Comércio de 600 mil milhões de dólares em Bitcoin na Venezuela: uma "guerra relâmpago digital" que está a reescrever a ordem financeira global



Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, as forças militares dos EUA realizaram uma operação surpresa na capital da Venezuela, Caracas, detendo o casal presidencial Maduro. Esta operação militar, codinome "Decisão Absoluta", alegadamente sob o pretexto de "combate ao tráfico de drogas", revelou na verdade um dos momentos mais dramáticos da história financeira global — o destino de uma reserva de Bitcoin de 600 mil milhões de dólares de um Estado soberano permanece um mistério, enquanto uma "guerra relâmpago digital" que altera as regras financeiras está a desenrolar-se.

1. O fracasso do Petro e o surgimento das "reservas sombra"

A história da Venezuela é uma epopeia sobre a perda de confiança na moeda e a autoconservação do Estado. Em 2018, perante uma hiperinflação que atingiu milhões por cento e uma Bolívar que se depreciava como papel de embrulho, o governo de Maduro lançou a primeira criptomoeda soberana do mundo — o Petro. As autoridades afirmaram que cada Petro correspondia a um barril de petróleo pesado de Orinoco, avaliado em 600 mil milhões de dólares.

No entanto, este "experimento criptográfico de nível nacional" rapidamente se tornou uma piada. O Petro não podia ser negociado em nenhuma bolsa principal, o seu preço era totalmente controlado pelo governo, inicialmente trocado a 3600 Bolívares por Petro, ajustado arbitrariamente para 6000, 9000, e por fim valendo menos de 10 dólares no mercado negro. Ainda mais irónico, o governo obrigava a população a usar o Petro, enquanto utilizava uma "rede financeira sombra" para converter recursos do Estado em Bitcoin e Tether (USDT).

A realidade irónica é que: a criptomoeda soberana emitida pelo Estado falhou, enquanto a população espontaneamente optou por stablecoins atreladas ao dólar, como o USDT. Nas ruas de Caracas, pequenos comerciantes exibem QR codes de pagamento em USDT, formando uma espécie de "sistema de dólares na cadeia" de facto.

2. Reserva de 600 mil milhões de dólares em Bitcoin: a "arma final" na era digital

Com o colapso do núcleo do círculo de poder do governo Maduro, uma revelação surpreendente veio à tona. Segundo fontes citadas por meios como Whale Hunting, a Venezuela, para evitar sanções, criou uma complexa rede financeira sombra, convertendo recursos nacionais, incluindo ouro e petróleo, em Bitcoin e Tether, numa escala que pode atingir os 600 mil milhões de dólares.

O percurso que levou a este montante é chocante: em 2018, a Venezuela exportou 73,2 toneladas de ouro, avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de dólares. Se uma parte desses fundos foi convertida em Bitcoin quando o preço esteve entre 3000 e 10000 dólares, e mantida até atingir um pico de 69000 dólares em 2021, o seu valor teria aumentado de forma exponencial. Se esta estimativa for correta, o volume de ativos seria suficiente para rivalizar com as posições da MicroStrategy ou até superar as reservas do país, El Salvador.

Mais importante ainda, a propriedade e controlo destes ativos permanecem um mistério. Relatos indicam que a gestão das chaves de acesso utiliza um mecanismo de múltiplas assinaturas, desenhado por advogados suíços, exigindo a cooperação de vários detentores de chaves para movimentar os fundos. Isto reduz o risco de transferência única de ativos e aumenta a possibilidade de serem parcialmente congelados ou desmembrados progressivamente.

3. A "revolução criptográfica" no comércio de petróleo: 80% das receitas liquidadas em USDT

A experiência criptográfica da Venezuela não é um caso isolado. Segundo Zerohedge, com o endurecimento das sanções, a estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) começou a exigir que intermediários utilizassem Tether (USDT) para liquidar as transações de petróleo. Até dezembro de 2025, cerca de 80% das receitas petrolíferas do país seriam supostamente recebidas em USDT.

Este fenómeno não é casual. Após o conflito Rússia-Ucrânia, a Rússia também iniciou uma exploração semelhante de "desdolarização". Em agosto de 2024, o presidente Putin assinou a Lei de Pagamentos Transfronteiriços com Criptomoedas, permitindo às empresas russas realizar transações comerciais internacionais usando stablecoins e outras criptomoedas sob um regime legal experimental. Segundo dados da empresa de análise blockchain Chainalysis, de julho de 2024 a junho de 2025, o volume de transações de criptomoedas na Rússia atingiu 376,3 mil milhões de dólares, tornando-se na região com maior atividade de negociação de criptomoedas no mundo.

4. A "espada de dois gumes" das sanções financeiras dos EUA: acelerando a desdolarização global

A ação militar dos EUA contra a Venezuela parece uma jogada de política geoestratégica, mas na verdade é uma batalha final pela ordem financeira. Com o dólar como principal moeda de reserva mundial e o controlo do sistema de liquidação de pagamentos em dólares (como o CHIPS), os EUA podem aplicar sanções financeiras extremamente eficazes a países específicos. O CHIPS processa mais de 95% das transações internacionais em dólares, e controlar este sistema significa monitorar, atrasar ou interromper qualquer pagamento transfronteiriço em dólares.

No entanto, esta estratégia de "armas financeiras do dólar" está a gerar efeitos contrários. O uso generalizado de sanções financeiras pelos EUA aumenta a incerteza na obtenção de liquidez em dólares globalmente, podendo ameaçar o funcionamento fluido dos mercados de capitais internacionais. Um relatório do think tank RTI alerta que, num dado momento, poderá ocorrer uma escassez súbita de dólares, conhecido como o "Momento Triffin".

Um impacto mais profundo é que as sanções financeiras dos EUA estão a acelerar o processo de "desdolarização" global. Países como a China e a Arábia Saudita discutem usar o renminbi para liquidação de petróleo, a Rússia promove o uso de stablecoins como o A7A5 como uma alternativa ao rublo, e os BRICS exploram a implementação de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) conjuntas. Todas estas iniciativas visam construir redes financeiras regionais ou descentralizadas, que não dependam do dólar, mas tenham capacidade de circulação.

5. O efeito borboleta no mercado de criptomoedas: de ativo de proteção a ferramenta de geopolítica

O impacto do caso Venezuela no mercado de criptomoedas vai muito além do que a perceção tradicional do mercado financeiro. A curto prazo, o aumento do risco geopolítico impulsiona a procura por ativos de refúgio, levando a uma subida de 2,5% no preço do ouro à vista em uma semana, para 4375 dólares por onça, e a uma entrada de fundos de proteção em criptomoedas como o Bitcoin.

Por outro lado, o impacto mais profundo reside na capacidade das criptomoedas de demonstrar o seu valor prático em ambientes macroeconómicos e geopolíticos extremos. Quando a moeda de um Estado soberano entra em colapso e os canais financeiros tradicionais são cortados, as criptomoedas tornam-se numa alternativa para evitar sanções e armazenar ativos transfronteiriços.

Contudo, este "valor prático" também traz a ameaça de uma "espada de Dâmocles" regulatória. Na 19ª rodada de sanções contra a Rússia, em outubro de 2025, a UE incluiu plataformas de criptomoedas na lista de sanções, atingindo os desenvolvedores, emissores e principais plataformas de negociação de stablecoins lastreadas em rublos, como o A7A5. Isto marca uma escalada na repressão às criptomoedas por parte da UE e dos EUA, com uma tentativa de uma repressão sistémica.

6. O futuro do cenário: o "novo Guerra Fria" da finança digital

O enigma de 600 mil milhões de dólares em Bitcoin na Venezuela é, na sua essência, um espelho da reestruturação da ordem financeira na era digital. O núcleo desta luta não é mais o confronto militar tradicional, mas a disputa pelo controlo de ativos na cadeia, pela infraestrutura de pagamentos transfronteiriços e pela formulação de regras para o finanças digital.

Desde o fracasso do Petro na Venezuela, passando pela exploração de stablecoins na Rússia, até aos testes do yuan digital na China, o mundo está a formar duas rotas financeiras paralelas:

1. Sistema financeiro tradicional liderado pelo dólar: centrado no SWIFT e no CHIPS, mas enfrentando o "armamento" e os desafios da desdolarização
2. Redes financeiras digitais diversificadas: usando stablecoins, moedas digitais de bancos centrais e criptomoedas, para construir sistemas de pagamento descentralizados ou regionais

A maior lição do caso Venezuela é que a tecnologia não substitui a confiança, mas pode reconfigurar o suporte à confiança. Quando um país falha completamente na sua estrutura, finanças e governança, mesmo as ferramentas financeiras mais avançadas tornam-se apenas extensões do poder. No entanto, após a morte da moeda de um país, as pessoas continuam a procurar por valores que possam sobreviver — não por fé, mas por falta de alternativas.

Esta "guerra relâmpago digital" está apenas a começar. O destino dos 600 mil milhões de dólares em Bitcoin dependerá do resultado de uma combinação de rastreamento técnico, batalhas legais e luta de inteligência. Independentemente do desfecho, este caso será um exemplo clássico de estudo sobre reservas e gestão de ativos criptográficos soberanos, confirmando ainda mais as múltiplas propriedades e papéis complexos do Bitcoin e outras criptomoedas como "ativos digitais soberanos" — uma ferramenta de ruptura do sistema financeiro atual e um novo campo de batalha na geopolítica.

O futuro já chegou, apenas ainda não está distribuído de forma equilibrada. Na nova era da finança digital, quem controla a chave privada controla o futuro.
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· 01-06 00:26
Sente-se confortavelmente, a decolagem é iminente 🛫
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