Quando a ProShares lançou o BITO em 2021, algo notável aconteceu: foram investidos 1 bilhão de dólares neste fundo negociado em bolsa de Bitcoin em apenas dois dias. Esta resposta de mercado sem precedentes revelou uma mudança fundamental na forma como os investidores tradicionais queriam aceder às criptomoedas — não através da posse direta, mas por meio de instrumentos financeiros regulamentados que já compreendiam. Hoje, compreender os ETFs de criptomoedas é essencial para qualquer investidor curioso sobre ativos digitais. Aqui está tudo o que precisa de saber sobre o que são os ETFs de criptomoedas, como funcionam e se se enquadram na sua estratégia de investimento.
Do avanço do BITO à expansão do mercado: o crescimento dos ETFs de criptomoedas
O sucesso do BITO mudou fundamentalmente o panorama do investimento. Nenhum outro fundo negociado em bolsa tinha capturado um interesse tão rápido dos investidores desde o lançamento do SPDR Gold Shares (GLD) em 2004. Esta procura explosiva refletiu uma tendência mais ampla: investidores tradicionais queriam exposição às criptomoedas sem a complexidade da autogestão ou das trocas.
De acordo com uma pesquisa da Bitwise, uma das principais gestoras de ETFs, 90% dos consultores financeiros atuais recebem perguntas de clientes sobre investir em ETFs de criptomoedas. Isto já não é um interesse de nicho — tornou-se parte das conversas padrão de investimento. A indústria financeira global respondeu criando dezenas de opções de ETFs de criptomoedas, cada uma desenhada para oferecer diferentes tipos de exposição ao ecossistema digital. O que começou como uma experiência audaciosa em 2021 evoluiu para uma classe de ativos mainstream, que merece uma análise cuidadosa.
A base: o que exatamente são os fundos negociados em bolsa?
Antes de mergulhar nos produtos específicos de criptomoedas, é importante entender a estrutura subjacente dos ETFs em geral. Um ETF é, essencialmente, uma cesta de ativos agrupados e oferecidos como um valor negociável. Pense nisso como possuir uma fatia de um portefólio gerido profissionalmente, sem precisar de comprar cada componente individual.
Assim funcionam os ETFs tradicionais na prática: uma firma financeira reúne participações — sejam commodities como ouro, ações de setores específicos ou obrigações — e depois emite ações dessa coleção. Essas ações negociam em bolsas reguladas, como a NYSE, durante o horário normal de mercado, tal como ações de empresas. Quando compra ações de um ETF, obtém exposição ao preço dos ativos que o fundo detém, sem precisar de possuir esses ativos diretamente. Por exemplo, um ETF de ouro como o SPDR Gold Trust oferece exposição ao preço do ouro sem precisar de armazenar barras físicas de ouro num cofre.
Como os ETFs negociam em bolsas reguladas supervisionadas por entidades como a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), devem seguir regras estritas de negociação de valores mobiliários. Este quadro regulatório oferece proteções aos investidores e transparência — uma forte diferença em relação à negociação direta de criptomoedas em plataformas não reguladas.
ETFs de criptomoedas explicados: como diferem dos ETFs tradicionais
Então, o que torna um ETF de criptomoedas diferente? A resposta é simples: os ativos que detêm. Enquanto um ETF tradicional pode acompanhar futuros de petróleo ou ações de tecnologia, um ETF de criptomoedas foca exclusivamente em investimentos relacionados com criptomoedas. Isto pode significar deter Bitcoin diretamente, outras criptomoedas ou derivados relacionados com criptomoedas, como contratos futuros.
Existem duas estruturas principais para ETFs de criptomoedas:
ETFs baseados em futuros de criptomoedas detêm contratos futuros de criptomoedas, em vez das próprias moedas. O BITO funciona desta forma — fornece exposição ao preço do Bitcoin através de contratos que acompanham os movimentos do BTC, sem que a ProShares possua Bitcoin físico. A SEC aprovou inicialmente esta estrutura para gerir preocupações regulatórias.
ETFs de criptomoedas à vista detêm realmente a criptomoeda subjacente. Por exemplo, o ETF Bitcoin da 21Shares (EBTC) apoia cada ação com Bitcoin real armazenado em contas Coinbase. Estes produtos à vista oferecem uma posse direta de criptomoedas através de um wrapper de ETF, embora estejam sujeitos a diferentes aprovações regulatórias dependendo do quadro de cada país.
Para além da posse direta de criptomoedas, alguns ETFs focam na indústria em si. Possuem ações de empresas cotadas que desenvolvem blockchain, operam em mineração ou infraestrutura financeira digital. Esta abordagem permite aos investidores obter exposição ao setor de criptomoedas sem possuir diretamente ativos digitais voláteis.
Como começar: como investir em ETFs de criptomoedas
A mecânica de comprar um ETF de criptomoedas é simples, especialmente se já estiver familiarizado com investimento em ações. Aqui está o processo típico:
Passo 1: Abra uma conta numa corretora que ofereça negociação de ETFs de criptomoedas. Complete os procedimentos padrão de verificação e aprovação.
Passo 2: Financia a sua conta através de transferência bancária ou pagamento com cartão de débito/crédito, tal como faria ao investir em ações.
Passo 3: Procure pelo ETF de criptomoeda desejado usando o seu símbolo de cotação (BITO, EBTC, BLOK, etc.) e adquira ações ao preço de mercado atual.
Passo 4: Mantenha a sua posição pagando a taxa de gestão do fundo, que normalmente varia entre 0,2% e 1,5% ao ano, dependendo do produto.
Passo 5: Venda quando desejar, durante o horário normal de mercado — sem períodos de bloqueio ou procedimentos complicados.
Esta acessibilidade representa uma grande vantagem face à posse direta de criptomoedas, onde gerir chaves privadas, navegar por trocas de criptomoedas e garantir a segurança é responsabilidade do investidor. Com os ETFs de criptomoedas, gestores profissionais tratam dessas questões técnicas.
Vantagens e riscos de investir em ETFs de criptomoedas
Como qualquer veículo de investimento, os ETFs de criptomoedas têm vantagens e desvantagens que vale a pena considerar cuidadosamente.
Vantagens principais:
Os ETFs de criptomoedas oferecem uma conveniência notável em comparação com a posse direta. Se já compreende a negociação de ações, pode negociar ETFs de criptomoedas através das mesmas contas e plataformas. Esta barreira de entrada mais baixa democratizou o acesso a ativos digitais para milhões de investidores.
A declaração de impostos é outra vantagem importante. A tributação de criptomoedas varia bastante entre jurisdições, com muitos países ainda a desenvolver quadros claros. Em contrapartida, os ETFs de criptomoedas funcionam como valores mobiliários regulados, com procedimentos padronizados de reporte fiscal, facilitando o cumprimento das autoridades fiscais e a declaração de ganhos ou perdas.
A diversificação de portefólio torna-se mais simples com ETFs de criptomoedas. Os investidores podem obter exposição ao setor de criptomoedas e blockchain sem gerir responsabilidades de autogestão ou preocupar-se com a segurança das chaves privadas. Isto permitiu que carteiras de retalho e institucionais incorporassem ativos digitais ao lado de investimentos tradicionais.
Desvantagens importantes:
A limitação mais significativa é a ausência de custódia direta. Embora o gestor do fundo possa manter criptomoedas em carteiras digitais, os acionistas do ETF nunca possuem realmente as moedas. Não podem transferi-las para protocolos DeFi, usá-las para pagamentos peer-to-peer ou alavancá-las em aplicações Web3. A sua exposição é puramente financeira, não prática.
Outro risco é o risco de contraparte. Quando não controla diretamente os ativos digitais, confia na capacidade do gestor do fundo de os armazenar e proteger corretamente. Mesmo empresas reputadas podem sofrer brechas de carteiras ou problemas técnicos que temporariamente impeçam o acesso aos ativos. A supervisão regulatória da SEC ajuda, mas não elimina totalmente este risco.
Podem também ocorrer discrepâncias de preço entre o valor real da criptomoeda e o preço de negociação do ETF. Como os valores dos ETFs derivam das participações do fundo e não do preço de mercado em tempo real, períodos de alta volatilidade podem criar situações em que os ETFs negociam com prémios ou descontos face ao valor real dos ativos subjacentes.
Opções populares de ETFs de criptomoedas e suas áreas de foco
O mercado de ETFs de criptomoedas já oferece várias opções, dependendo da sua tese de investimento:
ProShares Bitcoin ETF (BITO) continua a ser a opção mais reconhecida entre investidores americanos. Lançado em 2021, o BITO oferece exposição ao preço do Bitcoin através de contratos futuros. Embora não ofereça posse direta de Bitcoin, proporciona o potencial de valorização que investidores institucionais procuraram.
Amplify Transformational Data Sharing ETF (BLOK) adota uma abordagem diferente, investindo em empresas cotadas que constroem infraestrutura blockchain e operam plataformas de finanças digitais. As participações incluem Coinbase (uma grande bolsa de criptomoedas) e Marathon Digital Holdings (uma mineradora de Bitcoin líder).
VanEck Vectors Digital Transformation ETF (DAPP) também foca em empresas do setor de blockchain e cripto, em vez de criptomoedas diretamente. Este ETF detém posições em Coinbase, Riot Platforms (mineradora de Bitcoin) e Block (antiga Square), oferecendo exposição à economia digital emergente.
Valkyrie Bitcoin Miners ETF (WGMI) concentra-se especificamente em operações de mineração de Bitcoin, incluindo Hut 8, Riot Platforms e Hive Blockchain. Inclui também fabricantes de semicondutores como a AMD e a TSMC, capturando a cadeia de fornecimento de hardware que suporta a mineração.
Cada opção oferece diferentes perfis de risco e retorno, dependendo de querer exposição direta a criptomoedas, à infraestrutura do setor ou às operações de mineração.
Para além dos ETFs tradicionais: explorar os contratos perpétuos de criptomoedas como alternativa
Embora os ETFs de criptomoedas atendam bem a muitos investidores, existem veículos de negociação alternativos para quem procura características diferentes. Os contratos futuros perpétuos representam uma dessas opções. Ao contrário dos futuros tradicionais, que expiram em datas específicas, os contratos perpétuos permitem manter posições em criptomoedas indefinidamente, através de um mecanismo de taxas e reembolsos, sem datas de liquidação.
Para traders elegíveis interessados em alavancar contratos perpétuos com taxas mais baixas, plataformas como a dYdX oferecem oportunidades competitivas para comprar ou vender criptomoedas sem se preocupar com a expiração do contrato. Estes instrumentos atraem mais traders ativos do que investidores de buy-and-hold, oferecendo maior flexibilidade e custos potencialmente menores do que os ETFs.
A escolha entre ETFs de criptomoedas e produtos alternativos depende, em última análise, do seu horizonte de investimento, tolerância ao risco e se pretende uma exposição passiva ou uma participação ativa no trading. Para a maioria dos investidores que procuram uma exposição regulamentada e mainstream às criptomoedas, os ETFs de criptomoedas tornaram-se a opção preferida — e por boas razões.
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Compreender os ETFs de Criptomoedas: Um Guia Completo para a Exposição a Ativos Digitais
Quando a ProShares lançou o BITO em 2021, algo notável aconteceu: foram investidos 1 bilhão de dólares neste fundo negociado em bolsa de Bitcoin em apenas dois dias. Esta resposta de mercado sem precedentes revelou uma mudança fundamental na forma como os investidores tradicionais queriam aceder às criptomoedas — não através da posse direta, mas por meio de instrumentos financeiros regulamentados que já compreendiam. Hoje, compreender os ETFs de criptomoedas é essencial para qualquer investidor curioso sobre ativos digitais. Aqui está tudo o que precisa de saber sobre o que são os ETFs de criptomoedas, como funcionam e se se enquadram na sua estratégia de investimento.
Do avanço do BITO à expansão do mercado: o crescimento dos ETFs de criptomoedas
O sucesso do BITO mudou fundamentalmente o panorama do investimento. Nenhum outro fundo negociado em bolsa tinha capturado um interesse tão rápido dos investidores desde o lançamento do SPDR Gold Shares (GLD) em 2004. Esta procura explosiva refletiu uma tendência mais ampla: investidores tradicionais queriam exposição às criptomoedas sem a complexidade da autogestão ou das trocas.
De acordo com uma pesquisa da Bitwise, uma das principais gestoras de ETFs, 90% dos consultores financeiros atuais recebem perguntas de clientes sobre investir em ETFs de criptomoedas. Isto já não é um interesse de nicho — tornou-se parte das conversas padrão de investimento. A indústria financeira global respondeu criando dezenas de opções de ETFs de criptomoedas, cada uma desenhada para oferecer diferentes tipos de exposição ao ecossistema digital. O que começou como uma experiência audaciosa em 2021 evoluiu para uma classe de ativos mainstream, que merece uma análise cuidadosa.
A base: o que exatamente são os fundos negociados em bolsa?
Antes de mergulhar nos produtos específicos de criptomoedas, é importante entender a estrutura subjacente dos ETFs em geral. Um ETF é, essencialmente, uma cesta de ativos agrupados e oferecidos como um valor negociável. Pense nisso como possuir uma fatia de um portefólio gerido profissionalmente, sem precisar de comprar cada componente individual.
Assim funcionam os ETFs tradicionais na prática: uma firma financeira reúne participações — sejam commodities como ouro, ações de setores específicos ou obrigações — e depois emite ações dessa coleção. Essas ações negociam em bolsas reguladas, como a NYSE, durante o horário normal de mercado, tal como ações de empresas. Quando compra ações de um ETF, obtém exposição ao preço dos ativos que o fundo detém, sem precisar de possuir esses ativos diretamente. Por exemplo, um ETF de ouro como o SPDR Gold Trust oferece exposição ao preço do ouro sem precisar de armazenar barras físicas de ouro num cofre.
Como os ETFs negociam em bolsas reguladas supervisionadas por entidades como a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), devem seguir regras estritas de negociação de valores mobiliários. Este quadro regulatório oferece proteções aos investidores e transparência — uma forte diferença em relação à negociação direta de criptomoedas em plataformas não reguladas.
ETFs de criptomoedas explicados: como diferem dos ETFs tradicionais
Então, o que torna um ETF de criptomoedas diferente? A resposta é simples: os ativos que detêm. Enquanto um ETF tradicional pode acompanhar futuros de petróleo ou ações de tecnologia, um ETF de criptomoedas foca exclusivamente em investimentos relacionados com criptomoedas. Isto pode significar deter Bitcoin diretamente, outras criptomoedas ou derivados relacionados com criptomoedas, como contratos futuros.
Existem duas estruturas principais para ETFs de criptomoedas:
ETFs baseados em futuros de criptomoedas detêm contratos futuros de criptomoedas, em vez das próprias moedas. O BITO funciona desta forma — fornece exposição ao preço do Bitcoin através de contratos que acompanham os movimentos do BTC, sem que a ProShares possua Bitcoin físico. A SEC aprovou inicialmente esta estrutura para gerir preocupações regulatórias.
ETFs de criptomoedas à vista detêm realmente a criptomoeda subjacente. Por exemplo, o ETF Bitcoin da 21Shares (EBTC) apoia cada ação com Bitcoin real armazenado em contas Coinbase. Estes produtos à vista oferecem uma posse direta de criptomoedas através de um wrapper de ETF, embora estejam sujeitos a diferentes aprovações regulatórias dependendo do quadro de cada país.
Para além da posse direta de criptomoedas, alguns ETFs focam na indústria em si. Possuem ações de empresas cotadas que desenvolvem blockchain, operam em mineração ou infraestrutura financeira digital. Esta abordagem permite aos investidores obter exposição ao setor de criptomoedas sem possuir diretamente ativos digitais voláteis.
Como começar: como investir em ETFs de criptomoedas
A mecânica de comprar um ETF de criptomoedas é simples, especialmente se já estiver familiarizado com investimento em ações. Aqui está o processo típico:
Passo 1: Abra uma conta numa corretora que ofereça negociação de ETFs de criptomoedas. Complete os procedimentos padrão de verificação e aprovação.
Passo 2: Financia a sua conta através de transferência bancária ou pagamento com cartão de débito/crédito, tal como faria ao investir em ações.
Passo 3: Procure pelo ETF de criptomoeda desejado usando o seu símbolo de cotação (BITO, EBTC, BLOK, etc.) e adquira ações ao preço de mercado atual.
Passo 4: Mantenha a sua posição pagando a taxa de gestão do fundo, que normalmente varia entre 0,2% e 1,5% ao ano, dependendo do produto.
Passo 5: Venda quando desejar, durante o horário normal de mercado — sem períodos de bloqueio ou procedimentos complicados.
Esta acessibilidade representa uma grande vantagem face à posse direta de criptomoedas, onde gerir chaves privadas, navegar por trocas de criptomoedas e garantir a segurança é responsabilidade do investidor. Com os ETFs de criptomoedas, gestores profissionais tratam dessas questões técnicas.
Vantagens e riscos de investir em ETFs de criptomoedas
Como qualquer veículo de investimento, os ETFs de criptomoedas têm vantagens e desvantagens que vale a pena considerar cuidadosamente.
Vantagens principais:
Os ETFs de criptomoedas oferecem uma conveniência notável em comparação com a posse direta. Se já compreende a negociação de ações, pode negociar ETFs de criptomoedas através das mesmas contas e plataformas. Esta barreira de entrada mais baixa democratizou o acesso a ativos digitais para milhões de investidores.
A declaração de impostos é outra vantagem importante. A tributação de criptomoedas varia bastante entre jurisdições, com muitos países ainda a desenvolver quadros claros. Em contrapartida, os ETFs de criptomoedas funcionam como valores mobiliários regulados, com procedimentos padronizados de reporte fiscal, facilitando o cumprimento das autoridades fiscais e a declaração de ganhos ou perdas.
A diversificação de portefólio torna-se mais simples com ETFs de criptomoedas. Os investidores podem obter exposição ao setor de criptomoedas e blockchain sem gerir responsabilidades de autogestão ou preocupar-se com a segurança das chaves privadas. Isto permitiu que carteiras de retalho e institucionais incorporassem ativos digitais ao lado de investimentos tradicionais.
Desvantagens importantes:
A limitação mais significativa é a ausência de custódia direta. Embora o gestor do fundo possa manter criptomoedas em carteiras digitais, os acionistas do ETF nunca possuem realmente as moedas. Não podem transferi-las para protocolos DeFi, usá-las para pagamentos peer-to-peer ou alavancá-las em aplicações Web3. A sua exposição é puramente financeira, não prática.
Outro risco é o risco de contraparte. Quando não controla diretamente os ativos digitais, confia na capacidade do gestor do fundo de os armazenar e proteger corretamente. Mesmo empresas reputadas podem sofrer brechas de carteiras ou problemas técnicos que temporariamente impeçam o acesso aos ativos. A supervisão regulatória da SEC ajuda, mas não elimina totalmente este risco.
Podem também ocorrer discrepâncias de preço entre o valor real da criptomoeda e o preço de negociação do ETF. Como os valores dos ETFs derivam das participações do fundo e não do preço de mercado em tempo real, períodos de alta volatilidade podem criar situações em que os ETFs negociam com prémios ou descontos face ao valor real dos ativos subjacentes.
Opções populares de ETFs de criptomoedas e suas áreas de foco
O mercado de ETFs de criptomoedas já oferece várias opções, dependendo da sua tese de investimento:
ProShares Bitcoin ETF (BITO) continua a ser a opção mais reconhecida entre investidores americanos. Lançado em 2021, o BITO oferece exposição ao preço do Bitcoin através de contratos futuros. Embora não ofereça posse direta de Bitcoin, proporciona o potencial de valorização que investidores institucionais procuraram.
Amplify Transformational Data Sharing ETF (BLOK) adota uma abordagem diferente, investindo em empresas cotadas que constroem infraestrutura blockchain e operam plataformas de finanças digitais. As participações incluem Coinbase (uma grande bolsa de criptomoedas) e Marathon Digital Holdings (uma mineradora de Bitcoin líder).
VanEck Vectors Digital Transformation ETF (DAPP) também foca em empresas do setor de blockchain e cripto, em vez de criptomoedas diretamente. Este ETF detém posições em Coinbase, Riot Platforms (mineradora de Bitcoin) e Block (antiga Square), oferecendo exposição à economia digital emergente.
Valkyrie Bitcoin Miners ETF (WGMI) concentra-se especificamente em operações de mineração de Bitcoin, incluindo Hut 8, Riot Platforms e Hive Blockchain. Inclui também fabricantes de semicondutores como a AMD e a TSMC, capturando a cadeia de fornecimento de hardware que suporta a mineração.
Cada opção oferece diferentes perfis de risco e retorno, dependendo de querer exposição direta a criptomoedas, à infraestrutura do setor ou às operações de mineração.
Para além dos ETFs tradicionais: explorar os contratos perpétuos de criptomoedas como alternativa
Embora os ETFs de criptomoedas atendam bem a muitos investidores, existem veículos de negociação alternativos para quem procura características diferentes. Os contratos futuros perpétuos representam uma dessas opções. Ao contrário dos futuros tradicionais, que expiram em datas específicas, os contratos perpétuos permitem manter posições em criptomoedas indefinidamente, através de um mecanismo de taxas e reembolsos, sem datas de liquidação.
Para traders elegíveis interessados em alavancar contratos perpétuos com taxas mais baixas, plataformas como a dYdX oferecem oportunidades competitivas para comprar ou vender criptomoedas sem se preocupar com a expiração do contrato. Estes instrumentos atraem mais traders ativos do que investidores de buy-and-hold, oferecendo maior flexibilidade e custos potencialmente menores do que os ETFs.
A escolha entre ETFs de criptomoedas e produtos alternativos depende, em última análise, do seu horizonte de investimento, tolerância ao risco e se pretende uma exposição passiva ou uma participação ativa no trading. Para a maioria dos investidores que procuram uma exposição regulamentada e mainstream às criptomoedas, os ETFs de criptomoedas tornaram-se a opção preferida — e por boas razões.