Como uma pessoa pode perder 20 bilhões de dólares em 48 horas
Em março de 2021, Wall Street viveu um choque. Um gestor de fundo de private equity chamado Bill Hwang tornou-se a pessoa que mais rapidamente perdeu dinheiro na história recente, em apenas dois dias. Sua história não se deve à estupidez, mas sim ao risco de cauda negra amplificado pelo uso de alavancagem financeira. A lógica de investimento de Hwang era simples: escolher empresas promissoras e ampliar os lucros através de financiamento com alavancagem. Essa estratégia permitiu que ele aumentasse seus ativos de 2,2 milhões de dólares para 200 bilhões em 10 anos. Mas, quando a volatilidade do mercado atingiu seu pico, a cadeia de chamadas de margem e liquidações instantaneamente destruiu tudo.
Por que aconteceu essa tragédia? Para entender a história de Bill Hwang, primeiro é preciso compreender o que é financiamento, o que é uma chamada de margem e quanto se pode perder com uma liquidação.
O que é financiamento? Por que ele pode gerar chamadas de margem
A lógica do financiamento é bastante direta: você acredita que uma ação vai subir, mas não tem fundos suficientes. Então, você toma dinheiro emprestado de uma corretora para aumentar sua posição. No mercado de ações de Taiwan, por exemplo, normalmente o investidor fornece 40% do valor, e a corretora empresta os 60% restantes, formando uma compra a crédito.
À primeira vista, parece ótimo. Suponha que a ação da Apple esteja a 150 dólares por ação, e você só tenha 50 dólares. Com financiamento, a corretora empresta 100 dólares para você comprar. Quando a ação sobe para 160 dólares, você vende, paga os 100 dólares de volta à corretora com juros, e fica com um lucro líquido de 59,5 dólares, o que representa um retorno de 19%, muito superior ao aumento real da ação de 6,7%.
Por outro lado, as ações também podem cair. Quando a ação da Apple cai para 78 dólares, a corretora exige que você deposite mais garantias (chamada de margem de manutenção), para assegurar que você possa pagar a dívida. Se você não conseguir aportar esse valor, a corretora tem o direito de vender suas ações automaticamente. Essa é uma chamada de margem.
Do ponto de vista numérico, a margem de manutenção é um indicador-chave de risco de liquidação. Quando o preço da ação cai de 100 para 60 dólares, a margem de manutenção de 167% (100/60) é atingida. Quando a margem cai para 130% (que ocorre com o preço de 78 dólares), a liquidação é acionada. A corretora não vai esperar por um comprador disposto a pagar um preço alto, ela simplesmente vende imediatamente pelo melhor preço disponível.
Quanto se pode perder numa liquidação por margem
Voltando ao caso de Bill Hwang. Ele tinha uma quantidade enorme de ações, e quando a liquidação forçada foi acionada, o mercado não tinha compradores suficientes para absorver todas as ações vendidas. O preço caiu abruptamente, provocando a liquidação de outros investidores com margem, criando um efeito dominó. Todas as ações que ele possuía sofreram uma queda significativa em pouco tempo, algumas até abaixo de níveis de suporte, dificultando uma recuperação.
Especificamente, a perda na liquidação por margem depende de três fatores:
Primeiro, o nível de alavancagem. Quanto maior a alavancagem, maior será a perda para uma mesma queda no preço. Bill Hwang usava uma alavancagem extremamente alta, o que explica seu crescimento de patrimônio em 10 anos e também sua rápida ruína quando o mercado virou.
Segundo, o quão profundo já está o preço quando a liquidação é acionada. Se a margem de manutenção de 167% cai para 130%, e a liquidação é acionada, você já perdeu mais de 20%. Mas se o mercado tiver baixa liquidez e o preço continuar caindo 5% ou 10% após a liquidação, a perda será ainda maior.
Terceiro, se você possui uma margem de segurança suficiente em sua conta. Se houver fundos ociosos, é possível aportar garantias adicionais na hora da chamada de margem, adiando ou até evitando a liquidação. Mas se sua conta estiver cheia de posições e você não puder aportar mais dinheiro, a liquidação será automática.
Um exemplo simples: você compra uma ação a 100 com 40% de capital próprio e 60% de financiamento. Se o preço cair para 78, você já enfrenta uma perda de 22%. Se, durante a liquidação, o preço continuar caindo para 75 ou 70, a perda total pode chegar a 25% a 30%. Para posições alavancadas, isso pode significar uma perda de 50% a 75% do capital inicial.
Como a liquidação por margem afeta o movimento do mercado
A liquidação tem um impacto sistêmico no mercado. Quando uma ação cai bastante e aciona a chamada de margem, muitos investidores têm suas ações vendidas sem considerar o custo, apenas para cumprir a obrigação. Essas ações entram na mão de investidores de varejo, que tendem a ser mais impulsivos e de visão curta, comprando ou vendendo com base em movimentos de curto prazo, o que aumenta ainda mais a volatilidade. Grandes fundos, ao perceberem o caos, tendem a se afastar até que surjam sinais de recuperação, aguardando notícias positivas.
Isso cria um ciclo vicioso: liquidação → ações entram na mão de varejo → fluxo de ordens desordenado → fundos grandes se afastam → preço continua caindo.
Como usar financiamento de forma segura e evitar a armadilha da liquidação
O financiamento em si não é o mal, o problema está na forma de uso.
Escolha ativos com alta liquidez. A lição de Bill Hwang é: quando uma posição é liquidada, quanto maior o valor de mercado e menor a liquidez, maior será o impacto no preço. Portanto, ao usar financiamento, prefira ações de grande capitalização e alta liquidez, garantindo que, em caso de liquidação, haja compradores suficientes.
Calcule se o custo do financiamento vale a pena. O financiamento gera juros. Se a ação paga um dividendo de 2% ao ano e o custo do financiamento também é 2%, mesmo que o preço não se mova, você já está perdendo na conta de juros. É importante calcular se o potencial de ganho compensa o custo do financiamento.
Tenha cuidado com zonas de resistência e suporte. Quando uma ação está em uma zona de resistência e não consegue ultrapassá-la, o financiamento pode gerar custos contínuos de juros. O ideal é encerrar posições nessas áreas. Da mesma forma, se o preço rompe um suporte, é prudente fazer stop-loss imediatamente. Espere por uma tendência clara antes de operar novamente.
Mantenha uma reserva de caixa. Se usar financiamento, não deixe sua conta cheia de posições. Reserve 10% a 20% em dinheiro para poder aportar garantias adicionais na hora da chamada de margem, evitando assim uma liquidação forçada.
Conclusão: a alavancagem é uma faca de dois gumes
O financiamento com alavancagem pode ampliar ganhos e acelerar a acumulação de riqueza, mas também aumenta o risco de perdas rápidas. Bill Hwang, de gestor de 200 bilhões de dólares, virou vítima de uma liquidação em 48 horas, nos ensinando uma dura verdade: operar com alta alavancagem sem disciplina é uma receita para a ruína.
Quanto se pode perder numa liquidação por margem? A resposta depende do nível de alavancagem, do momento em que ela é acionada e se há uma reserva de caixa. A melhor estratégia de defesa é usar o financiamento com moderação, escolher ativos líquidos, calcular custos, manter dinheiro reserva e seguir rigorosamente stop-loss e take-profit. Operar com disciplina é a única forma de vencer no mercado a longo prazo.
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Quanto se perde ao liquidar uma posição de financiamento? Começando pelas lições do prejuízo de 20 bilhões de dólares de Bill Hwang
Como uma pessoa pode perder 20 bilhões de dólares em 48 horas
Em março de 2021, Wall Street viveu um choque. Um gestor de fundo de private equity chamado Bill Hwang tornou-se a pessoa que mais rapidamente perdeu dinheiro na história recente, em apenas dois dias. Sua história não se deve à estupidez, mas sim ao risco de cauda negra amplificado pelo uso de alavancagem financeira. A lógica de investimento de Hwang era simples: escolher empresas promissoras e ampliar os lucros através de financiamento com alavancagem. Essa estratégia permitiu que ele aumentasse seus ativos de 2,2 milhões de dólares para 200 bilhões em 10 anos. Mas, quando a volatilidade do mercado atingiu seu pico, a cadeia de chamadas de margem e liquidações instantaneamente destruiu tudo.
Por que aconteceu essa tragédia? Para entender a história de Bill Hwang, primeiro é preciso compreender o que é financiamento, o que é uma chamada de margem e quanto se pode perder com uma liquidação.
O que é financiamento? Por que ele pode gerar chamadas de margem
A lógica do financiamento é bastante direta: você acredita que uma ação vai subir, mas não tem fundos suficientes. Então, você toma dinheiro emprestado de uma corretora para aumentar sua posição. No mercado de ações de Taiwan, por exemplo, normalmente o investidor fornece 40% do valor, e a corretora empresta os 60% restantes, formando uma compra a crédito.
À primeira vista, parece ótimo. Suponha que a ação da Apple esteja a 150 dólares por ação, e você só tenha 50 dólares. Com financiamento, a corretora empresta 100 dólares para você comprar. Quando a ação sobe para 160 dólares, você vende, paga os 100 dólares de volta à corretora com juros, e fica com um lucro líquido de 59,5 dólares, o que representa um retorno de 19%, muito superior ao aumento real da ação de 6,7%.
Por outro lado, as ações também podem cair. Quando a ação da Apple cai para 78 dólares, a corretora exige que você deposite mais garantias (chamada de margem de manutenção), para assegurar que você possa pagar a dívida. Se você não conseguir aportar esse valor, a corretora tem o direito de vender suas ações automaticamente. Essa é uma chamada de margem.
Do ponto de vista numérico, a margem de manutenção é um indicador-chave de risco de liquidação. Quando o preço da ação cai de 100 para 60 dólares, a margem de manutenção de 167% (100/60) é atingida. Quando a margem cai para 130% (que ocorre com o preço de 78 dólares), a liquidação é acionada. A corretora não vai esperar por um comprador disposto a pagar um preço alto, ela simplesmente vende imediatamente pelo melhor preço disponível.
Quanto se pode perder numa liquidação por margem
Voltando ao caso de Bill Hwang. Ele tinha uma quantidade enorme de ações, e quando a liquidação forçada foi acionada, o mercado não tinha compradores suficientes para absorver todas as ações vendidas. O preço caiu abruptamente, provocando a liquidação de outros investidores com margem, criando um efeito dominó. Todas as ações que ele possuía sofreram uma queda significativa em pouco tempo, algumas até abaixo de níveis de suporte, dificultando uma recuperação.
Especificamente, a perda na liquidação por margem depende de três fatores:
Primeiro, o nível de alavancagem. Quanto maior a alavancagem, maior será a perda para uma mesma queda no preço. Bill Hwang usava uma alavancagem extremamente alta, o que explica seu crescimento de patrimônio em 10 anos e também sua rápida ruína quando o mercado virou.
Segundo, o quão profundo já está o preço quando a liquidação é acionada. Se a margem de manutenção de 167% cai para 130%, e a liquidação é acionada, você já perdeu mais de 20%. Mas se o mercado tiver baixa liquidez e o preço continuar caindo 5% ou 10% após a liquidação, a perda será ainda maior.
Terceiro, se você possui uma margem de segurança suficiente em sua conta. Se houver fundos ociosos, é possível aportar garantias adicionais na hora da chamada de margem, adiando ou até evitando a liquidação. Mas se sua conta estiver cheia de posições e você não puder aportar mais dinheiro, a liquidação será automática.
Um exemplo simples: você compra uma ação a 100 com 40% de capital próprio e 60% de financiamento. Se o preço cair para 78, você já enfrenta uma perda de 22%. Se, durante a liquidação, o preço continuar caindo para 75 ou 70, a perda total pode chegar a 25% a 30%. Para posições alavancadas, isso pode significar uma perda de 50% a 75% do capital inicial.
Como a liquidação por margem afeta o movimento do mercado
A liquidação tem um impacto sistêmico no mercado. Quando uma ação cai bastante e aciona a chamada de margem, muitos investidores têm suas ações vendidas sem considerar o custo, apenas para cumprir a obrigação. Essas ações entram na mão de investidores de varejo, que tendem a ser mais impulsivos e de visão curta, comprando ou vendendo com base em movimentos de curto prazo, o que aumenta ainda mais a volatilidade. Grandes fundos, ao perceberem o caos, tendem a se afastar até que surjam sinais de recuperação, aguardando notícias positivas.
Isso cria um ciclo vicioso: liquidação → ações entram na mão de varejo → fluxo de ordens desordenado → fundos grandes se afastam → preço continua caindo.
Como usar financiamento de forma segura e evitar a armadilha da liquidação
O financiamento em si não é o mal, o problema está na forma de uso.
Escolha ativos com alta liquidez. A lição de Bill Hwang é: quando uma posição é liquidada, quanto maior o valor de mercado e menor a liquidez, maior será o impacto no preço. Portanto, ao usar financiamento, prefira ações de grande capitalização e alta liquidez, garantindo que, em caso de liquidação, haja compradores suficientes.
Calcule se o custo do financiamento vale a pena. O financiamento gera juros. Se a ação paga um dividendo de 2% ao ano e o custo do financiamento também é 2%, mesmo que o preço não se mova, você já está perdendo na conta de juros. É importante calcular se o potencial de ganho compensa o custo do financiamento.
Tenha cuidado com zonas de resistência e suporte. Quando uma ação está em uma zona de resistência e não consegue ultrapassá-la, o financiamento pode gerar custos contínuos de juros. O ideal é encerrar posições nessas áreas. Da mesma forma, se o preço rompe um suporte, é prudente fazer stop-loss imediatamente. Espere por uma tendência clara antes de operar novamente.
Mantenha uma reserva de caixa. Se usar financiamento, não deixe sua conta cheia de posições. Reserve 10% a 20% em dinheiro para poder aportar garantias adicionais na hora da chamada de margem, evitando assim uma liquidação forçada.
Conclusão: a alavancagem é uma faca de dois gumes
O financiamento com alavancagem pode ampliar ganhos e acelerar a acumulação de riqueza, mas também aumenta o risco de perdas rápidas. Bill Hwang, de gestor de 200 bilhões de dólares, virou vítima de uma liquidação em 48 horas, nos ensinando uma dura verdade: operar com alta alavancagem sem disciplina é uma receita para a ruína.
Quanto se pode perder numa liquidação por margem? A resposta depende do nível de alavancagem, do momento em que ela é acionada e se há uma reserva de caixa. A melhor estratégia de defesa é usar o financiamento com moderação, escolher ativos líquidos, calcular custos, manter dinheiro reserva e seguir rigorosamente stop-loss e take-profit. Operar com disciplina é a única forma de vencer no mercado a longo prazo.