Pressões de excedente global de açúcar pressionam o mercado apesar da cobertura de fundos de fim de ano

Os preços do açúcar estabilizaram-se na quarta-feira após uma breve queda, uma vez que o coberto de posições vendidas de final de ano proporcionou um suporte temporário ao mercado. O contrato de março na Bolsa de Futuros de Nova York avançou +0,17 pontos para fechar +1,15% mais alto, enquanto os futuros de açúcar branco na ICE de Londres subiram +1,50 pontos (+0,35%). No entanto, a recuperação de preços enfrentou obstáculos à medida que o índice do dólar subiu para um pico de uma semana, criando pressão de baixa nas avaliações das commodities em geral.

Surto de Oferta Sobressai ao Rebound Técnico

Apesar da recuperação de preços a curto prazo, o cenário fundamental permanece decididamente negativo para o açúcar. Uma expansão significativa da produção em países produtores principais ameaça inundar os mercados globais com oferta adicional ao longo de 2025-26, criando uma resistência estrutural à valorização dos preços.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um excedente de 1,625 milhão de toneladas métricas para a temporada de 2025-26, uma reversão dramática do déficit de 2,916 milhões de MT registrado em 2024-25. Essa mudança reflete um crescimento robusto na produção na Índia, Tailândia e Paquistão. A ISO prevê que a produção global suba 3,2% ano a ano para 181,8 milhões de MT, enquanto o consumo humano aumenta apenas 1,4% para 177,921 milhões de MT—um claro descompasso que favorece o excesso de oferta.

Previsores do setor privado apresentam uma imagem ainda mais pessimista. A trader de açúcar Czarnikow elevou sua estimativa de excedente para 8,7 MMT em novembro, um aumento de 1,2 MMT em relação às projeções de setembro, sugerindo que o desequilíbrio pode ser maior do que as estimativas oficiais indicam.

Produção Recorde no Brasil e Reallocação de Produção

A produção de açúcar do Brasil para 2025-26 deve atingir níveis recordes, com projeções do USDA de 44,7 MMT, representando um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior. Essa expansão ocorre à medida que as usinas brasileiras deslocam uma proporção maior de cana triturada para a produção de açúcar em vez de etanol. A região Centro-Sul, zona dominante de produção de açúcar no Brasil, processou 39,904 MMT até novembro, um aumento de 1,1% ao ano, com a proporção açúcar/cana subindo para 51,12% de 48,34% na temporada anterior.

No entanto, a Safras & Mercado apresentou uma visão contrária, prevendo que a produção do Brasil em 2026-27 cairá 3,91% para 41,8 MMT, de 43,5 MMT em 2025-26. A consultoria também prevê que as exportações cairão 11% ao ano para 30 MMT na próxima temporada, potencialmente aliviando alguma pressão de oferta nos anos seguintes.

Surto de Produção na Índia e Permissões de Exportação

O cenário de produção de açúcar na Índia mudou drasticamente após condições de monção melhoradas. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia elevou sua estimativa de produção para 2025-26 para 31 MMT, de 30 MMT, representando um aumento de 18,8% ao ano. Recentemente, a ISMA informou que a produção acumulada de 1 de outubro a 31 de dezembro subiu 24% ao ano, atingindo 11,83 MMT, sinalizando uma trajetória de safra robusta.

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta um crescimento ainda mais expansivo, prevendo uma produção de 35,25 MMT para 2025-26—um aumento de 25% ao ano. Esse boom de produção coincide com a decisão do governo indiano de permitir que as usinas exportem 1,5 MMT durante a temporada de 2025-26, marcando uma mudança em relação ao sistema de cotas de exportação implementado em 2022-23 após restrições anteriores de oferta.

Uma alteração notável: a ISMA reduziu sua estimativa de açúcar destinado à conversão em etanol para 3,4 MMT, de uma previsão de julho de 5 MMT, liberando inventário adicional para exportação e pressionando ainda mais os preços globais.

Expansão da Produção na Tailândia

A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, deve aumentar sua produção de 2025-26 em 5% ao ano, para 10,5 MMT, segundo a Thai Sugar Millers Corp. O FAS do USDA forneceu uma previsão um pouco mais conservadora de 10,25 MMT, ainda representando um crescimento de 2% ao ano. Esses aumentos contribuem significativamente para a perspectiva de excedente global.

Crescimento do Consumo Insuficiente para Absorver a Oferta

O consumo global de açúcar deve aumentar 1,4% ao ano, atingindo um recorde de 177,921 MMT em 2025-26, de acordo com projeções do USDA. Embora isso represente níveis de consumo historicamente altos, é praticamente insignificante em comparação com o aumento de produção projetado de 4,6%, garantindo virtualmente o acúmulo de estoques. As reservas finais globais devem diminuir 2,9% ao ano, para 41,188 MMT, embora isso dependa de a demanda permanecer estável e de não ocorrerem ajustes inesperados na produção.

O desequilíbrio estrutural entre a expansão da produção e o modesto crescimento do consumo continua sendo o principal fator de impulso dos preços, sugerindo que rebounds técnicos de curto prazo, como a recuperação de quarta-feira, enfrentarão pressão de venda persistente à medida que a temporada avança.

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