, sinalizando liquidez abundante. Só quando os bancos centrais começarem a apertar a política monetária e a economia entrar em recessão, é que um mercado de baixa de verdade acontecerá. Apesar de o gráfico semanal ter caído abaixo da média de 50 dias, o cenário macro ainda não deu o veredito final.
Os otimistas persistentes acreditam: o fluxo contínuo de fundos institucionais, a tokenização de RWA, a tendência de stablecoins se tornarem infraestrutura financeira, sustentam um “bull market lento”. Esse crescimento não será tão intenso quanto nos anos anteriores, mas será mais duradouro.
A temporada de altcoins já é coisa do passado?
Outro sinal do ciclo de quatro anos tradicional — a “temporada de altcoins” — está claramente ausente nesta rodada.
Existem três razões: primeiro, a posição relativamente forte do Bitcoin, que criou um efeito de “porto seguro” para ativos de risco, levando as instituições a preferirem ativos blue-chip. Segundo, o quadro regulatório está se tornando mais claro, e tokens com usos definidos e conformidade são mais valorizados. Terceiro, esse ciclo carece de aplicações revolucionárias e narrativas claras, como as DeFi ou NFTs tiveram na última rodada.
No futuro, podem surgir novas ondas de altcoins, mas serão extremamente seletivas — apenas projetos com modelos de receita e casos de uso reais continuarão recebendo atenção.
Observando o fenômeno das “sete gigantes” no mercado de ações dos EUA, o mercado de cripto também se dividirá em duas camadas: altcoins blue-chip que superarão o mercado a longo prazo, e moedas de menor capitalização que terão explosões cíclicas, mas difícil de sustentar. Isso não significa que as altcoins morreram, mas que não haverá mais um mercado de alta amplo de altcoins.
Onde estão os novos suportes?
Se a teoria do ciclo de quatro anos realmente está enfraquecendo, então qual é o suporte para o crescimento de longo prazo do Bitcoin?
Primeiro, o declínio sistêmico na confiança na moeda fiduciária. Quando os problemas da dívida global não forem resolvidos de forma fundamental, os bancos centrais continuarão a injetar liquidez, e o Bitcoin, como “ouro digital”, ganhará atratividade a cada ano. Os balanços patrimoniais dos países, fundos de aposentadoria e fundos de hedge estão cada vez mais alocando para criptoativos.
Segundo, a infraestrutura das stablecoins. Com uma base de usuários mais ampla e maior conexão com a economia real, das transações de pagamento às transferências internacionais de capital, as stablecoins estão se tornando uma “camada de transição” do novo sistema financeiro. Isso significa que o crescimento do mercado de cripto não dependerá mais apenas de especulação, mas de integração com atividades financeiras reais.
Terceiro, a alocação contínua de instituições. Seja via ETFs de spot ou tokenização de RWA, enquanto o comportamento de alocação institucional persistir, o mercado terá uma estrutura de “juros compostos” — a volatilidade será amortecida, mas a tendência permanecerá.
Quarto, a democratização da mineração via smartphones. Com a popularização de apps de mineração leve, o Bitcoin deixou de ser apenas um “jogo de ricos”. Mais usuários comuns estão participando do ecossistema de mineração pelo celular, ampliando a base de participantes. Apesar de os ganhos serem limitados, essa redução da barreira de entrada aumenta a base de usuários e o reconhecimento do Bitcoin.
Onde está o fundo?
Sobre se é o momento de “comprar na baixa”, as opiniões dos entrevistados divergem:
Um grupo acredita que ainda não atingimos o fundo. Quando ninguém mais se atrever a comprar na baixa, aí será o verdadeiro fundo. Ainda há chance de construir posições abaixo de 70.000 dólares nos próximos dois anos.
Outro grupo defende uma estratégia de “comprar aos poucos”. 60.000 dólares é um ponto de referência histórica para o fundo (cerca da metade do pico histórico), uma faixa ideal para investimentos periódicos ou aumentos graduais. Mas antes disso, o mercado pode passar por 1-2 meses de forte volatilidade.
O consenso geral é: sem alavancagem, sem comprar no topo, paciência e disciplina valem mais do que previsões.
De “bull market emocional” para “bull market estrutural”
A decadência da teoria do ciclo reflete, essencialmente, uma mudança de mercado de uma fase emocional para uma fase estrutural.
Antes, uma simples linha técnica ou uma narrativa de halving podia impulsionar centenas de bilhões de dólares de fluxo de capital. Agora, é preciso um quadro legal, processos de gestão de risco institucional e uma lógica de alocação de longo prazo atuando em conjunto.
Isso torna o mercado mais racional, mas também mais lento — um desafio, mas um sinal de maturidade.
Para os investidores, essa mudança exige uma atualização de mentalidade: deixar de confiar cegamente na regularidade dos ciclos e focar na tendência de liquidez, no comportamento institucional e no valor real dos modelos econômicos de tokens. À medida que o Bitcoin se integra gradualmente ao sistema financeiro global, as oportunidades continuam enormes, apenas requerendo mais paciência e compreensão aprofundada.