O panorama regulatório para ativos digitais está passando por uma reestruturação fundamental. Na Conferência de Fintech de 12 de novembro, organizada pelo Federal Reserve Bank de Filadélfia, o Presidente da SEC, Paul Atkins, revelou uma abordagem inovadora para a classificação de tokens que tenta equilibrar clareza regulatória com o impulso à inovação. A estrutura proposta, baseada na análise do Teste de Howey, introduz um sistema de categorização em quatro níveis, projetado para distinguir entre ativos que requerem regulação de valores mobiliários e aqueles isentos da supervisão da SEC.
Análise da Categorização de Tokens em Quatro Níveis
O modelo de classificação segmenta os tokens digitais em categorias distintas com base nas suas características funcionais. O primeiro nível inclui tokens de rede e commodities digitais vinculados à infraestrutura descentralizada—estes operam sem as características de contratos de investimento e ficariam fora dos quadros tradicionais de valores mobiliários. A segunda categoria cobre colecionáveis digitais, incluindo arte, ativos de jogos e criações não fungíveis semelhantes que não oferecem promessa de investimento.
Utilitários digitais compõem o terceiro nível de classificação, abrangendo tokens de associação, passes de acesso a eventos e instrumentos similares que fornecem serviços específicos, em vez de retornos financeiros. O quarto e último nível consiste em valores mobiliários tokenizados—instrumentos que funcionam como contratos de investimento, concedendo participações financeiras em projetos ou empresas. Apenas esta última categoria permaneceria sujeita à aplicação da lei e à fiscalização da SEC, de acordo com as declarações de Atkins.
O Limite da Descentralização: Quando Valores Mobiliários Se Tornam Outra Coisa
Um dos aspectos mais inovadores da estrutura aborda como os tokens transitam entre categorias regulatórias. Atkins destacou que um ativo inicialmente estruturado como valor mobiliário pode deixar de ser classificado assim uma vez que o projeto subjacente atinja uma verdadeira descentralização e o envolvimento do emissor diminua substancialmente. “A conclusão de uma relação de contrato de investimento não interrompe a negociação do token, mas transações subsequentes deixam de se qualificar automaticamente como ‘transações de valores mobiliários’ apenas devido à classificação original do token”, explicou Atkins.
Essa perspectiva reconhece as realidades de mercado, onde projetos como Bitcoin e Ethereum evoluíram além de suas estruturas iniciais de oferta, tornando-se protocolos de ecossistema ao invés de veículos de investimento dependentes de ações do emissor.
Caminho Multi-Regulatório: Flexibilidade Entre Jurisdições
A estrutura permite que certos tokens sejam negociados em plataformas reguladas por autoridades alternativas—especificamente a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) ou reguladores estaduais—ao invés de restringir toda a negociação a ambientes supervisionados pela SEC. Essa abordagem de múltiplos caminhos visa harmonizar eficiência regulatória com a escolha do investidor. “Restringir ativos a um único ambiente regulatório cria atritos desnecessários e suprime o avanço tecnológico junto às opções dos investidores”, afirmou Atkins, sinalizando a intenção da SEC de evitar estruturas excessivamente restritivas.
Reforço Legislativo Através de Ação do Congresso
Essa abordagem administrativa funciona em paralelo com esforços legislativos atualmente em andamento no Congresso. O Projeto de Lei de Estrutura do Mercado de Ativos Digitais, que avança tanto no Senado quanto na Câmara, designaria formalmente as principais criptomoedas como commodities digitais sob a autoridade da CFTC, e não sob a jurisdição da SEC. A legislação também exigiria a separação estrutural das operações de negociação, custódia e corretagem dentro das exchanges de criptomoedas, criando firewalls institucionais mais claros.
Clareza na Fiscalização Permanece Inquestionável
Atkins destacou que a estrutura de taxonomia não sinaliza um enfraquecimento na postura de fiscalização. Esquemas fraudulentos e atividades de manipulação de mercado continuariam a enfrentar uma rigorosa ação da SEC. “Clareza e integridade permanecem nossas prioridades de fiscalização”, afirmou, confirmando que as atualizações na classificação representam uma modernização regulatória, não uma retração.
Implicações Institucionais Mais Amplas
A iniciativa Projeto Crypto da SEC, criada para atualizar sistematicamente a abordagem da agência em relação aos ativos digitais, operacionalizará essas novas diretrizes em áreas como fiscalização, emissão de cartas de não-ação e documentos orientadores. Os stakeholders do setor receberam amplamente a estrutura de forma positiva, considerando-a um progresso significativo rumo a estruturas regulatórias previsíveis. A criação de taxonomias claras pode fornecer modelos para reguladores internacionais que enfrentam desafios semelhantes de classificação em diferentes jurisdições.
Ao estabelecer essa estrutura baseada em evidências, a SEC busca criar limites sustentáveis—protegendo os interesses dos investidores sem impor barreiras artificiais ao desenvolvimento tecnológico e à inovação de mercado que têm definido a evolução dos ativos digitais.
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
Como o Quadro de Classificação da SEC Procura Harmonizar a Supervisão de Ativos Digitais com o Crescimento do Mercado
O panorama regulatório para ativos digitais está passando por uma reestruturação fundamental. Na Conferência de Fintech de 12 de novembro, organizada pelo Federal Reserve Bank de Filadélfia, o Presidente da SEC, Paul Atkins, revelou uma abordagem inovadora para a classificação de tokens que tenta equilibrar clareza regulatória com o impulso à inovação. A estrutura proposta, baseada na análise do Teste de Howey, introduz um sistema de categorização em quatro níveis, projetado para distinguir entre ativos que requerem regulação de valores mobiliários e aqueles isentos da supervisão da SEC.
Análise da Categorização de Tokens em Quatro Níveis
O modelo de classificação segmenta os tokens digitais em categorias distintas com base nas suas características funcionais. O primeiro nível inclui tokens de rede e commodities digitais vinculados à infraestrutura descentralizada—estes operam sem as características de contratos de investimento e ficariam fora dos quadros tradicionais de valores mobiliários. A segunda categoria cobre colecionáveis digitais, incluindo arte, ativos de jogos e criações não fungíveis semelhantes que não oferecem promessa de investimento.
Utilitários digitais compõem o terceiro nível de classificação, abrangendo tokens de associação, passes de acesso a eventos e instrumentos similares que fornecem serviços específicos, em vez de retornos financeiros. O quarto e último nível consiste em valores mobiliários tokenizados—instrumentos que funcionam como contratos de investimento, concedendo participações financeiras em projetos ou empresas. Apenas esta última categoria permaneceria sujeita à aplicação da lei e à fiscalização da SEC, de acordo com as declarações de Atkins.
O Limite da Descentralização: Quando Valores Mobiliários Se Tornam Outra Coisa
Um dos aspectos mais inovadores da estrutura aborda como os tokens transitam entre categorias regulatórias. Atkins destacou que um ativo inicialmente estruturado como valor mobiliário pode deixar de ser classificado assim uma vez que o projeto subjacente atinja uma verdadeira descentralização e o envolvimento do emissor diminua substancialmente. “A conclusão de uma relação de contrato de investimento não interrompe a negociação do token, mas transações subsequentes deixam de se qualificar automaticamente como ‘transações de valores mobiliários’ apenas devido à classificação original do token”, explicou Atkins.
Essa perspectiva reconhece as realidades de mercado, onde projetos como Bitcoin e Ethereum evoluíram além de suas estruturas iniciais de oferta, tornando-se protocolos de ecossistema ao invés de veículos de investimento dependentes de ações do emissor.
Caminho Multi-Regulatório: Flexibilidade Entre Jurisdições
A estrutura permite que certos tokens sejam negociados em plataformas reguladas por autoridades alternativas—especificamente a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) ou reguladores estaduais—ao invés de restringir toda a negociação a ambientes supervisionados pela SEC. Essa abordagem de múltiplos caminhos visa harmonizar eficiência regulatória com a escolha do investidor. “Restringir ativos a um único ambiente regulatório cria atritos desnecessários e suprime o avanço tecnológico junto às opções dos investidores”, afirmou Atkins, sinalizando a intenção da SEC de evitar estruturas excessivamente restritivas.
Reforço Legislativo Através de Ação do Congresso
Essa abordagem administrativa funciona em paralelo com esforços legislativos atualmente em andamento no Congresso. O Projeto de Lei de Estrutura do Mercado de Ativos Digitais, que avança tanto no Senado quanto na Câmara, designaria formalmente as principais criptomoedas como commodities digitais sob a autoridade da CFTC, e não sob a jurisdição da SEC. A legislação também exigiria a separação estrutural das operações de negociação, custódia e corretagem dentro das exchanges de criptomoedas, criando firewalls institucionais mais claros.
Clareza na Fiscalização Permanece Inquestionável
Atkins destacou que a estrutura de taxonomia não sinaliza um enfraquecimento na postura de fiscalização. Esquemas fraudulentos e atividades de manipulação de mercado continuariam a enfrentar uma rigorosa ação da SEC. “Clareza e integridade permanecem nossas prioridades de fiscalização”, afirmou, confirmando que as atualizações na classificação representam uma modernização regulatória, não uma retração.
Implicações Institucionais Mais Amplas
A iniciativa Projeto Crypto da SEC, criada para atualizar sistematicamente a abordagem da agência em relação aos ativos digitais, operacionalizará essas novas diretrizes em áreas como fiscalização, emissão de cartas de não-ação e documentos orientadores. Os stakeholders do setor receberam amplamente a estrutura de forma positiva, considerando-a um progresso significativo rumo a estruturas regulatórias previsíveis. A criação de taxonomias claras pode fornecer modelos para reguladores internacionais que enfrentam desafios semelhantes de classificação em diferentes jurisdições.
Ao estabelecer essa estrutura baseada em evidências, a SEC busca criar limites sustentáveis—protegendo os interesses dos investidores sem impor barreiras artificiais ao desenvolvimento tecnológico e à inovação de mercado que têm definido a evolução dos ativos digitais.