A Agência Internacional de Energia (AIE) apresentou recentemente uma série de medidas para responder à interrupção global no fornecimento de petróleo provocada pelo conflito no Médio Oriente. Este conflito reduziu drasticamente o transporte pelo Estreito de Hormuz, levando os preços internacionais do petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril, e provocando aumentos significativos nos preços de gasóleo, combustível de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP). Apesar de os países membros da AIE terem concordado em liberar um recorde de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, medidas apenas na oferta continuam insuficientes para preencher completamente a lacuna. Assim, a AIE publicou um relatório recomendando aos governos, empresas e famílias que adotem dez estratégias de gestão de procura a curto prazo para aliviar a pressão económica sobre os consumidores.
CONFLITO NO MÉDIO ORIENTE PROVOCA IMPACTO HISTÓRICO NO FORNECIMENTO DE PETRÓLEO
O conflito na região do Médio Oriente causou um impacto histórico no mercado energético global. A obstrução do transporte pelo Estreito de Hormuz resultou na escassez diária de 20 milhões de barris de produtos petrolíferos, levando o preço do petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril e gerando uma “pressão inflacionária” impulsionada pela energia. Se os custos energéticos forem transferidos para a produção e logística, os índices de preços ao consumidor nos vários países aumentarão. Apesar de a AIE ter liberado 400 milhões de barris de reservas estratégicas para aumentar a liquidez do mercado, é necessário combinar estas ações com políticas de procura para conter a volatilidade dos preços.
INCENTIVAR O TRABALHO REMOTO E O USO DE TRANSPORTES PÚBLICOS
Como o transporte rodoviário representa cerca de 45% da procura global de petróleo, é uma área prioritária para gestão da procura. As medidas recomendadas pela AIE incluem incentivar o trabalho remoto para reduzir o consumo de combustível na deslocação, diminuir o limite de velocidade nas autoestradas em pelo menos dez km/h, e ampliar o uso do transporte público. Além disso, implementar restrições rotativas de circulação por matrícula em grandes cidades, promover mecanismos de partilha de veículos e otimizar as práticas de condução na logística comercial podem reduzir efetivamente o consumo de gasolina e gasóleo, aliviando significativamente a procura de energia a curto prazo.
MEDIDAS NO SETOR DA AVIAÇÃO, INDUSTRIAL E DE UTILIZAÇÃO CÍVICA
Para além do transporte rodoviário, a AIE também propõe alternativas para os setores da aviação e da indústria de alta intensidade energética. O relatório recomenda reduzir viagens aéreas sempre que existam opções alternativas de transporte, para aliviar a pressão sobre o mercado de combustível de aviação. Na indústria, sugere-se que instalações petroquímicas flexíveis substituam o GLP por combustíveis leves, reservando recursos limitados para uso doméstico na cozinha. Simultaneamente, a promoção de equipamentos de cozinha modernos e eficientes pode diminuir a dependência de combustíveis fósseis tradicionais, protegendo famílias vulneráveis do impacto dos preços elevados.
Embora as medidas de procura destacadas no relatório não possam compensar totalmente a escala da interrupção de fornecimento, elas desempenham um papel importante na redução dos custos para os consumidores, na diminuição da pressão do mercado e na preservação de combustíveis para usos essenciais até que o fornecimento normal seja restabelecido.
Este artigo, intitulado “Interrupção no fornecimento de petróleo no Médio Oriente, Agência Internacional de Energia propõe dez medidas de resposta”, foi originalmente publicado na Chain News ABMedia.