Num ano excecional, o ouro alcançou o que a maioria dos grandes bancos de investimento não previa. Começou o ano com um preço relativamente modesto, mas os desenvolvimentos geopolíticos e as mudanças económicas inesperadas impulsionaram-no continuamente para cima. Chegou a um máximo histórico de 4381 dólares por onça em meados de outubro, registando um aumento superior a 50% desde o início do ano, uma conquista notável que reflete a confiança global dos investidores nele como refúgio seguro.
Trajetória de subida: como é que o ouro atingiu estes níveis?
A evolução do preço do ouro ao longo do ano não foi aleatória, mas resultou de uma interação complexa entre múltiplos fatores:
Primeiro e segundo trimestres: assistiu-se a aumentos graduais de 2.251 dólares para 2.450 dólares, impulsionados por expectativas de redução das taxas de juro nos EUA e por fortes ondas de compra de fundos de investimento cotados e bancos centrais asiáticos, especialmente na China e na Índia.
Terceiro trimestre: o metal precioso continuou a subir, atingindo 2.672 dólares, beneficiando das decisões dos bancos centrais de reduzir as taxas de juro e de aquisições significativas no setor mineiro.
Quarto trimestre: registou uma aceleração notável, saltando para 2.785 dólares em outubro, antes de oscilar e estabilizar acima de 2.660 dólares no final do ano.
Será que o ouro vai realmente subir em 2025-2026? Perspetivas das grandes instituições financeiras
As previsões dos especialistas indicam uma continuação do crescimento, mas a um ritmo mais conservador:
J.P. Morgan: prevê uma média de 5000 dólares até 2026, e 4900 dólares no último trimestre do ano
Goldman Sachs: vê a possibilidade de atingir 4900 dólares até ao final de 2026 num cenário otimista
Morgan Stanley: estima que o preço chegue a 4500 dólares em meados de 2026
Standard Chartered: prevê 4300 dólares até ao final de 2025 e 4500 dólares ao longo de 12 meses
Bank of America: prevê 4000 dólares até ao terceiro trimestre de 2026
HSBC e ANZ: previsões entre 4400-5000 dólares dependendo do período
Factores fundamentais por trás do aumento do ouro
Inflação e poder de compra
A inflação continua a ser o principal motor. A taxa de inflação rondou os 3% ao ano em setembro, ainda acima do objetivo do Federal Reserve de 2%. Esta diferença torna o ouro uma ferramenta essencial para preservar o valor real da riqueza.
Fraqueza do dólar americano
A relação é inversa e clara: quanto mais fraco estiver o dólar, mais sobe o ouro. As políticas financeiras expansionistas e a inflação interna fizeram a moeda americana perder força, reforçando a atratividade do metal precioso.
Decisões dos bancos centrais
As compras dos bancos centrais, especialmente de mercados emergentes, continuam firmes. Os bancos centrais detêm cerca de 20% do stock mundial de ouro, e as suas decisões influenciam diretamente a procura e os preços.
Procura por refúgios seguros
Conflitos geopolíticos e tensões económicas levaram os investidores a procurar ativos seguros. O ouro, por natureza, desempenha este papel com elevada eficiência.
Fundos de investimento cotados
As fortes entradas de capital em fundos de ouro (como o SPDR Gold Shares) refletiram a confiança crescente, exercendo uma pressão de compra positiva no mercado.
Áreas de investimento: como investir em ouro?
Investimento a curto prazo
Baseia-se na exploração das oscilações diárias e semanais através de contratos por diferença ou futuros. Esta abordagem oferece alta flexibilidade e oportunidades rápidas de lucro, mas envolve riscos maiores e exige monitorização diária e análise técnica contínua.
Exemplo prático: se abrir uma posição com uma margem de 1000 dólares e alavancagem de 1:100 ao preço de 3700 dólares, uma subida para 3710 dólares gera um lucro de 1000 dólares.
Investimento a longo prazo
Foca-se na compra de lingotes de ouro, moedas ou na aquisição de fundos apoiados em ouro. Esta abordagem é mais segura e preserva o valor contra a inflação, embora exija custos de armazenamento e seguro, e não gere rendimento imediato.
Dicas práticas para investidores iniciantes
1. Comece por entender os fundamentos: conheça os fatores que influenciam os preços antes de qualquer ação prática.
2. Defina objetivos claros: quer proteger-se da inflação, diversificar a carteira ou obter ganhos rápidos?
3. Avalie a sua tolerância ao risco: o ouro pode apresentar oscilações de curto prazo, apesar de ser um refúgio seguro a longo prazo.
4. Gerencie a sua carteira com inteligência: acompanhe as evoluções constantemente e utilize ferramentas de monitorização disponíveis.
5. Mantenha a disciplina: não deixe que as emoções guiem as suas decisões de investimento.
Riscos potenciais que podem travar a subida
Apesar das perspetivas positivas, há fatores que podem dificultar o percurso ascendente:
Retorno do Federal Reserve a aumentos das taxas de juro: enfraquecerá o apelo do ouro, que não rende juros
Redução das tensões geopolíticas: poderá diminuir a procura por refúgios seguros
Mudanças de capital: saída repentina do ouro para outros ativos
Conclusão: vale a pena investir em ouro agora?
Sim, mas com condição: se tiver uma visão clara dos seus objetivos e do período de investimento. Os dados indicam que o ouro continuará a subir durante 2025-2026, especialmente com a persistência da incerteza económica e política global.
As opções são variadas: lingotes e moedas para proteção a longo prazo, ou contratos por diferença para quem procura retornos rápidos. O importante é escolher aquilo que se adequa à sua situação financeira e à sua tolerância ao risco.
No final, o ouro tem sido, ao longo dos séculos, uma ferramenta fiável para preservar a riqueza, e todos os indicadores apontam que esse papel continuará nos anos vindouros.
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O ouro vai subir em 2025-2026? Previsões dos analistas e fatores determinantes dos preços
Desempenho forte do ouro: dos números à realidade
Num ano excecional, o ouro alcançou o que a maioria dos grandes bancos de investimento não previa. Começou o ano com um preço relativamente modesto, mas os desenvolvimentos geopolíticos e as mudanças económicas inesperadas impulsionaram-no continuamente para cima. Chegou a um máximo histórico de 4381 dólares por onça em meados de outubro, registando um aumento superior a 50% desde o início do ano, uma conquista notável que reflete a confiança global dos investidores nele como refúgio seguro.
Trajetória de subida: como é que o ouro atingiu estes níveis?
A evolução do preço do ouro ao longo do ano não foi aleatória, mas resultou de uma interação complexa entre múltiplos fatores:
Primeiro e segundo trimestres: assistiu-se a aumentos graduais de 2.251 dólares para 2.450 dólares, impulsionados por expectativas de redução das taxas de juro nos EUA e por fortes ondas de compra de fundos de investimento cotados e bancos centrais asiáticos, especialmente na China e na Índia.
Terceiro trimestre: o metal precioso continuou a subir, atingindo 2.672 dólares, beneficiando das decisões dos bancos centrais de reduzir as taxas de juro e de aquisições significativas no setor mineiro.
Quarto trimestre: registou uma aceleração notável, saltando para 2.785 dólares em outubro, antes de oscilar e estabilizar acima de 2.660 dólares no final do ano.
Será que o ouro vai realmente subir em 2025-2026? Perspetivas das grandes instituições financeiras
As previsões dos especialistas indicam uma continuação do crescimento, mas a um ritmo mais conservador:
Factores fundamentais por trás do aumento do ouro
Inflação e poder de compra
A inflação continua a ser o principal motor. A taxa de inflação rondou os 3% ao ano em setembro, ainda acima do objetivo do Federal Reserve de 2%. Esta diferença torna o ouro uma ferramenta essencial para preservar o valor real da riqueza.
Fraqueza do dólar americano
A relação é inversa e clara: quanto mais fraco estiver o dólar, mais sobe o ouro. As políticas financeiras expansionistas e a inflação interna fizeram a moeda americana perder força, reforçando a atratividade do metal precioso.
Decisões dos bancos centrais
As compras dos bancos centrais, especialmente de mercados emergentes, continuam firmes. Os bancos centrais detêm cerca de 20% do stock mundial de ouro, e as suas decisões influenciam diretamente a procura e os preços.
Procura por refúgios seguros
Conflitos geopolíticos e tensões económicas levaram os investidores a procurar ativos seguros. O ouro, por natureza, desempenha este papel com elevada eficiência.
Fundos de investimento cotados
As fortes entradas de capital em fundos de ouro (como o SPDR Gold Shares) refletiram a confiança crescente, exercendo uma pressão de compra positiva no mercado.
Áreas de investimento: como investir em ouro?
Investimento a curto prazo
Baseia-se na exploração das oscilações diárias e semanais através de contratos por diferença ou futuros. Esta abordagem oferece alta flexibilidade e oportunidades rápidas de lucro, mas envolve riscos maiores e exige monitorização diária e análise técnica contínua.
Exemplo prático: se abrir uma posição com uma margem de 1000 dólares e alavancagem de 1:100 ao preço de 3700 dólares, uma subida para 3710 dólares gera um lucro de 1000 dólares.
Investimento a longo prazo
Foca-se na compra de lingotes de ouro, moedas ou na aquisição de fundos apoiados em ouro. Esta abordagem é mais segura e preserva o valor contra a inflação, embora exija custos de armazenamento e seguro, e não gere rendimento imediato.
Dicas práticas para investidores iniciantes
1. Comece por entender os fundamentos: conheça os fatores que influenciam os preços antes de qualquer ação prática.
2. Defina objetivos claros: quer proteger-se da inflação, diversificar a carteira ou obter ganhos rápidos?
3. Avalie a sua tolerância ao risco: o ouro pode apresentar oscilações de curto prazo, apesar de ser um refúgio seguro a longo prazo.
4. Gerencie a sua carteira com inteligência: acompanhe as evoluções constantemente e utilize ferramentas de monitorização disponíveis.
5. Mantenha a disciplina: não deixe que as emoções guiem as suas decisões de investimento.
Riscos potenciais que podem travar a subida
Apesar das perspetivas positivas, há fatores que podem dificultar o percurso ascendente:
Conclusão: vale a pena investir em ouro agora?
Sim, mas com condição: se tiver uma visão clara dos seus objetivos e do período de investimento. Os dados indicam que o ouro continuará a subir durante 2025-2026, especialmente com a persistência da incerteza económica e política global.
As opções são variadas: lingotes e moedas para proteção a longo prazo, ou contratos por diferença para quem procura retornos rápidos. O importante é escolher aquilo que se adequa à sua situação financeira e à sua tolerância ao risco.
No final, o ouro tem sido, ao longo dos séculos, uma ferramenta fiável para preservar a riqueza, e todos os indicadores apontam que esse papel continuará nos anos vindouros.