O projeto de lei C-25 do Canadá propõe a proibição de doações em criptomoedas e métodos semelhantes devido a preocupações com rastreabilidade e verificação de identidade.
A lei aplica-se a partidos, candidatos e terceiros, com sanções rigorosas e medidas de fiscalização.
A mudança ocorre em resposta ao aumento das preocupações com transparência, passando de regulamentação para proibição total de doações em criptomoedas.
O Canadá apresentou uma nova legislação para proibir doações em criptomoedas na política federal, marcando uma mudança nas regras de financiamento eleitoral. O projeto de lei C-25, apresentado em 26 de março na Câmara dos Comuns, busca proibir contribuições em criptomoedas devido a preocupações com rastreabilidade. A proposta segue alertas das autoridades eleitorais sobre riscos associados a métodos de financiamento anônimos.
O projeto de lei C-25, conhecido como Lei das Eleições Fortes e Livres, amplia-se além das criptomoedas. Também proíbe doações feitas por meio de ordens de pagamento e cartões pré-pagos. Os legisladores agrupam esses métodos devido aos desafios em rastrear a origem dos fundos.
As restrições aplicam-se a todo o sistema político. Partidos registrados, candidatos, concorrentes à liderança e anunciantes de terceiros estão todos sujeitos à proibição proposta. Além disso, o projeto de lei detalha medidas de fiscalização para violações.
Os destinatários devem devolver, destruir ou converter as contribuições proibidas no prazo de 30 dias. Depois, devem transferir os recursos ao Receiver General. As penalidades incluem multas de até o dobro do valor da contribuição, além de $100.000 para corporações.
O Canadá permitia anteriormente doações em criptomoedas sob um quadro administrativo de 2019. As autoridades as classificaram como contribuições não monetárias, semelhantes a propriedade. Contudo, seu uso permaneceu mínimo na prática.
Nenhum grande partido federal divulgou doações em criptomoedas durante as eleições de 2021 ou 2025. Além disso, essas contribuições não davam direito a créditos fiscais, limitando seu apelo. Doadores que contribuíam mais de $200 também precisavam fornecer dados de identificação.
Apesar dessas salvaguardas, as preocupações aumentaram ao longo do tempo. Segundo relatórios eleitorais, a verificação de identidade permanecia difícil devido à natureza pseudo-anônima das criptomoedas. Essa preocupação impulsionou pedidos por controles mais rigorosos.
O Diretor-Geral das Eleições, Stéphane Perrault, inicialmente apoiou uma regulamentação mais rígida. Contudo, até novembro de 2024, recomendou uma proibição completa. Ele citou dificuldades persistentes na verificação das identidades dos contribuintes.
O projeto de lei C-25 representa a segunda tentativa de impor tal proibição. Seu antecessor, o projeto de lei C-65, fracassou após a dissolução do Parlamento em janeiro de 2025. Enquanto isso, preocupações semelhantes surgiram internacionalmente. Notavelmente, o Reino Unido recentemente impôs uma moratória às doações políticas em criptomoedas. Em contrapartida, os Estados Unidos continuam a permitir tais contribuições sob regras de divulgação. A proposta do Canadá ainda está em análise na primeira leitura.