Carteira fria totalmente ilegal? Lei de ATM do Kentucky com brecha oculta, comunidade Bitcoin protesta: equivale a proibição de auto-custódia

Kentucky acaba de cometer uma autoinflicted de nível textbook — no mesmo ciclo legislativo, aprovou por unanimidade (37-0) uma lei que protege o direito de auto-hospedagem de criptomoedas no ano passado, e neste ano, na seção 33 de um projeto de lei de regulamentação de caixas eletrônicos de criptomoedas, silenciosamente exige que fabricantes de carteiras de hardware ofereçam mecanismos de redefinição de senha, o que equivale a colocar uma porta dos fundos na carteira fria do usuário. A organização de defesa de políticas de blockchain, BPI, alertou diretamente: isso é tecnicamente impossível de fazer, e fazê-lo é trair os usuários.
(Atualização: FBI: fraudes com caixas eletrônicos de criptomoedas nos EUA causaram perdas de US$ 330 milhões no ano passado, levando a uma onda de proibições em vários estados)
(Complemento: a especialista em criptomoedas Hester Peirce elogia o novo presidente da SEC, Paul Atkins, por sua aptidão, e recomenda que ele complete três tarefas principais)

Índice do artigo

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  • Problema na Seção 33
  • Ano passado, 37-0, este ano, autoinflicted
  • Vozes de Washington estão do outro lado
  • Observação do setor: uma porta dos fundos, uma vez existente, nunca serve apenas a um propósito

Os deputados de Kentucky, Aaron Thompson e Tom Smith, provavelmente não previram que um projeto de lei destinado a combater fraudes com caixas eletrônicos de criptomoedas acabaria direcionando toda a comunidade cripto contra eles próprios.

Segundo a CoinTelegraph, o projeto de lei HB 380, de 77 páginas, regula principalmente os caixas eletrônicos e quiosques de criptomoedas — limite diário de US$ 2.000, período de espera para novos usuários, identificação obrigatória, etc. Os números do FBI são convincentes: só em fraudes relacionadas a caixas eletrônicos de criptomoedas, os americanos perderam US$ 330 milhões em 2025, e Minnesota já propôs uma proibição total de caixas eletrônicos de criptomoedas. Diante desse contexto, o objetivo do projeto de lei não é difícil de entender.

Problema na Seção 33

A reportagem aponta que o problema não está na lei em si, mas na “emenda de piso” (floor amendment) inserida na última hora — a Seção 33. Essa cláusula exige que fabricantes de carteiras de hardware forneçam mecanismos de redefinição de senha, PIN ou frase-secreta para os usuários.

A BPI destacou na análise que a absurda lógica dessa cláusula é que carteiras não-custodiais (não-custodial wallets) são projetadas de modo que os fabricantes não possam acessar as frases-secreta dos usuários. Isso não é uma dificuldade técnica, mas um princípio de design — se você possui suas chaves, nem mesmo o fabricante pode redefini-las por você. Essa característica é o que dá sentido à auto-hospedagem.

Para implementar o mecanismo de redefinição exigido pela Seção 33, os fabricantes teriam que manter uma cópia de backup ou uma via de acesso às chaves do usuário em algum lugar. Em outras palavras, uma porta dos fundos. A BPI alerta que, uma vez existente esse mecanismo, ele não será apenas uma “ferramenta de redefinição de emergência”, mas uma entrada que qualquer autoridade — governo, hackers, funcionários mal-intencionados — poderá tentar acessar.

Ano passado, 37-0, este ano, autoinflicted

Vince Quill, do The Block, destacou de forma irônica o timing: no ano passado, Kentucky aprovou por unanimidade (37-0) a HB 701, uma lei claramente protegendo o direito de auto-hospedagem de criptomoedas. Com apoio unânime, sem votos contrários.

E neste ano, a nova Seção 33 apareceu silenciosamente no projeto de lei.

Essa contradição não é apenas lógica, mas um sinal de política confusa. Para qualquer fabricante de carteiras de hardware que opere em Kentucky, eles agora enfrentam duas leis: uma que garante o direito de auto-hospedagem do usuário, e outra que exige a construção de um mecanismo que contorne esse direito.

A posição da BPI é clara: se a Seção 33 passar, ela na prática força os usuários a abandonarem a auto-hospedagem e migrarem para soluções centralizadas — porque apenas uma entidade centralizada pode oferecer um serviço de “redefinição de conta”.

Vozes de Washington estão do outro lado

É importante notar que, enquanto os estados estão indecisos quanto à auto-hospedagem, a regulamentação federal caminha na direção oposta. O presidente da SEC, Paul Atkins, expressou apoio à auto-hospedagem. E Hester Peirce, com sua postura de defesa dos direitos dos usuários de criptomoedas, questionou diretamente: “Por que eu deveria ser forçada a manter meus ativos por meio de terceiros?”

A Seção 33 de Kentucky não oferece uma boa resposta a essa questão.

Observação do setor: uma porta dos fundos, uma vez existente, nunca serve apenas a um propósito

Na discussão sobre regulamentação de criptomoedas, a tensão entre “proteção ao consumidor” e “posse própria” nunca foi novidade. Fraudes com caixas eletrônicos de criptomoedas são um problema real, e os principais pontos do HB 380 atendem a necessidades legítimas.

Porém, a lógica da Seção 33 é falha: as vítimas de fraudes com caixas eletrônicos geralmente são pessoas que são levadas a usar esses dispositivos e transferir dinheiro para os fraudadores, não usuários avançados de carteiras de hardware. Exigir que fabricantes como Ledger ou Trezor criem portas dos fundos para os usuários de alta segurança resolve um problema que não é o deles — é uma política de regulação com objetivo errado.

Diante dessa pressão legal, os fabricantes de carteiras provavelmente terão duas reações: ou saem do mercado de Kentucky, ou buscam formas de se adequar na concepção, mas, independentemente, os usuários locais serão os mais prejudicados. Um estado que aprovou por unanimidade a proteção da auto-hospedagem deve refletir melhor sobre essa questão.

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