Lógica de investimento em ambiente de inflação: dominar a alocação de ativos para resolver a crise do poder de compra

O que é a inflação? Por que ela continua a nos preocupar?

Nos últimos anos, os preços globais têm aumentado continuamente, e muitos países enfrentam pressões inflacionárias. Simplificando, a inflação é um período em que os preços de bens e serviços aumentam constantemente, levando a uma diminuição gradual do poder de compra do dinheiro — numa linguagem mais simples, é o “dinheiro que vale cada vez menos”.

O principal indicador para medir o nível de inflação é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), quanto maior esse número, maior a inflação.

Como se forma a inflação? Quatro fatores principais que não podem ser ignorados

A causa fundamental da inflação está na quantidade de moeda em circulação no mercado que excede a produção real da economia, ou seja, há excesso de dinheiro perseguindo uma quantidade limitada de bens. Especificamente, há alguns fatores que impulsionam isso:

Demanda agregada

Quando os consumidores aumentam a demanda por bens, isso leva as empresas a aumentarem a produção e a elevarem os preços. Com lucros maiores, as empresas expandem o consumo, criando um ciclo virtuoso. Embora esse tipo de inflação eleve os preços, também impulsiona o crescimento econômico (aumento do PIB), o que é bem visto pelos governos.

Aumento dos custos

O aumento nos preços de matérias-primas e energia eleva diretamente os custos de produção. Um exemplo clássico foi durante o conflito Rússia-Ucrânia — a escassez de energia na Europa, com preços de energia multiplicados por dez, levou o CPI da zona do euro a crescer mais de 10% ao ano, atingindo um recorde histórico. Contudo, esse tipo de inflação costuma reduzir a produção econômica e encolher o GDP, o que geralmente não é desejado pelos governos.

Superabundância de moeda

A emissão ilimitada de dinheiro pelo governo pode desencadear inflação. Muitos casos históricos de hiperinflação tiveram origem nisso; na Taiwan dos anos 50, por exemplo, o valor de 800 mil dólares de então equivalia a apenas 1 dólar americano.

Auto-reforço das expectativas de inflação

Quando o mercado espera que os preços subam a longo prazo, os consumidores compram antecipadamente, os trabalhadores exigem aumentos salariais, e os comerciantes também aumentam os preços, formando um ciclo vicioso de expectativa-ação-verificação. É por isso que os bancos centrais de vários países continuam a emitir sinais de que irão “controlar firmemente a inflação”.

Como a subida de juros pode conter a inflação? A lógica econômica por trás

Quando o banco central aumenta as taxas de juros, o custo de empréstimo no mercado sobe, e as pessoas preferem guardar dinheiro no banco do que gastar com empréstimos. Por exemplo, se a taxa sobe de 1% para 5%, um empréstimo de 100 mil pode gerar juros anuais de 1 mil para 5 mil, o que desestimula o consumo.

Com a demanda reduzida, os comerciantes, para estimular as vendas, precisam baixar os preços, levando a uma queda geral dos preços. Mas o custo de subir juros também é alto — as empresas reduzem contratações, a taxa de desemprego aumenta, o crescimento econômico desacelera e, às vezes, até provoca recessão.

A inflação moderada é, na verdade, um “lubrificante” para a economia

Muita gente fica nervosa ao falar de inflação, mas uma inflação moderada é, na verdade, benéfica para a economia. Quando as pessoas acreditam que os bens ficarão mais caros no futuro, elas se sentem mais motivadas a consumir, o que aumenta a demanda e incentiva as empresas a investir na expansão, acelerando o crescimento econômico.

Por exemplo, na China, entre o início dos anos 2000, quando o CPI subiu de 0 para 5%, a taxa de crescimento do PIB também saltou de 8% para mais de 10%.

Por outro lado, quando a inflação cai abaixo de 0% (deflação), as pessoas preferem guardar dinheiro e evitar gastar, levando à estagnação econômica. O Japão, após o estouro da bolha nos anos 90, entrou em deflação, entrando nos chamados “trinta anos perdidos”.

Por isso, os principais bancos centrais do mundo (EUA, Europa, Reino Unido, Japão, Canadá, Austrália, etc.) estabelecem uma meta de inflação em torno de 2%-3%, com a maioria mantendo entre 2%-5%, considerado o “faixa de ouro” amplamente aceita.

Quem se beneficia mais com a inflação? Devedores e detentores de ativos sorriem por último

Durante períodos de alta inflação, o dinheiro em espécie perde valor, mas quem tem dívidas sai na vantagem. Suponha que você tenha pegado um empréstimo de 1 milhão de dólares há 20 anos, com uma inflação de 3% ao ano; após 20 anos, o valor real dessa dívida seria aproximadamente 550 mil, ou seja, o valor que você realmente paga diminuiu pela metade.

Portanto, em tempos de alta inflação, quem investe em imóveis, ações, ouro e outros ativos se beneficia mais.

Como o mercado de ações se comporta em ambientes inflacionários diferentes?

Em períodos de baixa inflação, o fluxo de capital para ações impulsiona os preços das ações; em períodos de alta inflação, as políticas de aperto do banco central pressionam os preços das ações.

O exemplo de 2022 nos EUA é emblemático — em junho, o CPI anual atingiu 9,1%, o maior em 40 anos. Para combater a inflação, o Federal Reserve aumentou as taxas de juros sete vezes, totalizando 425 pontos-base, elevando a taxa dos fundos federais de 0,25% para 4,5%. O aumento das taxas dificultou o financiamento das empresas, comprimindo as avaliações de ações, levando o S&P 500 a cair 19% no ano, e a Nasdaq, com forte foco em tecnologia, caiu 33%.

Por outro lado, durante períodos de alta inflação, os setores de energia costumam se destacar. Em 2022, o retorno do setor de energia nos EUA foi superior a 60%, com a Occidental Petroleum subindo 111% e a ExxonMobil 74%, sendo alguns dos poucos destaques.

Diversificação de ativos: uma estratégia defensiva em tempos de alta inflação

Em ambientes de alta inflação, uma alocação de ativos bem planejada torna-se fundamental. Os investidores devem construir carteiras diversificadas para combater a erosão do poder de compra.

Principais classes de ativos que se saem bem em períodos inflacionários:

Imóveis — Durante a alta inflação, há maior liquidez, e os fundos tendem a fluir para o mercado imobiliário, elevando os preços.

Metais preciosos (ouro, prata, etc.) — O preço do ouro é inversamente proporcional às taxas de juros reais (taxa nominal menos inflação); quanto maior a inflação, melhor o desempenho do ouro.

Ações — O desempenho no curto prazo pode variar, mas, a longo prazo, geralmente superam a inflação.

Moedas estrangeiras (como o dólar) — Em ambientes de alta inflação, os bancos centrais tendem a aumentar as taxas, valorizando o dólar.

Uma estratégia prática é dividir o capital em três partes iguais, investindo aproximadamente 33% em ações, ouro e dólares, aproveitando as vantagens de cada classe de ativo — potencial de crescimento das ações, proteção de valor do ouro e hedge contra a inflação do dólar — além de diversificar os riscos.

Resumindo: como acompanhar o ritmo dos investimentos durante a inflação

A inflação é um desafio constante na economia moderna. Baixa inflação promove crescimento, enquanto alta inflação exige que os bancos centrais elevem as taxas para controlá-la. Para os investidores, o mais importante é entender que uma inflação moderada não é totalmente negativa, e que a diversificação de ativos é essencial para proteger-se contra a desvalorização da moeda. A combinação inteligente de ações, ouro, dólar, imóveis e outros ativos ajuda a preservar e aumentar o patrimônio em tempos de inflação.

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