Com a disseminação da atividade de mineração de criptomoedas em larga escala na região árabe, surgiram questões fundamentais sobre a legitimidade religiosa dessa atividade de investimento. As opiniões das instituições religiosas e dos estudiosos variaram significativamente, sendo que alguns autorizaram a mineração de criptomoedas sob condições específicas, enquanto outros a proibiram totalmente, baseando-se em riscos econômicos e jurídicos considerados relevantes.
O que significa o processo de mineração?
A mineração refere-se ao processo de produção de novas moedas dentro da rede da moeda digital, onde os mineradores adicionam novos blocos à cadeia de blockchain de acordo com regras específicas. Em troca desse esforço, o minerador recebe recompensas na forma de moedas digitais, que pode investir ou aproveitar seu valor estimado.
A mineração de criptomoedas como o (BTC) Bitcoin requer a resolução de problemas matemáticos extremamente complexos usando uma grande capacidade de processamento. Os mineradores escolhem entre duas opções: possuir dispositivos especializados de mineração ou juntar-se a pools de mineração na nuvem que oferecem essa capacidade de forma coletiva.
A legitimidade religiosa: opiniões divergentes e seus fundamentos
Os estudiosos da sharia não chegaram a um consenso único sobre a legitimidade da mineração de criptomoedas. Uma parte dos juristas considera que a mineração está dentro do escopo do investimento lícito, pois o minerador oferece esforço e equipamento em troca de uma remuneração clara. Por outro lado, outros a consideram proibida por razões relacionadas à natureza das próprias criptomoedas, especialmente a ausência de um respaldo material real e a emissão por entidades não oficiais.
Posição das entidades e instituições religiosas oficiais
Autoridade dos Grandes Ulemas na Arábia Saudita:
Ainda não emitiram uma fatwa definitiva unificada sobre a mineração de criptomoedas. Contudo, o Sheikh Abdullah Al-Manea, membro da autoridade, expressou uma opinião que considera as criptomoedas como proibidas, explicando que:
Não são negociadas de mão em mão
Falta respaldo de ouro ou prata
Podem envolver transações de usura
Não são emitidas sob supervisão do governante
Autoridade dos Grandes Ulemas do Al-Azhar:
Focaram nos riscos econômicos e jurídicos potenciais, como o risco, a ignorância e a ausência de supervisão financeira e legal. Concluíram que o uso de criptomoedas na sua forma atual não é permitido pela sharia.
Site Islam Question & Answer:
Esclareceu que a negociação com Bitcoin envolve muitas ambiguidades e riscos, recomendando não investir até que sua natureza seja esclarecida. No entanto, indicou que é possível lidar com criptomoedas desde que se cumpram condições religiosas, como o pagamento imediato e evitar negociações com margem.
Site Islam Web:
Indicou que o Conselho de Fiqh Islâmico, ligado à Organização de Cooperação Islâmica, discutiu o tema em uma conferência científica, concluindo que a decisão sobre a mineração requer mais estudos antes de uma opinião definitiva. Questões essenciais ainda não resolvidas incluem a classificação das criptomoedas: são bens, benefícios ou ativos financeiros considerados legítimos pela sharia?
Mineração na nuvem: entre permissão e riscos
Estudos religiosos recentes, especialmente os publicados pela Faculdade de Estudos Islâmicos da Universidade de Al-Azhar, indicam que a mineração na nuvem tem diferentes julgamentos dependendo do seu tipo:
Mineração na nuvem hospedada:
É considerada como um contrato de aluguel de usufruto de dispositivos, onde o minerador aluga poder de processamento mediante uma taxa. A maioria dos juristas permite, desde que não haja riscos ou irregularidades.
Mineração usando Hash Power ((Hash Power)):
É tratada como uma empresa de atividades lícitas, sendo permitida sob a condição de seguir as regras da sharia e administrar de forma justa, com divisão equitativa do esforço e das recompensas.
Riscos que tornam a mineração proibida:
Dependência de sistemas de marketing multinível ou indicações suspeitas
Falta de transparência e justiça na distribuição de lucros
Condições contratuais pouco claras
Regras religiosas obrigatórias na mineração na nuvem:
Clareza sobre o tipo de contrato (de aluguel ou parceria)
Conhecimento detalhado das finanças e retornos
Evitar sistemas hierárquicos e pouco transparentes
Verificar a integridade da outra parte e a transparência na distribuição de lucros
Julgamento das diferentes criptomoedas
Bitcoin (BTC)
Os estudiosos contemporâneos divergem quanto ao seu julgamento entre proibido e permitido. Contudo, a maioria das fatwas emitidas no Egito, Jordânia, Kuwait, Turquia, Emirados Árabes e Qatar, além de alguns membros da Grande Autoridade dos Ulemas na Arábia Saudita, consideram-no proibido. Razões:
Moeda virtual não emitida por uma entidade oficial responsável
Conduz à especulação e apostas ilegais
Falta de garantias oficiais e expõe os negociantes ao risco de perda de fundos
Como a maioria das fatwas proíbe o Bitcoin, a mineração dele também é considerada proibida.
Moeda USDT
Diferente do Bitcoin, é fundamentalmente uma moeda estável, não pode ser minerada por indivíduos, pois é emitida exclusivamente pelo Federal Reserve dos EUA ou entidades autorizadas, sob supervisão e controle oficiais. É, na prática, uma extensão digital do dólar em papel, portanto seu julgamento religioso é o mesmo das moedas fiduciárias, sendo permitido seu uso.
Moeda XRP
A moeda vinculada à rede Ripple, que atua como intermediária para liquidação de pagamentos e troca de moedas de forma rápida. Oferece serviços legítimos como transferência de fundos e facilitação de transações, sem evidências de atividades suspeitas em sua estrutura. Com base em estudos religiosos, não há irregularidades na sua utilização, tornando-a uma moeda permitida.
Moeda DOGE
Estudos especializados confirmam que ela não envolve atividades suspeitas ou contrárias à sharia, sendo, portanto, uma moeda digital inicialmente permitida. Pode-se negociar com ela desde que se evite grande risco e se afaste de transações de usura. Quanto ao julgamento de sua mineração, depende do cumprimento de regras religiosas, como transparência e ausência de usura e risco excessivo.
A mineração é um investimento ou usura?
Em sua essência, a mineração é uma atividade de investimento lícita, desde que o indivíduo alugue poder de mineração ou utilize seus próprios dispositivos em troca de uma vantagem clara, semelhante aos contratos de aluguel permitidos pela sharia. A operação deve estar livre de riscos excessivos e usura, com remuneração conhecida e clara.
Porém, ela se torna usura e atividade proibida em várias situações:
Negociação com empresas de mineração suspeitas que praticam fraudes ou carecem de transparência
Mineração de moedas digitais com indícios de fraude ou golpe
Entrada em empresas fictícias que dependem de marketing multinível, onde os investidores pagam valores sem contraprestação real, apenas promessas de futuras participações
A linha divisória é o cumprimento das regras da sharia: transparência total, ausência de usura, e evitar riscos excessivos e apostas.
Especulação em criptomoedas
A especulação em criptomoedas segue a mesma regra de qualquer outra moeda, desde que a moeda seja lícita e livre de riscos. As fatwas exigem:
Verificação de pagamento imediato ou simbólico na contratação
Conclusão da venda de forma definitiva, sem atraso
Participação de cada parte com uma porcentagem conhecida dos lucros, não um valor fixo
O especulador não garante o capital, salvo negligência ou transgressão
Resumo e conclusão final
Não há uma única regra geral para a mineração de criptomoedas. A decisão depende de dois fatores principais: a natureza da moeda a ser minerada e o método de mineração. Se a moeda for lícita e o método transparente, sem usura, risco excessivo ou apostas, a mineração pode ser autorizada. Caso a moeda esteja relacionada a projetos suspeitos ou operações contrárias à sharia, a mineração será considerada proibida.
Perguntas frequentes
A mineração de criptomoedas é halal ou haram?
A decisão religiosa não é absoluta. Pode ser permitida se as condições da moeda e do método de mineração forem atendidas, ou proibida se estiver ligada a projetos ou operações contrárias à sharia.
É permitido ao muçulmano negociar com Bitcoin?
A maioria das fatwas atuais proíbe o uso do Bitcoin devido ao risco, à especulação e à falta de garantias. Pode ser permitido apenas se se tornar uma moeda oficial reconhecida pelo Estado e cumprir as condições da sharia.
A mineração é boa ou ruim?
Depende de dois fatores: a legitimidade da moeda, e, do ponto de vista material, os custos de energia e dispositivos em relação aos lucros esperados e à estabilidade da moeda no mercado. A viabilidade da mineração varia de pessoa para pessoa, dependendo dessas considerações.
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Opiniões dos estudiosos sobre a permissibilidade da mineração de moedas digitais no Islã
Com a disseminação da atividade de mineração de criptomoedas em larga escala na região árabe, surgiram questões fundamentais sobre a legitimidade religiosa dessa atividade de investimento. As opiniões das instituições religiosas e dos estudiosos variaram significativamente, sendo que alguns autorizaram a mineração de criptomoedas sob condições específicas, enquanto outros a proibiram totalmente, baseando-se em riscos econômicos e jurídicos considerados relevantes.
O que significa o processo de mineração?
A mineração refere-se ao processo de produção de novas moedas dentro da rede da moeda digital, onde os mineradores adicionam novos blocos à cadeia de blockchain de acordo com regras específicas. Em troca desse esforço, o minerador recebe recompensas na forma de moedas digitais, que pode investir ou aproveitar seu valor estimado.
A mineração de criptomoedas como o (BTC) Bitcoin requer a resolução de problemas matemáticos extremamente complexos usando uma grande capacidade de processamento. Os mineradores escolhem entre duas opções: possuir dispositivos especializados de mineração ou juntar-se a pools de mineração na nuvem que oferecem essa capacidade de forma coletiva.
A legitimidade religiosa: opiniões divergentes e seus fundamentos
Os estudiosos da sharia não chegaram a um consenso único sobre a legitimidade da mineração de criptomoedas. Uma parte dos juristas considera que a mineração está dentro do escopo do investimento lícito, pois o minerador oferece esforço e equipamento em troca de uma remuneração clara. Por outro lado, outros a consideram proibida por razões relacionadas à natureza das próprias criptomoedas, especialmente a ausência de um respaldo material real e a emissão por entidades não oficiais.
Posição das entidades e instituições religiosas oficiais
Autoridade dos Grandes Ulemas na Arábia Saudita: Ainda não emitiram uma fatwa definitiva unificada sobre a mineração de criptomoedas. Contudo, o Sheikh Abdullah Al-Manea, membro da autoridade, expressou uma opinião que considera as criptomoedas como proibidas, explicando que:
Autoridade dos Grandes Ulemas do Al-Azhar: Focaram nos riscos econômicos e jurídicos potenciais, como o risco, a ignorância e a ausência de supervisão financeira e legal. Concluíram que o uso de criptomoedas na sua forma atual não é permitido pela sharia.
Site Islam Question & Answer: Esclareceu que a negociação com Bitcoin envolve muitas ambiguidades e riscos, recomendando não investir até que sua natureza seja esclarecida. No entanto, indicou que é possível lidar com criptomoedas desde que se cumpram condições religiosas, como o pagamento imediato e evitar negociações com margem.
Site Islam Web: Indicou que o Conselho de Fiqh Islâmico, ligado à Organização de Cooperação Islâmica, discutiu o tema em uma conferência científica, concluindo que a decisão sobre a mineração requer mais estudos antes de uma opinião definitiva. Questões essenciais ainda não resolvidas incluem a classificação das criptomoedas: são bens, benefícios ou ativos financeiros considerados legítimos pela sharia?
Mineração na nuvem: entre permissão e riscos
Estudos religiosos recentes, especialmente os publicados pela Faculdade de Estudos Islâmicos da Universidade de Al-Azhar, indicam que a mineração na nuvem tem diferentes julgamentos dependendo do seu tipo:
Mineração na nuvem hospedada: É considerada como um contrato de aluguel de usufruto de dispositivos, onde o minerador aluga poder de processamento mediante uma taxa. A maioria dos juristas permite, desde que não haja riscos ou irregularidades.
Mineração usando Hash Power ((Hash Power)): É tratada como uma empresa de atividades lícitas, sendo permitida sob a condição de seguir as regras da sharia e administrar de forma justa, com divisão equitativa do esforço e das recompensas.
Riscos que tornam a mineração proibida:
Regras religiosas obrigatórias na mineração na nuvem:
Julgamento das diferentes criptomoedas
Bitcoin (BTC)
Os estudiosos contemporâneos divergem quanto ao seu julgamento entre proibido e permitido. Contudo, a maioria das fatwas emitidas no Egito, Jordânia, Kuwait, Turquia, Emirados Árabes e Qatar, além de alguns membros da Grande Autoridade dos Ulemas na Arábia Saudita, consideram-no proibido. Razões:
Como a maioria das fatwas proíbe o Bitcoin, a mineração dele também é considerada proibida.
Moeda USDT
Diferente do Bitcoin, é fundamentalmente uma moeda estável, não pode ser minerada por indivíduos, pois é emitida exclusivamente pelo Federal Reserve dos EUA ou entidades autorizadas, sob supervisão e controle oficiais. É, na prática, uma extensão digital do dólar em papel, portanto seu julgamento religioso é o mesmo das moedas fiduciárias, sendo permitido seu uso.
Moeda XRP
A moeda vinculada à rede Ripple, que atua como intermediária para liquidação de pagamentos e troca de moedas de forma rápida. Oferece serviços legítimos como transferência de fundos e facilitação de transações, sem evidências de atividades suspeitas em sua estrutura. Com base em estudos religiosos, não há irregularidades na sua utilização, tornando-a uma moeda permitida.
Moeda DOGE
Estudos especializados confirmam que ela não envolve atividades suspeitas ou contrárias à sharia, sendo, portanto, uma moeda digital inicialmente permitida. Pode-se negociar com ela desde que se evite grande risco e se afaste de transações de usura. Quanto ao julgamento de sua mineração, depende do cumprimento de regras religiosas, como transparência e ausência de usura e risco excessivo.
A mineração é um investimento ou usura?
Em sua essência, a mineração é uma atividade de investimento lícita, desde que o indivíduo alugue poder de mineração ou utilize seus próprios dispositivos em troca de uma vantagem clara, semelhante aos contratos de aluguel permitidos pela sharia. A operação deve estar livre de riscos excessivos e usura, com remuneração conhecida e clara.
Porém, ela se torna usura e atividade proibida em várias situações:
A linha divisória é o cumprimento das regras da sharia: transparência total, ausência de usura, e evitar riscos excessivos e apostas.
Especulação em criptomoedas
A especulação em criptomoedas segue a mesma regra de qualquer outra moeda, desde que a moeda seja lícita e livre de riscos. As fatwas exigem:
Resumo e conclusão final
Não há uma única regra geral para a mineração de criptomoedas. A decisão depende de dois fatores principais: a natureza da moeda a ser minerada e o método de mineração. Se a moeda for lícita e o método transparente, sem usura, risco excessivo ou apostas, a mineração pode ser autorizada. Caso a moeda esteja relacionada a projetos suspeitos ou operações contrárias à sharia, a mineração será considerada proibida.
Perguntas frequentes
A mineração de criptomoedas é halal ou haram?
A decisão religiosa não é absoluta. Pode ser permitida se as condições da moeda e do método de mineração forem atendidas, ou proibida se estiver ligada a projetos ou operações contrárias à sharia.
É permitido ao muçulmano negociar com Bitcoin?
A maioria das fatwas atuais proíbe o uso do Bitcoin devido ao risco, à especulação e à falta de garantias. Pode ser permitido apenas se se tornar uma moeda oficial reconhecida pelo Estado e cumprir as condições da sharia.
A mineração é boa ou ruim?
Depende de dois fatores: a legitimidade da moeda, e, do ponto de vista material, os custos de energia e dispositivos em relação aos lucros esperados e à estabilidade da moeda no mercado. A viabilidade da mineração varia de pessoa para pessoa, dependendo dessas considerações.