Quando ganhar com carry trade vira perda: o que realmente acontece

Resumo executivo

O carry trade é aquela estratégia que parecia ganha-ganha: você toma emprestado dinheiro barato em um lugar, investe em juros altos em outro, e embolsa a diferença. Simples? Teoricamente sim. Na prática? Quando o mercado respira errado, tudo desaba. A movimentação do Banco do Japão em 2024 foi um aviso vermelho para o mundo: posições que pareciam seguras viraram bombas financeiras.

A matemática por trás do carry trade

Pense assim: você consegue um empréstimo de iene a 0% de juro. Parece brincadeira, não é? Isso realmente aconteceu no Japão por décadas. Depois, você converte esse iene em dólares e investe em títulos americanos que pagam 5,5%. Pronto: você já tem 5,5% de ganho líquido (menos as taxas, claro).

É exatamente esse diferencial de rentabilidade que move bilhões pelo mundo. Fundos de hedge, instituições financeiras e investidores sofisticados vivem dessa arbitragem de juros. Alguns até multiplicam isso tudo por 10, 20, ou 50 vezes usando alavancagem. Quanto maior o risco que você assume, maior o retorno potencial – mas também maior o tombo quando a maré vira.

Os dois maiores sustos da história recente

O fiasco de 2008

A crise financeira de 2008 foi o primeiro grande filme de terror do carry trade. Investidores que estavam tranquilos tomando iene emprestado acordaram para o caos: mercados desabando, crédito congelando, taxas de juros disparando. Muitos perderam fortunas tentando desfazer posições que já não tinham nem valor de mercado. Foi um aviso que ninguém ouviu direito.

A queda de 2024

Espera aí, 2024 é recente demais para ser história? Pois é. Em julho de 2024, o Banco do Japão surpreendeu o mundo ao elevar as taxas de juros. Uma decisão aparentemente pequena? Não. O iene disparou de valor. E quando isso acontece, quem está com carry trades alavancados começa a entrar em pânico. A correria para desmontar essas posições foi tão violenta que sacudiu não apenas o mercado de câmbio, mas enviou ondas de choque por ativos de risco globalmente. Ações caíram, criptomoedas caíram, tudo relacionado a risco teve um dia horrível. Tudo porque investidores precisavam vender o máximo de ativos possível para conseguir iene e pagar os empréstimos.

Por que isso é tão arriscado?

O carry trade tem dois inimigos principais: as taxas de câmbio e as decisões dos bancos centrais.

O risco cambial é o assassino invisível. Se você pega dinheiro emprestado em iene e investe em dólares, está apostando que o iene não vai valorizar muito. Mas quando o banco central japônico muda de ideia? O iene pode subir 10%, 20% ou mais em dias. De repente, seu lucro de 5% vira um prejuízo de 15%. A conversão de volta fica cara demais.

As taxas de juros são o outro problema. Se o banco central que você pegou emprestado elevar os juros, seus custos disparam. Se o banco onde você investiu reduzir os juros, seus ganhos desaparecem. É um ambiente onde as decisões de meia dúzia de pessoas em escritórios de bancos centrais podem vaporizar bilhões.

Quando o carry trade funciona?

Funciona melhor em mercados calmos, quando investidores estão otimistas e dispostos a assumir risco. Nessas épocas, as moedas não se mexem muito, as taxas são previsíveis, e você colhe o ganho mês após mês, ano após ano.

Mas mercados calmos nunca duram para sempre. Uma eleição, uma declaração de um banco central, uma crise geopolítica – qualquer coisa pode transformar um dia tranquilo em caos. E quando isso acontece, especialmente em um ambiente altamente alavancado, os investidores entram em frenesi. Começam a liquidar posições, vender tudo que conseguem vender, só para conseguir caixa e sair da encrenca.

Quem deveria estar nesse jogo?

A resposta é simples: investidores experientes e grandes instituições. Por quê? Porque eles têm estrutura para monitorar riscos, ferramentas para fazer hedging (proteção) adequado, e capital suficiente para absorver perdas sem quebrar.

Se você é um investidor comum, conhece pouco de mercados globais e não entende como funcionam as decisões dos bancos centrais, o carry trade pode parecer uma máquina de fazer dinheiro, mas é mais parecido com uma mina terrestre financeira esperando para explodir na sua carteira.

O takeaway

O carry trade significado vai muito além de simplesmente “pegar emprestado barato e emprestar caro”. É uma dança perigosa com as forças do mercado global, onde ganhos consistentes podem virar perdas monumentais em questão de horas. 2024 provou que mesmo estratégias que funcionaram por décadas podem desabar quando o cenário muda. Respeite os riscos, entenda o jogo, ou fique de fora.

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