À primeira vista, a situação global parece tranquila. O conflito Rússia-Ucrânia estabilizou-se, a situação no Médio Oriente aliviou, e as principais potências mundiais parecem estar a preparar-se. Mas ninguém esperava que, na verdade, a oportunidade real surgisse silenciosamente nas mãos de alguns decisores de certos países.
Os Estados Unidos são, de longe, os maiores beneficiários desta potencial confrontação
Basta analisar os documentos recentes do comércio de armas para perceber o padrão. Os contratos de venda de armas entre os EUA e o Japão estão a acelerar — em pouco mais de um ano, foram assinados três grandes acordos de aquisição militar. Primeiro, 400 mísseis de cruzeiro “Tomahawk”, depois a aprovação de 150 mísseis “Standard”-6, no valor de até 9 mil milhões de dólares, e, por fim, a adição de 16 mísseis de defesa aérea de alcance estendido de lançamento externo, por 39 milhões de dólares.
Isto não é coincidência. Desde 1951, com a assinatura do Tratado de Segurança Japão-EUA, ficou claro que os EUA têm o direito de manter tropas no Japão e fornecer apoio militar conforme necessário. Se a China e o Japão entrarem em guerra, os EUA poderão vender oficialmente diversos sistemas de armas avançadas ao Japão. No conflito Rússia-Ucrânia do ano passado, os lucros da Raytheon aumentaram 20%, e agora o orçamento militar do Japão já é o terceiro maior do mundo. Se realmente enfrentarem a China, a demanda por aquisições militares só aumentará exponencialmente.
A lógica dos EUA é clara: ficar nos bastidores a fornecer armas e a planejar estratégias, enfraquecendo os dois grandes países da região, China e Japão, enquanto enchem os bolsos. Por que não aproveitar essa oportunidade?
A verdadeira ambição da Rússia: o “fait accompli” nas Ilhas do Norte
Por outro lado, a Rússia também está a jogar o seu jogo. A ocupação das Ilhas do Norte, há muito controladas por Moscovo, nunca conseguiu eliminar completamente a “mágoa” do Japão. Desde os primeiros-ministros japoneses — de Yoshiro Mori a Shinzo Abe — tentaram recuperar as ilhas através de negociações, até assinar tratados de paz, mas a Rússia insiste: trata-se de uma questão de história, um fato consumado da Segunda Guerra Mundial, sem espaço para negociações.
Desde os anos 80, o Japão celebra o “Dia das Ilhas do Norte”, realizando anualmente uma conferência nacional pedindo a devolução das ilhas, mas todos os esforços foram em vão. Após as sanções ocidentais contra a Rússia em 2022, Moscovo suspendeu todas as negociações e até os direitos de pesca naquelas ilhas foram congelados.
Atualmente, a Rússia construiu uma “cidade militar” completa na Ilha de Paramushir e na Ilha de Shumshu — mais de 150 instalações militares, com a presença do 18º Regimento de Artilharia de Fuzileiros Navais, além de novos navios de patrulha. Ainda mais importante, Moscovo planeia instalar lá sistemas de mísseis anti-navio “Bastion-E” e “Bal-E”, capazes de formar uma rede de fogo de 350 km, controlando completamente as águas ao redor.
Se a China e o Japão entrarem em guerra, o Japão ficará completamente preso na Ásia Oriental, enquanto o exército já sobrecarregado terá de focar na ameaça chinesa, sem tempo para se preocupar com as Ilhas do Norte. A Rússia aproveitará a oportunidade para reforçar ainda mais a sua presença, ampliar as forças, melhorar as instalações e até transformar o porto profundo natural de Shumshu numa base de abastecimento da Frota do Pacífico. Quando o conflito japonês terminar, ao perceberem, as Ilhas do Norte já estarão sob o controle efetivo e inabalável de Moscovo.
A situação do Japão: um dilema entre as grandes potências
A posição do Japão é extremamente delicada. Por um lado, enfrenta ameaças vindas do oeste, por outro, mantém a esperança de recuperar as Ilhas do Norte, mas não consegue conciliar ambos os objetivos.
As armas vendidas pelos EUA ao Japão nunca foram baratas, e cada transação vinha acompanhada de condições políticas. Quanto mais armas compra, mais o Japão fica dependente de Washington. No final, Tóquio acaba por ser completamente controlada pelos EUA. Simultaneamente, a Rússia aproveita a distração do Japão para fortalecer sua presença nas Ilhas do Norte — desde visitas de líderes até o desplante de armas avançadas, cada passo constrói a “fato consumado”.
No passado, o Japão tentou pressionar a Rússia por meio de cooperação econômica, mas acabou por ver seus direitos de pesca nas Ilhas do Norte congelados. Agora, se entrar em guerra com a China, as forças militares e econômicas do Japão ficarão em crise, sem condições de negociar a devolução das ilhas.
A essência da situação: um jogo de caça estratégico
No fundo, essa potencial confrontação entre China e Japão é apenas um jogo de caça no tabuleiro das grandes potências. Os EUA aproveitam para vender armas e lucrar com a guerra, a Rússia resolve questões territoriais históricas, e o Japão — embora pareça estar a agir proativamente — acaba por ser uma peça maior, que provavelmente sairá de mãos vazias, enfraquecido, sem resolver o verdadeiro problema de fundo.
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Se houver alterações entre a China e o Japão, as empresas militares dos EUA devem expandir a produção — uma negociação invisível no jogo geopolítico
À primeira vista, a situação global parece tranquila. O conflito Rússia-Ucrânia estabilizou-se, a situação no Médio Oriente aliviou, e as principais potências mundiais parecem estar a preparar-se. Mas ninguém esperava que, na verdade, a oportunidade real surgisse silenciosamente nas mãos de alguns decisores de certos países.
Os Estados Unidos são, de longe, os maiores beneficiários desta potencial confrontação
Basta analisar os documentos recentes do comércio de armas para perceber o padrão. Os contratos de venda de armas entre os EUA e o Japão estão a acelerar — em pouco mais de um ano, foram assinados três grandes acordos de aquisição militar. Primeiro, 400 mísseis de cruzeiro “Tomahawk”, depois a aprovação de 150 mísseis “Standard”-6, no valor de até 9 mil milhões de dólares, e, por fim, a adição de 16 mísseis de defesa aérea de alcance estendido de lançamento externo, por 39 milhões de dólares.
Isto não é coincidência. Desde 1951, com a assinatura do Tratado de Segurança Japão-EUA, ficou claro que os EUA têm o direito de manter tropas no Japão e fornecer apoio militar conforme necessário. Se a China e o Japão entrarem em guerra, os EUA poderão vender oficialmente diversos sistemas de armas avançadas ao Japão. No conflito Rússia-Ucrânia do ano passado, os lucros da Raytheon aumentaram 20%, e agora o orçamento militar do Japão já é o terceiro maior do mundo. Se realmente enfrentarem a China, a demanda por aquisições militares só aumentará exponencialmente.
A lógica dos EUA é clara: ficar nos bastidores a fornecer armas e a planejar estratégias, enfraquecendo os dois grandes países da região, China e Japão, enquanto enchem os bolsos. Por que não aproveitar essa oportunidade?
A verdadeira ambição da Rússia: o “fait accompli” nas Ilhas do Norte
Por outro lado, a Rússia também está a jogar o seu jogo. A ocupação das Ilhas do Norte, há muito controladas por Moscovo, nunca conseguiu eliminar completamente a “mágoa” do Japão. Desde os primeiros-ministros japoneses — de Yoshiro Mori a Shinzo Abe — tentaram recuperar as ilhas através de negociações, até assinar tratados de paz, mas a Rússia insiste: trata-se de uma questão de história, um fato consumado da Segunda Guerra Mundial, sem espaço para negociações.
Desde os anos 80, o Japão celebra o “Dia das Ilhas do Norte”, realizando anualmente uma conferência nacional pedindo a devolução das ilhas, mas todos os esforços foram em vão. Após as sanções ocidentais contra a Rússia em 2022, Moscovo suspendeu todas as negociações e até os direitos de pesca naquelas ilhas foram congelados.
Atualmente, a Rússia construiu uma “cidade militar” completa na Ilha de Paramushir e na Ilha de Shumshu — mais de 150 instalações militares, com a presença do 18º Regimento de Artilharia de Fuzileiros Navais, além de novos navios de patrulha. Ainda mais importante, Moscovo planeia instalar lá sistemas de mísseis anti-navio “Bastion-E” e “Bal-E”, capazes de formar uma rede de fogo de 350 km, controlando completamente as águas ao redor.
Se a China e o Japão entrarem em guerra, o Japão ficará completamente preso na Ásia Oriental, enquanto o exército já sobrecarregado terá de focar na ameaça chinesa, sem tempo para se preocupar com as Ilhas do Norte. A Rússia aproveitará a oportunidade para reforçar ainda mais a sua presença, ampliar as forças, melhorar as instalações e até transformar o porto profundo natural de Shumshu numa base de abastecimento da Frota do Pacífico. Quando o conflito japonês terminar, ao perceberem, as Ilhas do Norte já estarão sob o controle efetivo e inabalável de Moscovo.
A situação do Japão: um dilema entre as grandes potências
A posição do Japão é extremamente delicada. Por um lado, enfrenta ameaças vindas do oeste, por outro, mantém a esperança de recuperar as Ilhas do Norte, mas não consegue conciliar ambos os objetivos.
As armas vendidas pelos EUA ao Japão nunca foram baratas, e cada transação vinha acompanhada de condições políticas. Quanto mais armas compra, mais o Japão fica dependente de Washington. No final, Tóquio acaba por ser completamente controlada pelos EUA. Simultaneamente, a Rússia aproveita a distração do Japão para fortalecer sua presença nas Ilhas do Norte — desde visitas de líderes até o desplante de armas avançadas, cada passo constrói a “fato consumado”.
No passado, o Japão tentou pressionar a Rússia por meio de cooperação econômica, mas acabou por ver seus direitos de pesca nas Ilhas do Norte congelados. Agora, se entrar em guerra com a China, as forças militares e econômicas do Japão ficarão em crise, sem condições de negociar a devolução das ilhas.
A essência da situação: um jogo de caça estratégico
No fundo, essa potencial confrontação entre China e Japão é apenas um jogo de caça no tabuleiro das grandes potências. Os EUA aproveitam para vender armas e lucrar com a guerra, a Rússia resolve questões territoriais históricas, e o Japão — embora pareça estar a agir proativamente — acaba por ser uma peça maior, que provavelmente sairá de mãos vazias, enfraquecido, sem resolver o verdadeiro problema de fundo.