Como a Correlação Molda as Suas Decisões de Investimento

Porque é que os Traders se Importam com a Correlação

Ao construir uma carteira, a maior questão não é quais ativos vão subir—é como eles se movem juntos. É aí que entra a correlação. Um único número entre -1 e 1 indica se dois ativos sobem e descem em sincronia ou se movem em direções opostas. Esta métrica tornou-se essencial para a construção de carteiras e gestão de risco, cortando através de dados de mercado complicados para revelar padrões ocultos.

Pense desta forma: se duas posições estão perfeitamente sincronizadas (correlação perto de 1), estás a duplicar o teu risco. Mas se se movem em direções opostas (correlação perto de -1), são coberturas naturais. Por isso, entender a correlação não é opcional—é fundamental para não perderes dinheiro quando os mercados viram.

A Escala de Correlação Explicada

O coeficiente de correlação varia sempre entre -1 e 1. Aqui está o que cada zona significa na prática:

Perto de 1.0: Os ativos movem-se em uníssono. Se um sobe 5%, o outro normalmente segue.

Faixa de 0.5 a 0.8: Correlação positiva moderada. Movem-se juntos, mas com alguma independência. Útil para diversificação, não perfeita.

Por volta de 0: Pouca ou nenhuma relação linear. Os movimentos de um ativo dizem quase nada sobre o outro.

Faixa de -0.5 a -0.8: Correlação negativa moderada. Têm tendência a mover-se em direções opostas, oferecendo proteção decente na carteira.

Perto de -1.0: Relação inversa perfeita. Quando um dispara, o outro normalmente desaba—ideal para hedge, se conseguires encontrá-lo.

Uma regra rápida que os traders costumam usar:

  • 0.0 a 0.2 = relação negligenciável
  • 0.2 a 0.5 = correlação fraca
  • 0.5 a 0.8 = moderada a forte
  • 0.8 a 1.0 = muito forte

Valores negativos funcionam do mesmo modo—apenas ao contrário. Uma correlação de -0.7 indica movimento inverso forte.

Pearson vs. Spearman vs. Kendall: Qual Medida Usar

Nem todas as correlações são iguais. A medida mais comum é correlação de Pearson, que captura relações lineares entre duas variáveis contínuas. Mas há alternativas que lidam com diferentes tipos de dados:

  • Pearson: A escolha padrão. Funciona melhor quando os dados são normalmente distribuídos e as relações são lineares.
  • Spearman: Uma abordagem baseada em rankings que captura relações monotónicas sem assumir normalidade. Melhor para dados confusos do mundo real.
  • Kendall: Outro método baseado em rankings que lida com amostras pequenas e valores empatados de forma mais robusta que Spearman.

A questão? Se as variáveis têm uma relação curva ou escalonada, Pearson vai ignorá-la e reportar uma correlação baixa e enganosa. É por isso que muitos traders quantitativos usam várias medidas em paralelo para evitar conclusões falsas.

A Matemática por Trás da Correlação de Pearson

No seu núcleo, o coeficiente de Pearson é simples:

Correlação = Covariância(X, Y) / (DP(X) × DP(Y))

O numerador (covariância) mede o quanto duas variáveis se movem juntas. O denominador (produto dos desvios padrão) padroniza esse movimento na escala de -1 a 1. Esta padronização é crucial—permite comparar correlações entre diferentes mercados, períodos de tempo e classes de ativos sem que os números sejam distorcidos por escalas ou volatilidades diferentes.

Desmembrando o Cálculo

Aqui está uma explicação simplificada com números fictícios:

Imagina que estás a acompanhar os retornos de dois ativos:

  • Ativo X: 2%, 4%, 6%, 8%
  • Ativo Y: 1%, 3%, 5%, 7%

Passo 1: Encontra a média (mean) de cada série. X tem média de 5%, Y de 4%.

Passo 2: Calcula desvios. Subtrai a média de cada ponto (2-5=-3, 4-5=-1, etc).

Passo 3: Multiplica os desvios pareados e soma. Dá-te a covariância (numerador).

Passo 4: Eleva ao quadrado cada desvio, soma e tira a raiz quadrada para obter os desvios padrão.

Passo 5: Divide a covariância pelo produto dos desvios padrão.

Neste exemplo, o valor de r fica muito próximo de 1 porque Y aumenta quase proporcionalmente a X. Na prática, usarás Excel ou Python—mas entender a mecânica evita confiar cegamente num número.

Correlação na Investimento: Aplicações no Mundo Real

Ações e Obrigações

Historicamente, ações dos EUA e obrigações do governo mostram baixa ou até correlação negativa. Quando as ações caem em recessões, os preços das obrigações muitas vezes sobem à medida que os investidores fogem para a segurança. Por isso, as obrigações têm sido a cobertura tradicional na carteira. Mas esta relação não é garantida—muda com taxas de juro, inflação e política do banco central.

Produtores de Commodities

Esperarias que as ações de empresas petrolíferas acompanhassem de perto o preço do crude. Na realidade, a correlação a longo prazo é muitas vezes surpreendentemente moderada (0.4 a 0.6) e instável. Porquê? Porque as avaliações das empresas petrolíferas também dependem de custos de produção, geopolitica e do mercado de ações mais amplo. Uma correlação forte num ano pode enfraquecer drasticamente no seguinte.

Correlações de Ativos Cripto

Em mercados em baixa, muitas criptomoedas movem-se juntas à medida que os investidores fogem—as correlações sobem para 1. Mas em mercados em alta, com rallies seletivos, as correlações podem cair para 0.3 ou até negativas. Esta instabilidade é a razão pela qual estratégias de hedge a longo prazo baseadas em suposições de correlação estática muitas vezes falham quando mais precisas.

Porque o Tamanho da Amostra é Mais Importante do que Pensas

Uma correlação de 0.6 calculada a partir de 100 pontos de dados é estatisticamente confiável. A mesma de 0.6 com apenas 10 observações é quase sem valor—pode ser apenas ruído aleatório. Os investigadores testam isto com p-valores e intervalos de confiança para distinguir relações reais de coincidências.

Tamanhos de amostra grandes permitem que correlações moderadas se tornem estatisticamente significativas. Amostras pequenas requerem correlações altas para serem levadas a sério. Se estás a testar uma estratégia baseada em correlação, pergunta-te sempre: quanta história estou a usar? A resposta muda tudo.

A Maior Armadilha da Correlação: Confundi-la com Causalidade

Dois variáveis podem mover-se juntas sem que uma cause a outra. Um terceiro fator pode estar a impulsionar ambas. Este é talvez o erro mais perigoso que os traders cometem com a correlação.

Exemplo: vendas de gelados e mortes por afogamento correlacionam fortemente (ambos atingem o pico no verão). Mas gelados não causam afogamentos—o clima quente é o culpado comum. Nos mercados, múltiplos ativos podem correlacionar-se porque ambos são impulsionados pelas expectativas de taxas de juro, mas isso não significa que possuir ambos oferece diversificação.

Outliers e Problemas de Distribuição

Um único ponto de dados extremo pode alterar drasticamente o coeficiente de correlação. Se a maior parte dos teus dados mostra uma correlação de 0.3, mas há um outlier gigante, a correlação total pode saltar para 0.6. Sempre visualiza os teus dados num gráfico de dispersão antes de confiar no número.

Distribuições não normais também quebram as suposições do Pearson. Quando os dados são enviesados ou têm caudas pesadas—comum em cripto e penny stocks—medidas baseadas em rankings como Spearman costumam dar respostas mais fiáveis.

Como Calcular Correlação no Excel

Para um par único: Usa =CORREL(intervalo1, intervalo2). Seleciona os teus dois intervalos de dados e o Excel devolve o coeficiente de Pearson.

Para múltiplas séries: Ativa o Analysis ToolPak, vai a Dados → Análise de Dados → Correlação, e insere o intervalo completo. O Excel gera uma matriz de correlação com todas as relações de pares de uma só vez.

Dica profissional: garante que os intervalos estão alinhados, considera os cabeçalhos, e verifica os outliers antes de confiar nos resultados. Dados maus levam a correlações enganosas.

R Quadrado: O Outro Lado da Moeda

R é o coeficiente de correlação—mostra força e direção.

(R-quadrado) é a correlação ao quadrado—mostra a proporção da variância explicada. Se R = 0.7, então R² = 0.49, o que significa que apenas 49% do movimento de uma variável é previsível a partir da outra. Os restantes 51% são ruído ou outros fatores.

No investimento, R diz-te quão de perto uma ação acompanha o seu setor. R² diz-te que parte da volatilidade dessa ação é impulsionada pelo setor versus fatores específicos da empresa. Ambos importam, mas respondem a perguntas diferentes.

Decadência da Correlação: O Problema do Timing

As correlações não são fixas—evoluem. Durante mercados normais, duas ativos podem correlacionar-se a 0.4. Durante uma crise, essa correlação pode disparar para 0.85 de um dia para o outro, à medida que o pânico se espalha. É precisamente neste momento que pensavas estar protegido.

As médias de longo prazo podem enganar-te. Usa correlações de janela móvel (ex., 30 dias, 90 dias) para detectar quando as relações estão a mudar. Se a correlação aumenta, a tua diversificação pode estar a deteriorar-se.

Antes de Usar Correlação: Uma Lista Rápida

  • Visualiza primeiro: Cria um gráfico de dispersão. Uma relação linear parece plausível visualmente?
  • Procura outliers: Verifica os dados brutos por pontos extremos que possam distorcer os resultados.
  • Verifica suposições: Os dados são do tipo adequado para a medida de correlação escolhida?
  • Testa a significância: Com amostras pequenas, mesmo correlações moderadas podem ser ruído. Faz um teste de significância.
  • Monitora ao longo do tempo: Recalcula periodicamente. Se a correlação não for estável, as tuas hipóteses de estratégia podem estar a falhar.

A Conclusão

O coeficiente de correlação é uma ferramenta poderosa para avaliar relações entre variáveis. Condensa padrões complexos num número único e comparável. Para construção de carteiras, gestão de risco e deteção de oportunidades, é indispensável.

Mas tem pontos cegos. Não prova que uma coisa causa a outra. Ignora relações curvas. É sensível a outliers e ao tamanho da amostra. Muda com o tempo, especialmente durante crises de mercado.

Trata a correlação como um ponto de partida, não uma conclusão. Combina-a com análise visual, medidas alternativas e testes de significância estatística. No investimento, os traders que evitam pensar em um só número são os que sobrevivem a mudanças de regime e surpresas de mercado.

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