Com a chegada de 2025, a antiga empresa de software de inteligência empresarial MicroStrategy já passou por uma transformação completa. 670.000 bitcoins — representando 3,2% da oferta global de bitcoins — não é apenas um número, mas a prova definitiva da mudança de estratégia desta empresa. Agora renomeada como Strategy Inc., ela evoluiu de uma empresa de tecnologia tradicional para uma “plataforma financeira estruturada em Bitcoin”. Mas, no quarto trimestre de 2025, quando a volatilidade do mercado aumenta e as regras regulatórias podem ser reescritas, a chamada “inovação financeira revolucionária” do fundador Michael Saylor enfrenta o maior teste desde seu início em 2020.
De empresa de software a instituição financeira de Bitcoin: a lógica da ambição
A transformação da MicroStrategy parece complexa, mas na verdade é um jogo financeiro relativamente simples. A lógica central é aproveitar o prêmio que o mercado concede às suas ações em relação ao valor líquido dos seus bitcoins, financiando continuamente a compra de mais bitcoins, formando um crescimento contínuo na quantidade de bitcoins por ação.
Este mecanismo funciona sob uma única premissa: o preço das ações da MSTR deve permanecer acima do seu valor real em bitcoins. Quando esse prêmio existe, a empresa pode usar o financiamento por ações para comprar mais bitcoins, e a quantidade de bitcoins por acionista aumenta — isso é conhecido como “motor de feedback positivo”. Preço das ações → emissão de novas ações para financiamento → compra de BTC → aumento do ativo → elevação adicional do preço das ações, formando um ciclo auto-reforçado.
Porém, esse motor tem uma condição fatal: o prêmio deve sempre existir. Assim que o prêmio desaparece, ou até se transforma em desconto, todo o modelo de financiamento colapsa instantaneamente.
De onde vem o dinheiro? A visão geral da matriz de financiamento em três camadas
Para entender como a MicroStrategy continua gastando dinheiro na compra de bitcoins, é preciso aprofundar-se no documento 8-K enviado à Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA. O modelo de financiamento da empresa evoluiu de uma simples emissão de dívida conversível para uma matriz de capital multidimensional.
Primeira camada: Plano ATM — a impressora de dinheiro do prêmio
A principal fonte de financiamento é seu plano de venda de ações ordinárias Classe A no mercado(At-the-Market, ATM). A lógica é simples: quando o preço das ações da MSTR supera o valor líquido dos bitcoins, a empresa vende novas ações no mercado aberto para levantar fundos e comprar BTC.
Na semana de 8 a 14 de dezembro de 2025, a MicroStrategy vendeu mais de 4,7 milhões de ações MSTR, arrecadando aproximadamente US$ 882 milhões de receita líquida. A atratividade dessa estratégia reside no fato de que — enquanto o prêmio existir — a emissão adicional não dilui os acionistas existentes, mas os “potencializa”.
Segunda camada: Matriz de ações preferenciais perpétuas — absorção de riscos escalonados
Em 2025, a MicroStrategy lançou uma série de ações preferenciais perpétuas para atrair investidores com diferentes perfis de risco. Na semana de dezembro, essas ações preferenciais levantaram US$ 82,2 milhões. Geralmente estruturadas como “retorno de capital” com dividendos, oferecem vantagens fiscais aos investidores — podendo adiar suas obrigações fiscais por pelo menos dez anos.
Terceira camada: “Plano 42/42” — uma aposta de US$ 8,4 bilhões
Atualmente, a MicroStrategy está executando seu maior plano de financiamento. Entre 2025 e 2027, planeja levantar US$ 4,2 bilhões por meio de financiamento de ações e mais US$ 4,2 bilhões por dívida, totalizando US$ 8,4 bilhões, todos destinados à compra de bitcoins. Este é um upgrade do anterior “Plano 21/21”, refletindo a alta confiança da gestão na captação de recursos no mercado de capitais.
Na prática, isso transforma a MicroStrategy em um fundo fechado de bitcoins alavancado, mas com a vantagem de uma estrutura de empresa listada, que lhe confere maior flexibilidade de financiamento do que fundos tradicionais.
Rumores de venda de bitcoins: o fim da especulação
Recentemente, circulou na mídia a notícia de que a MicroStrategy poderia vender seus bitcoins, mas dados on-chain e relatórios financeiros desmentem esses rumores.
Em meados de novembro e início de dezembro de 2025, ferramentas de monitoramento blockchain(como ArkhamIntelligence) detectaram uma grande movimentação de ativos de carteiras controladas pela MicroStrategy — cerca de 43.415 bitcoins( avaliados em aproximadamente US$ 4,26 bilhões) transferidos de endereços conhecidos para mais de 100 novos endereços. O mercado reagiu, e o bitcoin caiu abaixo de US$ 95.000.
No entanto, auditorias profissionais subsequentes e explicações da gestão esclareceram os fatos: não se trata de uma venda, mas de uma “rotação rotineira de custódia e carteiras”. Para reduzir o risco de crédito de um único custodiante(como Coinbase), a MicroStrategy dispersou seus ativos em mais endereços seguros. Segundo análises da Arkham, esse tipo de operação geralmente decorre de necessidades de segurança, e não de liquidação de ativos.
O CEO Michael Saylor reiterou várias vezes em entrevistas no Twitter e CNBC que “estamos comprando, e comprando em grande quantidade”. Como prova, na segunda semana de dezembro, a empresa adquiriu 10.645 bitcoins, a um preço médio de US$ 92.098 por bitcoin, respondendo de forma contundente aos rumores de venda.
Mais importante, o fundo de reserva de US$ 144 milhões( (USD Reserve)) da empresa confirma que ela não precisa vender bitcoins para pagar dividendos ou juros de dívidas, pois esse fundo cobre pelo menos 21 meses de despesas financeiras.
Negócio de software negligenciado pelo mercado
Apesar de toda atenção voltada às operações com bitcoins, o negócio de software da MicroStrategy continua sendo a base fundamental para manter sua identidade de empresa listada e cobrir custos operacionais diários.
No terceiro trimestre de 2025, a receita total do negócio de software atingiu US$ 128,7 milhões, um crescimento de 10,9% em relação ao ano anterior, superando as expectativas do mercado. A receita de assinaturas cresceu significativamente, mas, devido aos investimentos contínuos em IA e infraestrutura de nuvem, essa unidade não gerou fluxo de caixa operacional positivo no primeiro semestre de 2025. No terceiro trimestre, o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 45,61 milhões, indicando que a empresa ainda opera com prejuízo, e toda a acumulação de bitcoins depende de financiamento externo.
Desde 1º de janeiro de 2025, a MicroStrategy adotou a norma contábil ASU 2023-08, que exige reavaliação dos bitcoins pelo valor justo, com variações reconhecidas no lucro líquido do período. Isso provoca alta volatilidade nos lucros reportados.
No terceiro trimestre, com a alta do preço do bitcoin, a empresa registrou US$ 3,9 bilhões em ganhos não realizados, resultando em um lucro líquido trimestral de US$ 2,8 bilhões. Atualmente, o BTC oscila em torno de US$ 93,13 mil, com uma participação de mercado de 54,65%.
As três lâminas de espada penduradas
Embora o desenho financeiro complexo reduza o risco de liquidação forçada no curto prazo, a MicroStrategy ainda enfrenta alguns riscos sistêmicos que podem abalar suas bases.
Primeira lâmina: risco de exclusão do índice MSCI
A ameaça mais direta vem da revisão do MSCI. A MSCI propõe reclassificar empresas com mais de 50% de seus ativos em ativos digitais como “instrumentos de investimento” e não mais como “empresas operacionais”.
Como o bitcoin representa a maior parte dos ativos da MicroStrategy, se essa regra for adotada, a empresa será excluída do índice MSCI Global Investable Market Index(GIMI). Isso forçaria fundos passivos a vender ações no valor de US$ 2,8 bilhões a US$ 8,8 bilhões. Essa venda forçada pressionaria o preço das ações para baixo, reduzindo o prêmio de valor líquido da MSTR. Se o prêmio desaparecer ou virar desconto, o motor de feedback positivo de compra de bitcoin se apagará completamente.
Segunda lâmina: contração do prêmio de valor líquido e interrupção do financiamento
Toda a lógica de acumulação de ativos da MicroStrategy depende do mercado estar disposto a pagar um prêmio sobre seu valor líquido. No final de 2025, esse prêmio tornou-se altamente instável.
No início de dezembro, por receio de exclusão do índice, a MSTR negociava com um desconto de 11% em relação ao valor dos bitcoins que detém. Quando as ações negociam com desconto, qualquer novo financiamento de ações dilui o número de bitcoins por ação dos acionistas existentes. Isso pode forçar a pausa na acumulação de ativos ou até gerar dúvidas sobre a integridade dos ativos por parte dos credores.
Em setembro de 2025, a MicroStrategy suspendeu pela primeira vez seu plano ATM — demonstrando alta sensibilidade à avaliação de mercado.
Terceira lâmina: pressão da dívida e preço de liquidação teórico
Ao final do terceiro trimestre de 2025, a dívida total da MicroStrategy era de aproximadamente US$ 8,24 bilhões, com juros anuais de cerca de US$ 36,8 milhões e dividendos preferenciais de aproximadamente US$ 638,7 milhões.
Embora seus bonds conversíveis não tenham bitcoin como garantia, reduzindo o risco de liquidação imediata em uma forte queda de mercado, uma queda abrupta no preço do bitcoin colocaria à prova a capacidade de pagamento da empresa.
Conclusão: aposta de alto risco na incerteza
A situação da MicroStrategy no final de 2025 reflete claramente os desafios e oportunidades enfrentados por empresas que tentam romper as fronteiras do sistema financeiro tradicional. Sua intenção de continuar acumulando bitcoins permanece, e o fundo de US$ 144 milhões oferece uma camada de proteção contra possíveis crises de liquidez.
Porém, o maior risco da MicroStrategy não está na volatilidade do bitcoin, mas na sua ligação com o sistema financeiro tradicional — ou seja, sua posição no índice e o prêmio de valor líquido. Se instituições como MSCI decidirem excluí-la do universo de ações tradicionais, a MicroStrategy será forçada a provar aos investidores que, como uma “plataforma financeira estruturada apoiada em bitcoin”, ela consegue manter seu crescimento mesmo sem o fluxo passivo de fundos indexados.
Se o “Plano 42/42” será realizado conforme o planejado depende de se essa empresa consegue criar produtos atraentes continuamente para investidores institucionais durante sua transição difícil para o cloud computing de software.
Isso não é apenas uma experiência empresarial, mas um espelho de toda a fusão entre o setor de criptomoedas e o sistema financeiro tradicional. E na maior aposta de todas, a única certeza é que ninguém sabe qual será o desfecho dessa história.
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A ambição e o impasse da MicroStrategy: a luta pela sobrevivência de uma baleia com 6,7 milhões de Bitcoins
Com a chegada de 2025, a antiga empresa de software de inteligência empresarial MicroStrategy já passou por uma transformação completa. 670.000 bitcoins — representando 3,2% da oferta global de bitcoins — não é apenas um número, mas a prova definitiva da mudança de estratégia desta empresa. Agora renomeada como Strategy Inc., ela evoluiu de uma empresa de tecnologia tradicional para uma “plataforma financeira estruturada em Bitcoin”. Mas, no quarto trimestre de 2025, quando a volatilidade do mercado aumenta e as regras regulatórias podem ser reescritas, a chamada “inovação financeira revolucionária” do fundador Michael Saylor enfrenta o maior teste desde seu início em 2020.
De empresa de software a instituição financeira de Bitcoin: a lógica da ambição
A transformação da MicroStrategy parece complexa, mas na verdade é um jogo financeiro relativamente simples. A lógica central é aproveitar o prêmio que o mercado concede às suas ações em relação ao valor líquido dos seus bitcoins, financiando continuamente a compra de mais bitcoins, formando um crescimento contínuo na quantidade de bitcoins por ação.
Este mecanismo funciona sob uma única premissa: o preço das ações da MSTR deve permanecer acima do seu valor real em bitcoins. Quando esse prêmio existe, a empresa pode usar o financiamento por ações para comprar mais bitcoins, e a quantidade de bitcoins por acionista aumenta — isso é conhecido como “motor de feedback positivo”. Preço das ações → emissão de novas ações para financiamento → compra de BTC → aumento do ativo → elevação adicional do preço das ações, formando um ciclo auto-reforçado.
Porém, esse motor tem uma condição fatal: o prêmio deve sempre existir. Assim que o prêmio desaparece, ou até se transforma em desconto, todo o modelo de financiamento colapsa instantaneamente.
De onde vem o dinheiro? A visão geral da matriz de financiamento em três camadas
Para entender como a MicroStrategy continua gastando dinheiro na compra de bitcoins, é preciso aprofundar-se no documento 8-K enviado à Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA. O modelo de financiamento da empresa evoluiu de uma simples emissão de dívida conversível para uma matriz de capital multidimensional.
Primeira camada: Plano ATM — a impressora de dinheiro do prêmio
A principal fonte de financiamento é seu plano de venda de ações ordinárias Classe A no mercado(At-the-Market, ATM). A lógica é simples: quando o preço das ações da MSTR supera o valor líquido dos bitcoins, a empresa vende novas ações no mercado aberto para levantar fundos e comprar BTC.
Na semana de 8 a 14 de dezembro de 2025, a MicroStrategy vendeu mais de 4,7 milhões de ações MSTR, arrecadando aproximadamente US$ 882 milhões de receita líquida. A atratividade dessa estratégia reside no fato de que — enquanto o prêmio existir — a emissão adicional não dilui os acionistas existentes, mas os “potencializa”.
Segunda camada: Matriz de ações preferenciais perpétuas — absorção de riscos escalonados
Em 2025, a MicroStrategy lançou uma série de ações preferenciais perpétuas para atrair investidores com diferentes perfis de risco. Na semana de dezembro, essas ações preferenciais levantaram US$ 82,2 milhões. Geralmente estruturadas como “retorno de capital” com dividendos, oferecem vantagens fiscais aos investidores — podendo adiar suas obrigações fiscais por pelo menos dez anos.
Terceira camada: “Plano 42/42” — uma aposta de US$ 8,4 bilhões
Atualmente, a MicroStrategy está executando seu maior plano de financiamento. Entre 2025 e 2027, planeja levantar US$ 4,2 bilhões por meio de financiamento de ações e mais US$ 4,2 bilhões por dívida, totalizando US$ 8,4 bilhões, todos destinados à compra de bitcoins. Este é um upgrade do anterior “Plano 21/21”, refletindo a alta confiança da gestão na captação de recursos no mercado de capitais.
Na prática, isso transforma a MicroStrategy em um fundo fechado de bitcoins alavancado, mas com a vantagem de uma estrutura de empresa listada, que lhe confere maior flexibilidade de financiamento do que fundos tradicionais.
Rumores de venda de bitcoins: o fim da especulação
Recentemente, circulou na mídia a notícia de que a MicroStrategy poderia vender seus bitcoins, mas dados on-chain e relatórios financeiros desmentem esses rumores.
Em meados de novembro e início de dezembro de 2025, ferramentas de monitoramento blockchain(como ArkhamIntelligence) detectaram uma grande movimentação de ativos de carteiras controladas pela MicroStrategy — cerca de 43.415 bitcoins( avaliados em aproximadamente US$ 4,26 bilhões) transferidos de endereços conhecidos para mais de 100 novos endereços. O mercado reagiu, e o bitcoin caiu abaixo de US$ 95.000.
No entanto, auditorias profissionais subsequentes e explicações da gestão esclareceram os fatos: não se trata de uma venda, mas de uma “rotação rotineira de custódia e carteiras”. Para reduzir o risco de crédito de um único custodiante(como Coinbase), a MicroStrategy dispersou seus ativos em mais endereços seguros. Segundo análises da Arkham, esse tipo de operação geralmente decorre de necessidades de segurança, e não de liquidação de ativos.
O CEO Michael Saylor reiterou várias vezes em entrevistas no Twitter e CNBC que “estamos comprando, e comprando em grande quantidade”. Como prova, na segunda semana de dezembro, a empresa adquiriu 10.645 bitcoins, a um preço médio de US$ 92.098 por bitcoin, respondendo de forma contundente aos rumores de venda.
Mais importante, o fundo de reserva de US$ 144 milhões( (USD Reserve)) da empresa confirma que ela não precisa vender bitcoins para pagar dividendos ou juros de dívidas, pois esse fundo cobre pelo menos 21 meses de despesas financeiras.
Negócio de software negligenciado pelo mercado
Apesar de toda atenção voltada às operações com bitcoins, o negócio de software da MicroStrategy continua sendo a base fundamental para manter sua identidade de empresa listada e cobrir custos operacionais diários.
No terceiro trimestre de 2025, a receita total do negócio de software atingiu US$ 128,7 milhões, um crescimento de 10,9% em relação ao ano anterior, superando as expectativas do mercado. A receita de assinaturas cresceu significativamente, mas, devido aos investimentos contínuos em IA e infraestrutura de nuvem, essa unidade não gerou fluxo de caixa operacional positivo no primeiro semestre de 2025. No terceiro trimestre, o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 45,61 milhões, indicando que a empresa ainda opera com prejuízo, e toda a acumulação de bitcoins depende de financiamento externo.
Desde 1º de janeiro de 2025, a MicroStrategy adotou a norma contábil ASU 2023-08, que exige reavaliação dos bitcoins pelo valor justo, com variações reconhecidas no lucro líquido do período. Isso provoca alta volatilidade nos lucros reportados.
No terceiro trimestre, com a alta do preço do bitcoin, a empresa registrou US$ 3,9 bilhões em ganhos não realizados, resultando em um lucro líquido trimestral de US$ 2,8 bilhões. Atualmente, o BTC oscila em torno de US$ 93,13 mil, com uma participação de mercado de 54,65%.
As três lâminas de espada penduradas
Embora o desenho financeiro complexo reduza o risco de liquidação forçada no curto prazo, a MicroStrategy ainda enfrenta alguns riscos sistêmicos que podem abalar suas bases.
Primeira lâmina: risco de exclusão do índice MSCI
A ameaça mais direta vem da revisão do MSCI. A MSCI propõe reclassificar empresas com mais de 50% de seus ativos em ativos digitais como “instrumentos de investimento” e não mais como “empresas operacionais”.
Como o bitcoin representa a maior parte dos ativos da MicroStrategy, se essa regra for adotada, a empresa será excluída do índice MSCI Global Investable Market Index(GIMI). Isso forçaria fundos passivos a vender ações no valor de US$ 2,8 bilhões a US$ 8,8 bilhões. Essa venda forçada pressionaria o preço das ações para baixo, reduzindo o prêmio de valor líquido da MSTR. Se o prêmio desaparecer ou virar desconto, o motor de feedback positivo de compra de bitcoin se apagará completamente.
Segunda lâmina: contração do prêmio de valor líquido e interrupção do financiamento
Toda a lógica de acumulação de ativos da MicroStrategy depende do mercado estar disposto a pagar um prêmio sobre seu valor líquido. No final de 2025, esse prêmio tornou-se altamente instável.
No início de dezembro, por receio de exclusão do índice, a MSTR negociava com um desconto de 11% em relação ao valor dos bitcoins que detém. Quando as ações negociam com desconto, qualquer novo financiamento de ações dilui o número de bitcoins por ação dos acionistas existentes. Isso pode forçar a pausa na acumulação de ativos ou até gerar dúvidas sobre a integridade dos ativos por parte dos credores.
Em setembro de 2025, a MicroStrategy suspendeu pela primeira vez seu plano ATM — demonstrando alta sensibilidade à avaliação de mercado.
Terceira lâmina: pressão da dívida e preço de liquidação teórico
Ao final do terceiro trimestre de 2025, a dívida total da MicroStrategy era de aproximadamente US$ 8,24 bilhões, com juros anuais de cerca de US$ 36,8 milhões e dividendos preferenciais de aproximadamente US$ 638,7 milhões.
Embora seus bonds conversíveis não tenham bitcoin como garantia, reduzindo o risco de liquidação imediata em uma forte queda de mercado, uma queda abrupta no preço do bitcoin colocaria à prova a capacidade de pagamento da empresa.
Conclusão: aposta de alto risco na incerteza
A situação da MicroStrategy no final de 2025 reflete claramente os desafios e oportunidades enfrentados por empresas que tentam romper as fronteiras do sistema financeiro tradicional. Sua intenção de continuar acumulando bitcoins permanece, e o fundo de US$ 144 milhões oferece uma camada de proteção contra possíveis crises de liquidez.
Porém, o maior risco da MicroStrategy não está na volatilidade do bitcoin, mas na sua ligação com o sistema financeiro tradicional — ou seja, sua posição no índice e o prêmio de valor líquido. Se instituições como MSCI decidirem excluí-la do universo de ações tradicionais, a MicroStrategy será forçada a provar aos investidores que, como uma “plataforma financeira estruturada apoiada em bitcoin”, ela consegue manter seu crescimento mesmo sem o fluxo passivo de fundos indexados.
Se o “Plano 42/42” será realizado conforme o planejado depende de se essa empresa consegue criar produtos atraentes continuamente para investidores institucionais durante sua transição difícil para o cloud computing de software.
Isso não é apenas uma experiência empresarial, mas um espelho de toda a fusão entre o setor de criptomoedas e o sistema financeiro tradicional. E na maior aposta de todas, a única certeza é que ninguém sabe qual será o desfecho dessa história.