
A Reuters, na quinta-feira, citou duas fontes próximas ao assunto, informando que o novo Ministro da Economia do Brasil, Dario Durigan, suspendeu a consulta pública originalmente agendada sobre questões fiscais relacionadas às criptomoedas. Durigan tomou posse na sexta-feira, sucedendo ao ex-Ministro Fernando Haddad, que renunciou para concorrer ao governo de São Paulo. Fontes indicaram que, antes das eleições presidenciais de outubro, Durigan planeja priorizar a legislação microeconômica.
O presidente Lula convidou o jovem Durigan, de 41 anos, para liderar o Ministério da Economia, destacando a necessidade de promover o desenvolvimento econômico e melhorar o ambiente de negócios. Com Lula enfrentando uma disputa acirrada pela reeleição e pesquisas indicando a possibilidade de um segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, o ritmo das reformas fiscais está fortemente ligado às estratégias políticas.
As prioridades legislativas de Durigan incluem regulamentação de plataformas tecnológicas, regras de gestão de crises financeiras e investimentos em centros de dados Redata, refletindo um foco em setores que criam empregos e atraem investimentos, ao invés de ampliar a arrecadação fiscal. Uma proposta de eliminar isenções fiscais sobre investimentos em títulos não foi aprovada no Congresso no ano passado e pode ser adiada até 2027.
Normas em vigor: O Banco Central do Brasil finalizou, em novembro de 2025, regulamentos que incluem provedores de serviços de criptomoedas no sistema financeiro existente, exigindo licença operacional.
Regulamentação de stablecoins: As mesmas regras também passaram a incluir a supervisão de transações com stablecoins e ativos virtuais utilizados em transferências internacionais no mercado cambial.
Prazo de conformidade: Os provedores de serviços sujeitos às regras do Banco Central devem cumprir as exigências até novembro de 2026.
Questões fiscais pendentes: A consulta pública suspensa tinha como objetivo esclarecer a tributação de transações de criptomoedas sob a classificação cambial, mas foi adiada pelo menos até após as eleições.
Fluxo de fundos: O presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, afirmou que cerca de 90% do fluxo de fundos de criptomoedas domésticas nos últimos três anos está relacionado a stablecoins.
Isso significa que, antes das eleições, as transações facilitadas por provedores de criptomoedas no Brasil continuarão em uma zona cinzenta do ponto de vista fiscal.
O Brasil ocupa a quinta posição no índice global de adoção de criptomoedas da Chainalysis, liderando a América Latina, e deve receber aproximadamente 318,8 bilhões de dólares em fluxos de capital de criptomoedas entre julho de 2024 e junho de 2025. O interesse de investidores institucionais também cresce, com a firma de risco Paradigm realizando seu primeiro investimento no país em dezembro passado, aportando 13,5 milhões de dólares na startup de stablecoins lastreadas em moeda fiduciária, Crown.
Por outro lado, o crescimento rápido na adoção e a incerteza regulatória representam preocupações centrais para o setor. A suspensão da consulta fiscal oferece uma janela de atraso na intervenção política de curto prazo, mas também prolonga a incerteza jurídica, dificultando o planejamento financeiro de empresas de criptomoedas que operam no Brasil.
Principalmente devido à mudança nas prioridades políticas. Antes das eleições presidenciais de outubro, o novo Ministro da Economia, Durigan, pretende evitar avançar com medidas fiscais controversas no Congresso, poupando capital político, e focar em legislação microeconômica e políticas favoráveis ao investimento.
O Banco Central concluiu, em novembro de 2025, regulamentos que exigem licença para provedores de serviços de criptomoedas e incluem stablecoins e transferências internacionais de ativos virtuais sob a supervisão cambial. Os provedores têm até novembro de 2026 para se adequar, mas a tributação específica dessas transações ainda não foi definida.
Antes da retomada da consulta, a tributação de transações de criptomoedas no Brasil permanecerá sem regulamentação clara, dificultando o planejamento financeiro e orçamentário de exchanges, provedores de stablecoins e protocolos DeFi. A incerteza fiscal pode, a curto prazo, limitar o investimento de alguns capitais no mercado brasileiro.