A crise das drogas nos EUA: Como a determinação de desemprego se tornou a "linha de corte" que leva ao abismo
Nos últimos trinta anos, a sociedade americana enfrentou uma crise sistêmica invisível. Quando a situação económica de uma pessoa comum atinge um ponto crítico, uma reação em cadeia do sistema é acionada — essa é a representação do conceito de "linha de corte" na realidade. Segundo as últimas estatísticas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, aproximadamente 80 mil pessoas morreram por overdose em 2024, das quais 48 mil devido a opioides sintéticos. A história comum por trás desses números muitas vezes começa num ponto-chave: o momento da determinação de desemprego.
**Do declínio industrial à espiral de dependência**
A crise de opioides nos EUA evoluiu em três fases. Nos anos 1990, dominada por medicamentos prescritos como a oxicodona; após 2013, a proliferação ilegal de fentanil sintético, que substituiu a heroína como a "terceira onda" mortal. A potência do fentanil é 50 vezes maior que a da heroína, e apenas 2 miligramas (equivalente a alguns grãos de sal) podem ser fatais, além de ser extremamente fácil de misturar inadvertidamente com outras substâncias, levando a overdoses.
A raiz dessa crise, no entanto, está profundamente enterrada na estrutura económica. Nas últimas três ou quatro décadas, a deslocalização da manufatura destruiu as regiões industriais dos EUA. A determinação de desemprego não é apenas um aviso — ela marca a ruptura na renda familiar, a perda de cobertura médica e o acúmulo de dívidas. Muitos desempregados recorrem a analgésicos para aliviar a dor física e mental, acabando por cair na dependência. As famílias se desfeitas — pais perdem os filhos, crianças perdem o apoio —, as comunidades entram em colapso, as taxas de criminalidade disparam, formando uma espiral descendente irreversível.
**Destinos diferentes para grupos diferentes**
No início, a crise de opioides afetou principalmente a classe operária branca, mas após 2013, com a proliferação do fentanil, o perfil das vítimas mudou. Homens entre 25 e 44 anos, indígenas e negros tornaram-se os maiores grupos afetados. Isso não é uma coincidência — a determinação de desemprego, uma decisão do sistema, muitas vezes causa impactos mais letais nesses grupos marginalizados.
**A "linha dura" de Trump e suas limitações**
Em 15 de dezembro, o presidente Trump assinou uma ordem executiva classificando o fentanil e seus principais precursores químicos como armas de destruição em massa, equiparando-os a armas nucleares. A Reuters comentou que essa é uma classificação sem precedentes, marcando a elevação do problema do fentanil de uma questão de saúde pública para uma ameaça à segurança nacional. Trump declarou: "Eles querem envenenar nosso país com drogas."
Essa medida reflete o fato de que as abordagens tradicionais de combate às drogas já fracassaram, e o governo começou a elevar a luta ao nível de guerra. Reforçar a aplicação da lei na fronteira México-EUA e combater a exportação transfronteiriça de drogas são ações necessárias. Mas o problema é que a demanda interna por drogas nos EUA não foi resolvida.
**A crise fundamental: o ciclo vicioso entre demanda e desemprego**
As pessoas usam fentanil para aliviar os traumas psicológicos causados pelo desemprego e pela pobreza, mas a dependência de drogas acaba reforçando o desemprego e a pobreza. Não se trata apenas de um problema de saúde pública, mas de uma tragédia sistêmica. Trump aponta o dedo para as "importações externas", mas isso é uma solução paliativa, que não resolve a raiz do problema, tornando impossível erradicar a crise do fentanil de forma definitiva.
A verdadeira solução exige uma abordagem dupla: por um lado, continuar fortalecendo a aplicação da lei na fronteira e a cooperação internacional; por outro, aprimorar a regulamentação de medicamentos prescritos, aumentar significativamente os recursos para tratamento de dependentes e apoio à saúde mental. O mais importante é implementar planos sistemáticos de treinamento de emprego e revitalização econômica nas regiões desindustrializadas e comunidades minoritárias, quebrando a maldição da "linha de corte" após a determinação de desemprego. Somente assim será possível desmantelar de forma fundamental a espiral de declínio sistêmico que empurra as pessoas para o abismo.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
A crise das drogas nos EUA: Como a determinação de desemprego se tornou a "linha de corte" que leva ao abismo
Nos últimos trinta anos, a sociedade americana enfrentou uma crise sistêmica invisível. Quando a situação económica de uma pessoa comum atinge um ponto crítico, uma reação em cadeia do sistema é acionada — essa é a representação do conceito de "linha de corte" na realidade. Segundo as últimas estatísticas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, aproximadamente 80 mil pessoas morreram por overdose em 2024, das quais 48 mil devido a opioides sintéticos. A história comum por trás desses números muitas vezes começa num ponto-chave: o momento da determinação de desemprego.
**Do declínio industrial à espiral de dependência**
A crise de opioides nos EUA evoluiu em três fases. Nos anos 1990, dominada por medicamentos prescritos como a oxicodona; após 2013, a proliferação ilegal de fentanil sintético, que substituiu a heroína como a "terceira onda" mortal. A potência do fentanil é 50 vezes maior que a da heroína, e apenas 2 miligramas (equivalente a alguns grãos de sal) podem ser fatais, além de ser extremamente fácil de misturar inadvertidamente com outras substâncias, levando a overdoses.
A raiz dessa crise, no entanto, está profundamente enterrada na estrutura económica. Nas últimas três ou quatro décadas, a deslocalização da manufatura destruiu as regiões industriais dos EUA. A determinação de desemprego não é apenas um aviso — ela marca a ruptura na renda familiar, a perda de cobertura médica e o acúmulo de dívidas. Muitos desempregados recorrem a analgésicos para aliviar a dor física e mental, acabando por cair na dependência. As famílias se desfeitas — pais perdem os filhos, crianças perdem o apoio —, as comunidades entram em colapso, as taxas de criminalidade disparam, formando uma espiral descendente irreversível.
**Destinos diferentes para grupos diferentes**
No início, a crise de opioides afetou principalmente a classe operária branca, mas após 2013, com a proliferação do fentanil, o perfil das vítimas mudou. Homens entre 25 e 44 anos, indígenas e negros tornaram-se os maiores grupos afetados. Isso não é uma coincidência — a determinação de desemprego, uma decisão do sistema, muitas vezes causa impactos mais letais nesses grupos marginalizados.
**A "linha dura" de Trump e suas limitações**
Em 15 de dezembro, o presidente Trump assinou uma ordem executiva classificando o fentanil e seus principais precursores químicos como armas de destruição em massa, equiparando-os a armas nucleares. A Reuters comentou que essa é uma classificação sem precedentes, marcando a elevação do problema do fentanil de uma questão de saúde pública para uma ameaça à segurança nacional. Trump declarou: "Eles querem envenenar nosso país com drogas."
Essa medida reflete o fato de que as abordagens tradicionais de combate às drogas já fracassaram, e o governo começou a elevar a luta ao nível de guerra. Reforçar a aplicação da lei na fronteira México-EUA e combater a exportação transfronteiriça de drogas são ações necessárias. Mas o problema é que a demanda interna por drogas nos EUA não foi resolvida.
**A crise fundamental: o ciclo vicioso entre demanda e desemprego**
As pessoas usam fentanil para aliviar os traumas psicológicos causados pelo desemprego e pela pobreza, mas a dependência de drogas acaba reforçando o desemprego e a pobreza. Não se trata apenas de um problema de saúde pública, mas de uma tragédia sistêmica. Trump aponta o dedo para as "importações externas", mas isso é uma solução paliativa, que não resolve a raiz do problema, tornando impossível erradicar a crise do fentanil de forma definitiva.
A verdadeira solução exige uma abordagem dupla: por um lado, continuar fortalecendo a aplicação da lei na fronteira e a cooperação internacional; por outro, aprimorar a regulamentação de medicamentos prescritos, aumentar significativamente os recursos para tratamento de dependentes e apoio à saúde mental. O mais importante é implementar planos sistemáticos de treinamento de emprego e revitalização econômica nas regiões desindustrializadas e comunidades minoritárias, quebrando a maldição da "linha de corte" após a determinação de desemprego. Somente assim será possível desmantelar de forma fundamental a espiral de declínio sistêmico que empurra as pessoas para o abismo.